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COLUNISTAS

Brincar mais

Publicado por Elton Tada / Passeio, 15:00 - 17 de julho de 2019

Bloco de Imagem

Foto: Ilustrativa/Pixabay

Você se lembra do dia em que acordou e não era mais criança? Ou ainda, você consegue se lembrar bem de como era ser criança? Parece que a vida era outra, não é mesmo? Mas não era outra pessoa, era você mesmo lá, e a vida ainda era a mesma. O mundo vai se mostrando de um jeito diferente, mas, essencialmente o que muda é uma chave dentro de nós que nos faz ver as coisas bem diferentes.


Normalmente nós rimos de algumas coisas que as crianças dizem, achamos bonitinho, ou simplesmente pensamos que tudo o que vem da infância é café com leite, simplesmente não vale a pena nem ser julgado. O pior é quando chamamos algum adulto idiota de infantil. Não vamos confundir as coisas. O adulto besta está bem pra lá de qualquer categoria de infância. Ele é simplesmente besta. A infância, meu amigo, nada tem a ver com essas besteiras. A infância é uma forma inteira de ser gente. É um jeito certo de se viver. Não carece de futuro algum.


Esses dias perguntei a meus sobrinhos de 3 a 15 anos o que eles diriam a qualquer adulto. A resposta ainda está atravessada na minha garganta, mas tenho que contar vocês. Primeiro pediram desculpas por desobedecer. Depois pediram para que todos os pais ouvissem mais as crianças, dessem mais atenção e se dedicassem mais a seus filhos. Pediram que os adultos parassem de brigar por qualquer coisa e disseram que deveriam aprender com as crianças a amar mais, a brincar mais, a fazer mais amizades e ver mais o lado bom do mundo. Também me disseram que não deveria ter diferenças de classes sociais, porque se todos estivessem em pé de igualdade não haveria motivos para tantos preconceitos e injustiças. Mas será que essas benditas crianças me saíram comunistas, ou será que é simplesmente coisa de criança acreditar que a desigualdade é ruim e que as classes separam os iguais, dividem os humanos?



Fiquei um pouco assustado com o que me disseram. Não que as crianças sejam anjinhos do senhor radiantes de boas intenções. Um dos sobrinhos, no auge de seus onze anos também pediu cassinos no Brasil e a lei taglião [isso mesmo que você entendeu], explicando que ao invés de ser literalmente olho por olho e dente por dente, deveriam cortar as falanges dos dedos sempre como punição e para que ficassem marcados.



A vida é mesmo coisa louca. Não é? Há tantas vidas ao longo do nosso viver. E mesmo assim somos ainda e sempre o que somos. Talvez um dia entenderemos melhor o que significa viver. Talvez, quem sabe, não encontramos por aí os anjos que perdemos pelo tempo de nossa infância agora tão distante. Quem sabe, ao ouvir as crianças, não entendemos que somos o próprio tempo do nosso viver?

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