29 de novembro de 2025

Odete Roitman tem razão? com R$ 5 milhões, tia Celina está falida?


Por Agência Estado Publicado 19/07/2025 às 09h38
Ouvir: 06:04

Odete Roitman tem razão? A irmã Celina está falida? Sim e não. Com menos de R$ 5 milhões de saldo bancário, a personagem da novela Vale Tudo, da TV Globo, deixou de ser rica o suficiente para ser atendida pelo private banking, segmento que atende multimilionários. No Itaú, por exemplo, o cliente desse serviço precisa ter R$ 15 milhões investidos no banco. No Bradesco, o mínimo é R$ 10 milhões. No Banco do Brasil, o mínimo é US$ 1 milhão.

Então, considerando que a irmã de uma das maiores vilãs da teledramaturgia “dilapidou” o próprio patrimônio com um custo de vida alto demais – segundo Odete, claro -, a socialite consegue, quando muito, ser atendida pelos serviço chamado alta renda.

Mas dá para dizer que Celina está falida? Antônio Sanches, analista da Rico, diz que ela não está, considerando o mapa da riqueza do Brasil. “A Celina está no 1% mais rico da população brasileira. Se bem investido, os R$ 5 milhões podem trazer uma renda perpétua”, diz Sanches.

Já a planejadora financeira certificada CFP® Letícia Camargo pondera que a resposta vai depender do quanto Celina gasta por mês. “Como a Odete acompanha de perto as finanças da Celina e sabe quanto ela gasta por mês, é mais provável que a irmã esteja com razão”, diz Camargo.

Fazendo as contas

Considerando um saldo bancário de R$ 5 milhões, Camargo fez as contas e demonstrou que, dependendo do estilo de vida que a personagem venha a adotar, ela conseguirá levar uma vida compatível com a elite brasileira. Segundo a FGV Social, da Fundação Getulio Vargas (FGV), a renda domiciliar do brasileiro no topo da pirâmide é de R$ 14.872,03 por mês. O cálculo é feito a partir de microdados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (veja a tabela).

Com uma carteira diversificada, a personagem conseguirá pagar um custo de vida “classe A” dependendo do quanto render o investimento e da forma como fará os resgates. “Se gastar apenas os rendimentos acima da inflação, ela consegue perpetuar o patrimônio. Mas nesse cenário, ela teria de gastar apenas entre R$ 10.500 e R$ 17.300 por mês”, diz Camargo.

No primeiro cenário, a CFP fez o cálculo considerando um rendimento médio acima da inflação de 4%. No segundo, 6%. Nos dois casos, foi considerada uma alíquota de 15% do Imposto de Renda (IR).

Numa segunda conta, Camargo calculou qual poderia ser o resgate mensal para o patrimônio financeiro de Celina durar 40 anos. Nesse caso, a personagem poderia gastar R$ 16.500, caso a carteira rendesse juros reais de 4%, ou R$ 21.500 se seus investimentos rendessem juros reais de 6%.

O problema, diz Camargo, é que famílias ultra-ricas com mansão e empregados costumam ter custo de vida acima de R$ 50 mil por mês. “Tenho cliente que ganha R$ 80 mil por mês e é endividado. Tudo depende do estilo de vida que a pessoa quer levar”, diz a planejadora financeira.

Então, num terceiro cenário em que a personagem gaste R$ 50 mil por mês, o patrimônio de R$ 5 milhões deverá durar cerca de nove anos, considerando a mesma carteira diversificada remunerada com 4% de juros reais, e pouco mais dez anos se a carteira render juros reais de 6%.

Portfólio da Celina

No enredo, Celina decide dar um fim ao longo processo de “desempoderamento” financeiro e investe um terço dos R$ 5 milhões em uma empresa de catering. Com essa decisão, Sanches, da Rico, pontua que ela aumentou bastante o risco e reduziu a liquidez do seu portfólio. Assim, o ideal seria adotar uma “postura conservadora e buscar ativos de risco menor para os outros dois terços do patrimônio”. “É uma forma de balancear o risco total do portfólio”, diz Sanches.

Ele menciona algumas opções, como o Tesouro Renda+. “Com esse produto, a pessoa começa a resgatar uma renda corrigida pela inflação com a vantagem da isenção da taxa de custódia da B3”, diz. Outra opção “barata” é o fundo DI Simples com taxa zero de administração, que remunera bem quando a Selic está alta.

Caso não tivesse feito um investimento de perfil “arrojado” e aplicado na empresa de catering, Sanches diz que Celina poderia montar uma carteira com foco em pagamentos semestrais. Na Rico, a recomendação é distribuir os recursos em títulos Tesouro Selic, Tesouro IPCA+ com juros semestrais, Tesouro Prefixado com juros semestrais, Fundos de Investimento Imobiliário com dividendos mensais e ações boas pagadoras de dividendos.

Educação financeira

Falida ou não, a personagem fictícia de Vale Tudo escancara uma realidade que ignora classe econômica: a falta de discernimento para lidar com o próprio dinheiro. Camargo pontua que, no caso da Celina, há o agravante de a fortuna ter sido uma herança. “Quem produz dinheiro, geralmente, toma mais cuidado porque sabe o tempo e o esforço para ganhar aquele dinheiro. Sem educação financeira, o herdeiro se perde”, diz a CFP.

Pauta do Leitor

Aconteceu algo e quer compartilhar?
Envie para nós!

WhatsApp da Redação

Comentar

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Economia

Ibovespa renova recorde e tem melhor mês desde agosto/24, quase a 160 mil pontos


O Ibovespa encerrou novembro em tom maior, não distante de arredondar marca histórica a 160 mil pontos durante a sessão,…


O Ibovespa encerrou novembro em tom maior, não distante de arredondar marca histórica a 160 mil pontos durante a sessão,…

Economia

Dólar à vista cai 0,32%, a R$ 5,3348, com maior apetite externo por risco


O dólar frente ao real encerrou o último pregão de novembro em queda, devolvendo parte da alta da véspera. A…


O dólar frente ao real encerrou o último pregão de novembro em queda, devolvendo parte da alta da véspera. A…

Economia

Desemprego em baixa eleva taxas na sessão, mas curva perde inclinação na semana


Os juros futuros negociados na B3 terminaram o pregão desta sexta-feira, 28, em alta, dia em que dados domésticos de…


Os juros futuros negociados na B3 terminaram o pregão desta sexta-feira, 28, em alta, dia em que dados domésticos de…