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Quem dorme pouco morre antes, aponta estudo

Publicado por Redação Banda B, com assessoria, 16:29 - 18 de Julho de 2019

Dormir pouco, muito aquém do necessário, se tornou motivo de orgulho para muitas pessoas, especialmente os dito workaholics. Não raro nos deparamos com conteúdo na internet feito por empresários, empreendedores e influencers para o mundo dos negócios, que comentam o fato de se sentirem menos produtivos ou engajados se dormirem as horas recomendadas para qualquer pessoa. A medicina atesta: não há nada de bom nisso e é hora de pararmos de admirar quem dorme pouco.


Dormir as sete ou oito horas recomendadas, já foi comprovado, ajuda a estender o tempo de vida, além de colaborar para uma velhice mais saudável. Mas esse benefício só acontece através da indução natural ao sono, uma vez que há estudos que relacionam o uso de remédios para dormir a um aumento do risco do câncer, infecções e mortalidade.


Pouco sono e saúde


Um estudo publicado no Journal of American College of Cardiology (JACC) revelou que indivíduos que dormem menos de seis horas por noite apresentam risco 27% maior de desenvolver aterosclerose – condição caracterizada pelo acúmulo de placa de gorduras e outras substâncias nocivas nas artérias. E, por consequência, estão mais sujeitos ao infarto e outras doenças cardiovasculares.


A pesquisa ainda revelou que pessoas que desfrutam de menos horas de sono por noite estão mais propensas a ingerir mais bebida alcoólica e cafeína. Apesar de muitos acreditarem que o álcool ajuda a dormir, as substâncias, na verdade, atrapalham os estágios essenciais do sono que garantem o descanso necessário para o organismo. E hábitos nocivos também estão diretamente ligados a um menor tempo de vida.


Colaboram ainda nesse quadro o fato de que dormir menos de sete horas por noite afeta o sistema imunológico e o desempenho cognitivo, podendo levar a doenças como Alzheimer, câncer, obesidade, diabetes e depressão.


Segundo Stella Márcia Azevedo Tavares, médica coordenadora da polissonografia do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE), os sintomas do sono insuficiente incluem cansaço persistente, irritação, falta de atenção e queda de rendimento. “Esses comportamentos, facilmente tachados de ‘preguiça’ podem, na realidade, ser resultado de distúrbios do sono”, diz ela. A presença desses sinais requer investigação médica.


Embora uma vida mais longa esteja associada ao tempo de sono, é importante destacar que esse sono deve ser de qualidade, ou seja, profundo. Quem sofre de apneia do sono, por exemplo, apesar de dormir, dorme mal. Como a apneia está ligada ao surgimento de doenças cardiovasculares, pacientes que apresentam esse quadro tendem a viver menos se não tratados. Enfim, dormir bem é um dos segredos para a longevidade.


Um estudo realizado pela American Academy of Sleep Medicine (AASM), publicado na revista científica Sleep, analisou problemas do sono em 2800 adultos com idades entre 60 e mais de 100 anos. Na conclusão, os problemas de saúde foram associados a uma pior qualidade de sono. Entre os avaliados, 46% dos participantes que tiveram a autoavaliação de saúde insatisfatória também relataram não dormir bem.


A ciência por trás


Uma pesquisa publicada em 2015 por médicos da Universidade de Nagoya, no Japão, analisou apenas os hábitos de sono do grupo participante e revelou que o risco de morte para quem dorme menos de sete horas diárias é quase duas vezes maior que o das pessoas cujo descanso varia entre sete e dez horas. Muitos fatores ajudam a explicar essa relação, tais como:



-Durante o sono se poupa energia e são repostos os estoques de proteínas e enzimas;
-A produção de hormônios essenciais para uma série de processos vitais acontece à noite;
-A falta de sono colabora para a redução das enzimas de metabolização de radicais livres, que colaboram para o envelhecimento e morte antecipados;
-A privação do sono compromete a ação das interleucinas, substâncias fundamentais na resposta imunológica, debilitando o sistema de defesa do corpo e favorecendo o surgimento de infecções;
-Risco de acidentes por noites em claro ou de pouco sono, comprometendo o estado de atenção e vigilância, em função da conexão atrapalhada entre neurônios.


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Foto: Ilustrativa/Freepik

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