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Ajuda

Médico maringaense passa mais de um ano em missões na África

Publicado por Nailena Faian, 14:30 - 03 de Setembro de 2019

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Foto: Arquivo pessoal

Desde quando estudava Medicina na Universidade Estadual de Maringá (UEM), Lourielthon Gualda tinha vontade de participar de missões voluntárias em países que necessitam de ajuda. Depois de se formar e adquirir dois anos de experiência, em 2014, aos 27 anos, participou de sua primeira missão no Haiti por meio da Organização das Nações Unidas (ONU).


Sensibilizado com o que viu e viveu, resolveu continuar ajudando quem mais precisa. Ao retornar, passou dois anos no Brasil e,  em setembro de 2017, foi selecionado para participar dos Médico Sem Fronteiras (MSF), uma organização internacional que leva cuidados de saúde a pessoas afetadas por graves crises humanitárias.


Foi quase um ano e meio fora de casa. A primeira missão do maringaense foi em Malawi, país situado no sudeste da África e considerado um dos mais pobres do mundo. O objetivo era bastante assustador no início: tratar de presos com tuberculose e HIV na maior prisão do país, localizada na capital, em Lilongwe.



“Quando cheguei, foi até engraçado. Não era o que imaginava. Me deparei com os pacientes todos com medo e tímidos. Aí que eu fui saber que a maioria foi preso por roubar comida para não passar fome ou porque foi pego migrando da Etiópia para a África. Daí eles ficam presos por cerca de seis meses e acabam sendo violentados, estuprados e contraem HIV. Eu ficava chocado ao ouvir as histórias deles. Tinha um estigma e na verdade não era nada do que imaginava”, revela Gualda.



A segunda missão foi no mesmo país, só que desta vez em um hospital, também atendendo casos de HIV. Ele também viajava por várias cidades, especialmente as mais desassistidas, de difícil acesso, onde não havia atendimento médico.

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Foto: Arquivo pessoal


“Se não tivesse o Médico Sem Fronteiras nessas regiões, muitos pacientes iriam morrer sem nem saber o que tinham. A dificuldade de recursos lá é muito grande e o MSF dá esse suporte, oferecendo medicamentos até que o país consiga dar”, explica.



Além de tratar os pacientes, Gualda diz que uma de suas missões era levar conhecimento aos médicos locais, discutindo os casos dos pacientes e orientando como deveria ser o tratamento. Muitos deles não são médicos, mas técnicos em Medicina, profissão que não existe no Brasil.


Experiência que mudou sua vida


O maringaense voltou desta última missão no fim do ano passado. Ele conta que sua visão de mundo se tranformou depois de tantas experiências.



“É difícil de descrever. Você vai vivendo tantas histórias e realidades tão diferentes. Aqui em Maringá eu nunca passei dificuldade. Daí você chega num local em que as pessoas estão lutando para viver. Hoje até a água da torneira que uso para escovar os dentes eu valorizo”, ressalta.


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Foto: Arquivo pessoal


“Em Moçambique, vi crianças tomando água de um rio que eu não teria coragem de lavar meus pés. A facilidade que a gente tem na vida e a gente não valoriza, como  ir na sorveteria e comprar um sorvete. Acho que passei a valorizar coisas que no dia a dia as pessoas não acham importante”, conta.



Gualda diz que outra coisa que passou a dar mais importância  são as relações pessoais. A distância provoca saudade, portanto quando está perto aproveita para compartilhar momentos com amigos e familiares.


Agora ele está curtindo a família e os amigos em Maringá, mas pretende encarar novas missões e adquirir novas experiências em breve.

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Foto: Arquivo pessoal

Seleção para o Médico Sem Fronteiras


Para participar dos Médicos Sem Fronteiras é preciso se inscrever no site da organização. Podem se inscrever médicos, psicólogos, engenheiros, além de outros profissionais. Ao se cadastrar, é preciso enviar o currículo e uma carta de motivação.


Além da profissão, existem alguns critérios exigidos pela organização, conforme explica o recrutador do MSF Vicente Brison Pires de Souza. Segundo ele, é preciso ter inglês fluente e ter pelo menos dois anos de experiência na área de formação. O francês não é obrigatório, mas um grande diferencial.



“O processo seletivo não é muito longo. A gente faz a avaliação dos documentos e se estiver tudo certo é feita uma entrevista por telefone. Depois tem a avaliação pessoal aqui no Rio de Janeiro. Se a pessoa for aprovada, poderá ir para uma missão de imediato ou às vezes é necessário aguardar”, explica.



O tempo de cada missão varia. Pode ter duração máxima de um ano, mas, geralmente, tem duração de cerca de seis meses. O candidato não pode escolher para onde vai, mas pode estabelecer restrições, como optar por não ir para uma zona de conflito.


O trabalho é remunerado. Além do salário, os custos locais no país para onde o profissional foi enviado é bancado. Também são custeados seguro de vida e férias.


O recrutador ressalta que a organização está precisando de profissionais na área de logística e psiquiatras. Interessados devem entrar no site dos MSF e se inscrever.


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