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24 de abril de 2024

‘Mundo não se divide entre Lula e Temer’, diz Meirelles


Por Folhapress Publicado 02/08/2018 às 19h08 Atualizado 17/02/2023 às 21h04
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Chancelado candidato do MDB ao Planalto, Henrique Meirelles, fez um discurso nesta quinta-feira (2) em que se colocou como o único nome capaz de resolver os problemas do país e disse que o mundo não se divide entre apoiadores e críticos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Michel Temer (MDB). Segundo ele, a separação se dá entre quem trabalha e não trabalha quando o Brasil precisa -e seu perfil está no primeiro grupo.

“O mundo não se divide entre quem gosta e não gosta do Lula e quem gosta ou não gosta do Temer, mas entre quem trabalha quando o Brasil precisa e quem não trabalha”, declarou o agora candidato.

Meirelles disse ainda que o país não precisa de “um messias, que veste uniforme de salvador da pátria”, nem “de um líder destemperado”, em referência velada aos primeiros colocados nas pesquisas de intenção de voto, Lula e Jair Bolsonaro (PSL).

“Diferente de tudo isso, eu tenho um histórico de superação, tudo o que conquistei foi com o suor do meu rosto. Entrei na política para retribuir o que o país me deu”, completou.

Meirelles foi confirmado o nome do MDB na sucessão presidencial durante convenção do partido nesta quinta, em Brasília, com 85% dos votos dos convencionais. Segundo o presidente da sigla, Romero Jucá (RR), os números são “históricos”, visto que o próprio Temer foi aprovado pela legenda como vice na chapa do PT, em 2014, com 54% dos votantes.

Agora, o candidato inicia sua campanha com o desafio de romper com o isolamento político e se desgarrar da impopularidade de Temer, que o acompanhou durante toda a convenção, ao mesmo tempo em que faz referência constante à boa época econômica no governo Lula, do qual fez parte no comando do Branco Central por oito anos.

Estacionado há meses com 1% das intenções de voto, Meirelles não fechou nenhuma aliança com outro partido -seu vice deve, inclusive, ser uma mulher do próprio MDB- e precisará trabalhar para não ser abandonado pelos correligionários, assim como aconteceu com Ulysses Guimarães, em 1989.

No evento, o presidenciável destacou sua biografia e capacidade de resolver problemas -quando foi presidente do Banco Central, na gestão Lula, e como ministro da Fazenda, com Temer- como os grandes ativos de sua candidatura. “Sempre que fui chamado, me coloquei a serviço do país. Quero ser o elo de reconstrução do espírito de confiança que deve contagiar o país”, repetiu.

Como antecipou a Folha de S.Paulo, o discurso de Meirelles, de cerca de vinte minutos, foi baseado no que o candidato chamou de “pacto para resgatar o espírito de confiança no Brasil” e em algumas ideias que serão base de sua campanha, como a geração de emprego e o lançamento do programa Pró-Criança, espécie de bolsa de estudos para alunos pobres da primeira infância, no modelo do ProUni elaborado pelos petistas.

O candidato disse ainda que sua meta é fazer o país voltar a crescer 4% ao ano, como na gestão de Lula, da qual participou. A estratégia de se aproximar do petista -ao mesmo tempo em que se afasta sutilmente de Temer- é para tentar avançar sobre o espólio de eleitores do ex-presidente, caso ele seja impedido de concorrer em outubro.

Meirelles enfrentava resistência de diretórios do Nordeste, principalmente em Alagoas, com Renan Calheiros, mas conseguiu angariar mais da metade dos votos que precisava para ser chancelado candidato. Renan prometia um discurso duro contra o nome do ex-ministro, mas disse, nos bastidores, que não tinha “plateia” e, por isso, desistiu.

Temer, por sua vez, fez uma fala rápida, na qual acusou “alguns candidatos” de serem “pobres coitados” e “pigmeus políticos”. “São candidatos sem propostas que vão para a baixaria. São pigmeus políticos. Nós não somos pigmeus políticos, o MDB é feito de gigantes”, afirmou, sem menção direta a nenhuma adversário.

O evento desta quinta se inspirou nas convenções americanas, no entanto, em formato mais modesto, com custo em torno de R$ 1,6 milhão.

Meirelles se posicionou no centro de uma espécie de arena para discursar em pé, com um microfone de mão que o permite se deslocar pelo local diante dos convencionais. Ao fundo, um telão exibia vídeos de apoiadores, inclusive de sua mulher, Eva, que disse que o candidato encara a disputa como “uma missão”.

O ex-ministro, que vai pagar a campanha de seu próprio bolso, já disse que está disposto a gastar até o teto de R$ 70 milhões estabelecido pela lei eleitoral para o primeiro turno da campanha presidencial. Parte do custo da convenção também será arcada por ele.

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