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Entre idas e vindas, ala Vampeta joga em Maringá 'por amor'

Publicado por Chrystian Iglecias, 16:40 - 19 de Junho de 2019

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No ginásio onde iniciou a carreira, Vampeta trata a bola com o mesmo carinho com que trata o futsal maringaense. Foto: Odair Figueiredo

Campeão europeu em 2014 e medalha de bronze no Mundial de 2012 pela Itália, multicampeão no país da bota pelo Luparense, campeão de três das últimas quatro edições do célebre torneio Alroudan... um atleta com este currículo certamente não aceitaria jogar de graça em lugar nenhum do mundo, certo? errado.


Jairo Manoel dos Santos, o Vampeta, é o dono destas proezas. Ele é maringaense e, após iniciar a carreira na AFMM e passar pela extinta Amafusa, construiu praticamente toda sua carreira no futsal italiano, tendo inclusive se naturalizado para poder defender as cores da Azzurra. Enquanto ele encantava jogando no centro-sul europeu, Maringá ainda tinha um time na Liga Nacional. O Cyagim, sucessor da Amafusa, era nome certo na lista das equipes que disputavam a Liga Futsal.


De 2014 pra cá, porém, este cenário mudou. Naquele ano, por falta de recursos, o Cyagim deixou de disputar o campeonato nacional, alegando falta de apoio do poder público e de empresários da cidade. Desde lá, a Cidade Canção não vê uma equipe pisar na quadra do Chico Neto para disputar um torneio deste tamanho.


Neste meio-tempo, ganhou força o Maringá Seleto Clube, equipe que vem representando a cidade no Campeonato Paranaense nos últimos anos. Em 2019, o Seleto fechou parceria com a Instituição de Torcedores do Grêmio de Esportes Maringá (ITGEM), grupo que está se mobilizando para resgatar o tradicional GEM, campeão estadual de 1977 no campo. Com a parceria, a equipe passou a se chamar Grêmio/Seleto ou, simplesmente, GEM Futsal.


Todos os jogadores da equipe atuam sem receber salários e possuem outras ocupações quando não estão comprometidos com o futsal. O time está disputando a Série Prata do Paranaense, e após 13 rodadas ocupa a quinta colocação na tabela. Para conseguir o acesso à Série Ouro, a elite do futsal estadual, a equipe precisa chegar na final.

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Vampeta na Copa do Mundo da Tailândia, em 2012. Foto: Reprodução/ogol.com.br

No último mês de abril, a equipe anunciou o reforço de... Vampeta. Ele tem contrato com o Seleto desde o ano passado, porém defende o Kazma, do Kuwait, desde 2014. Explica-se: no Kuwait, como o futsal não é profissionalizado, os jogadores não precisam de transferência de contrato para jogar.


Como estava de férias, Vampeta veio, inicialmente, para disputar apenas três jogos, entre a 6ª e a 8ª rodada da Série Prata. Após estes jogos, o atleta retornou ao Kuwait para disputar a 40ª edição do Alroudan, e sagrou-se campeão pela terceira vez em quatro anos. O torneio é uma das principais competições de futsal do planeta, e sempre conta com a participação de estrelas do futebol mundial. Para se ter uma ideia, já passaram pelo torneio nomes como Zidane, Kaká, Marcelo, Daniel Alves, Benzema, Pirlo, Casillas, entre outros. Neste ano, os convidados foram Didier Drogba, Francesto Totti e Luka Modrić.


Terminado o Alroudan, Vampeta voltou ao Grêmio/Seleto para este mês de junho, antes de dar outra pausa para disputar o torneio continental da Ásia pelo Kazma. Em Setembro, novamente, o ala retorna à Maringá.


Em contato com o portal GMC Online, Vampeta confirmou que não possui nenhuma regalia e, assim como todos os outros jogadores, não recebe um centavo para atuar pelo Grêmio/Seleto.


“Eu jogo para ajudar mesmo, sei da dificuldade que eles levam e do sacrifício que eles fazem. Tem meu irmão também, que joga no time. O legal é poder jogar com a minha família e meus amigos prestigiando”, afirmou o consagrado ala.


Vampeta aproveitou a entrevista para pedir apoio à equipe. “Quem sabe entra alguém aí, um prefeito que realmente goste do esporte. Acho que conseguir patrocínio máster seria o principal para entrar numa liga (nacional). Estrutura nós temos, ginásio a gente tem... então, falta dinheiro”, completou.

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Vampeta na partida diante do CAD/Guarapuava. Foto: Odair Figueiredo

Com Vampeta em quadra, o Grêmio/Seleto venceu três partidas, perdeu uma e empatou outra. Para se classificar à segunda fase, basta seguir entre os oito melhores times na classificação. Na fase seguinte, as oito equipes serão divididas em dois grupos de quatro times cada. Os dois melhores de cada grupo vão às semifinais, e os finalistas sobem para a Série Ouro.


“As chances de subir são muitas. Os jogadores que temos são muito bons, sabe? Vários. O problema é que não é um time profissional. Os jogadores jogam por gostarem de jogar e por gostarem da cidade. Mas as condições oferecidas não são as que uma Série Ouro exige. Você jogar uma Série Ouro trabalhando com outra coisa é inviável. Vai ser goleado sempre. Precisa melhorar muita coisa externa pra chegar na Série Ouro e não passar vergonha”, enfatizou Vampeta.


O próximo compromisso de Vampeta e cia. pela Série Prata do Paranaense é nesta quinta (20) à noite, na AFMM, diante do Mariópolis. Após esta partida, o ala joga diante do Ítalo Norte Beltrão (dia 29), fora de casa, e em seguida, no dia 1º de julho, viaja para a Ásia.


 

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