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COLUNISTAS

CANNES 2019: ‘PARASITE’ LEVA A PALMA DE OURO

Publicado por Elton Telles, 10:00 - 27 de Maio de 2019

O filme “Parasite”, dirigido por Bong Joon-ho, foi o grande vencedor da 72ª edição do Festival de Cannes, que aconteceu entre os dias 14 e 25 de maio. Cannes ainda é considerada a maior vitrine do cinema no mundo, sobretudo no que diz respeito a produções autorais de países diversificados, e ainda é tido como o principal evento cinematográfico no calendário anual, palco para exibições de filmes conceituados, palestras, workshops e onde as distribuidoras adquirem suas produções. Na verdade, todas essas atividades se repetem nos demais festivais mundo afora (Berlim, Veneza, Sundance, Toronto, San Sebastián...), mas em Cannes a escala é muito maior.


O Festival de Cannes tem no histórico verdadeiras obras-primas do cinema como vencedoras da cobiçada Palma de Ouro, grande honraria concedida ao melhor filme da competição oficial de acordo com o júri. Neste ano, a equipe de profissionais que deliberou os prêmios foi presidida pelo mexicano Alejandro González Iñárritu (diretor de “Babel”, “Birdman” e “O Regresso”), que na cerimônia de premiação, revelou em seu breve discurso que foi uma decisão unânime conceder o prêmio máximo para “Parasite”. É a primeira vez que a Coreia do Sul recebe a Palma de Ouro, e nós espectadores acompanhamos, há pelo menos 15 anos, a guinada artística e representativa da cinematografia coreana, referência principalmente em thrillers e filmes do gênero terror. Já estava mais do que na hora deste reconhecimento.


Sem muitos detalhes da sinopse oficial, “Parasite” acompanha uma família pobre, com todos os membros desempregados, que se envolve em um incidente ao invadir casas de pessoas ricas. O filme ainda não tem data de estreia no Brasil, mas enquanto isso, fica a sugestão de conhecer a filmografia curta, porém expressiva de seu realizador, Bong Joon-ho, certamente um dos melhores cineastas em atividade.

Foto Parasite

Cena de 'Parasite', filme coreano vencedor da Palma de Ouro em 2019 (Foto: Divulgação)

É de se destacar que o Grande Prêmio do Júri – espécie de segundo lugar da premiação – foi dado à produção senegalesa “Atlantique”, filme de estreia da jovem diretora Mati Diop, a primeira negra com um filme em competição na história do festival. Em 72 anos, esta é a primeira vez que uma diretora negra concorre à Palma de Ouro. Bizarro. “Atlantique” aborda o tema de refugiados africanos na Europa, centralizando sua história na busca de uma garota pelo seu namorado, um dos homens que se lançou ao mar à procura de uma vida com oportunidades. A Netflix já comprou os direitos de exibir “Atlantique”, então vamos aguardar.


No pódio do Festival de Cannes, se a Coreia do Sul ficou com o ouro e Senegal ficou com a prata, o bronze ficou dividido entre França e Brasil. O Prêmio do Júri foi para “Les Misérables”, cujo roteiro traz à discussão o abuso de poder e corrupção policial, e para o brasileiro “Bacurau”, co-dirigido por Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles. Somado ao prêmio máximo de “A Vida Invisível de Eurídice Gusmão” na mostra Un Certain Regard, estes méritos vêm em um momento propício para o cinema brasileiro, que vem sendo perseguido em um sistema arbitrário de fiscalização. “Les Misérables” foi adquirido pela Amazon, “Bacurau” tem previsão de estreia em agosto, enquanto “A Vida Invisível de Eurídice Gusmão” está confirmado para novembro.

Foto Bacurau

Os diretores brasileiros Kleber Mendonça Filho (esq) e Juliano Dornelles (dir) entre o francês Ladj Ly: todos vencedores do Prêmio do Júri (Foto: AFP)

 


Abaixo, os vencedores do Festival de Cannes da Mostra Competitiva Oficial.


Palma de Ouro
“Parasite”, de Bong Joon-ho (Coreia do Sul)


Grande Prêmio do Júri
“Atlantique”, de Mati Diop (Senegal/França)


Prêmio do Júri
“Bacurau”, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles (Brasil)
“Les Misérables”, de Ladj Ly (França)


Direção
Jean-Pierre e Luc Dardenne, por “O Jovem Ahmed” (Bélgica)


Ator
Antonio Banderas, por “Dor e Glória” (Espanha)


Atriz
Emily Beecham, por “Little Joe” (Áustria)


Roteiro
Céline Sciamma, por “Retrato de uma Jovem em Chamas” (França)


Menção Honrosa
“It Must Be Heaven”, de Elia Suleiman (Palestina)

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