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COLUNISTAS

A nova cara da democracia

Publicado por Tiago Valenciano, 13:00 - 02 de de 2020

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Estamos acostumados a encarar a democracia como algo plural, como sinônimo de que todos podem participar e podem, também, terem seus anseios atendidos. Porém, a democracia – que deveria ser permeável em sua gênese, acostumou-se a afastar o componente mais importante das decisões fundamentais a serem tomadas: o povo.


A nova engenharia da democracia em tempos de globalização, de pós-modernidade, prevê que o velho sistema de difusão do poder seja, de fato, amplo, não necessariamente concentrado nas mãos de poucos. Frente a frente, o velho sistema se deparou com uma lógica avassaladora, desafiadora, completamente diferente de tudo daquilo que estamos acostumados.


Se antes era preciso constituir uma longa trajetória em um partido consolidado para a obtenção do sucesso eleitoral, hoje as engrenagens partidárias são capazes de ruir até mesmo em espaços com uma tradição político-partidária frágil, como no caso do Brasil. Ser do PT ou do PSDB nas décadas de 1990 e 2000 significava muito. Ser do movimento “tal” hoje pode significar ainda mais.


O momento, portanto, é de fissura. De um lado, o modelo tradicional, posto e enraizado nos operadores políticos, que conviveram com os principais acontecimentos políticos do Brasil contemporâneo: ditadura militar e diretas já! Na zona intermediária, os filhos dos anos de chumbo, que carregam em suas práticas políticas o aprendizado familiar, mas que se relacionam diretamente com a nova fase cara-pintada da política nacional. Por fim, concentramos somente os que já nasceram em uma democracia “plena”, totalmente conectados na mobilização social digital, a nova maneira de fazer política em massa.


A internet, nesta “nova fase”, se tornou instrumento de controle, a ferramenta que arranca das mãos dos caciques partidários o poder de decisão (fundamental em qualquer negócio político) e o transfere para a mão de “um povo”, involuntariamente guiado pelo seu discurso, com preferências extremamente odiosas e passionais.


Seguimos procurando a nova cara da democracia. Como será que ela vai se comportar daqui pra frente, considerando os aspectos sociais, políticos e, principalmente, cibernéticos? Neste mosaico de ideias, uma profusão de cores ideológicas surgirá. O que me preocupa são os efeitos desta Happy Holi.

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