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Maradona exigiu casa com piscina para trabalhar no México

Publicado por Folhapress, 11:48 - 17 de Setembro de 2018

Diego Maradona, 57, encarou a imprensa e disse não estar ali de férias. O ex-jogador estava acostumado a ter diante de si aquela quantidade de jornalistas. Mas a cidade de Cuilacán, no México, não.


Eram 250 pessoas no evento de apresentação do argentino como técnico do Dorados, da segunda divisão do país. Nesta segunda (17), a atenção será maior ainda.


Maradona dirige a equipe pela primeira vez. Será contra o Cafetaleros de Tapachula, em casa, no estádio Banorte. 


A chegada do ex-camisa 10 trouxe para o município de 20 mil habitantes uma visibilidade inédita. A partida estava marcada para domingo, mas foi transferida para esta segunda, às 23h (de Brasília) assim pode ser transmitida ao vivo para outros países da América Latina.


Tudo tem seu preço. O Grupo Caliente, dono do Dorados e do Xolos de Tijuana (que está na primeira divisão), aceitou as condições impostas pelo treinador.


Maradona assinou contrato de um ano, para ganhar US$ 180 mil mensais (R$ 753,7 mil). Exigiu que o clube conseguisse para ele uma casa com piscina em condomínio fechado e que nas partidas fora de casa, o time viaje apenas em voos fretados, em vez de usar linhas comerciais. Pediu que seu auxiliar fosse Luis Islas, ex-goleiro da seleção argentina nas Copas de 1986 e 1994.


A missão é levar o Dorados, fundado em 2003, para a elite. Não parece ser fácil. Após seis rodadas, a equipe está em 13º, com três pontos conquistados em seis rodadas. Ainda não venceu na temporada. A segunda divisão tem 15 equipes. O Cafetaleros, adversário desta segunda, é o lanterna.


"Eu não me escondo. Juro pelos dois que tenho lá em cima [no céu]: minha mãe e meu pai. Temos de levar um elefante no ombro e isso não é pouco. Não me escondo, nem mato nem minto", disse para descartar que tenha sido uma iniciativa apenas midiática do Dorados.


A contratação não recebeu aprovação universal entre os profissionais do futebol mexicano.


"Claro que ele não vai fazer nada. Não porque não saiba, mas porque não pode. É um ser humano que está doente. Não se dá conta disso quem o contrata nem seus agregados. Mais que contratá-lo, os grandes clubes do mundo teriam de ajudá-lo a sair dessa doença. É claro que está doente", disse o técnico mexicano Jorge Luis Sánchez Solá.
Ele não entrou em detalhes sobre o que considerava ser a doença de Maradona. Se for o passado como viciado em drogas, o ex-jogador fez questão de dizer que há 14 anos está livre do problema. Mas a menção é sugestiva porque Cuilacán é o centro de operações do Cartel de Sinaloa.


Maradona pediu vídeos de todas as partidas do Dorados na temporada. Segundo o clube divulgou, para comprovar que o novo técnico está empenhado em dar certo no cargo, passou os últimos dias analisando o potencial do elenco.


Ter Maradona é uma vitória para a família Rhon, que comanda Dorados e o Xolos. Integrantes do clã já se envolveram em polêmicas e sofreram acusações de ligações com o narcotráfico. A figura mais conhecida é Jorge Hank Rhon, que preside o Xolos e foi prefeito de Tijuana. Ele foi acusado de envolvimento na morte do jornalista Héctor Felix, que investigava os negócios da família, em 1988.


Estar ligado a polêmicas nunca foi problema para Maradona, que foi um dos personagens da última Copa na Rússia mesmo sem colocar chuteiras. Sua presença nos estádios, em jogos da Argentina, eram aguardadas por torcedores e imprensa. Após a vitória contra a Nigéria, que levou a seleção para as oitavas de final, ele passou mal. Teve queda de pressão. Já havia feito gestos ofensivos para a torcida nigeriana.


Durante o Mundial, participou do "De la mano del diez", programa diário da Telesur, emissora estatal com recursos de vários países, mas mantida principalmente pelo governo venezuelano. Para estar na atração durante um mês, Maradona recebeu US$ 1,5 milhão (R$ 6,30 milhões em valores atuais).


"Algum dia, a eles vou ter de dizer sim", afirmou, sobre os convites recusados para dirigir as seleções da Venezuela e Bolívia, feitos pelos presidentes Nicolás Maduro e Evo Morales, respectivamente.


Assim que decidiu aceitar o cargo no Dorados, Diego pediu para seu advogado e braço direito, Matías Morla, entrar em contato com o Dinamo Brest, da Bielorrússia, onde o ex-jogador deveria ocupar o cargo de presidente. Depois foi esclarecido que Maradona seria um presidente de honra para ajudar no desenvolvimento do futebol do país.


O ídolo chamado de "Deus" pela torcida argentina disse que voltaria a ser técnico da sua seleção de graça se fosse chamado. Ele a comandou na Copa do Mundo de 2010. A ligação não aconteceu. Sobrou a lucrativa opção de trabalhar na segunda divisão do México.


Não será a primeira experiência do tipo. Ele deixou o Al Fujairah neste ano depois de não conseguir fazer o time subir para a elite do futebol dos Emirados Árabes.


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Foto: Folhapress

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