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Maringá

Lockdown vertical

Infectologista é crítico ao isolamento radical; ENTENDA

Publicado por Luciana Peña/CBN Maringá, 17:03 - 25 de março de 2020

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Foto: Arquivo

O infectologista Luiz Jorge Moreira Neto defende isolamento gradual, com abertura de escolas e comércio. É o que os especialistas chamam de lockdown vertical. Ele é crítico do isolamento social radical adotado em Maringá.


O médico explica que o correto seria isolar idosos e doentes crônicos, protegendo-os do vírus, e isolar toda a cidade apenas no pico da doença que com o lockdown vertical pode ser de uma semana ou duas.



“O lockdown seria o fechamento das pessoas de uma maneira mais seletiva. No momento, nós estamos passando por um lockdown horizontal, ou seja, todo mundo tem que ficar em casa, exceto as atividades que são mais essenciais de todas", explica.


"No lockdown vertical a gente vai deixar em casa aquelas pessoas que realmente estão sob o maior risco: os idosos, as pessoas que têm problemas pulmonares e cardíacos sérios, diabéticos, essas pessoas sim necessitam de proteção. Já as demais, ou seja, aquelas pessoas que têm um risco menor de contrair o coronavírus e desenvolver um quadro grave, essas sim poderiam sair, trabalhar e fazer suas atividades”, completa.



O infectologista explica que não há como evitar a contaminação, e quando a população de menor risco é contaminada cria imunização. Quando 70% da população for contaminada e curada da doença, o vírus para de circular. Para evitar que idosos que vivem com adultos e jovens se contaminassem, bastaria adotar as medidas de isolamento domiciliar e de higienização.



“A maioria das pessoas vai estar sob risco e muitos vão adquirir o coronavírus, isso já é uma realidade porque já existe a transmissão comunitária dentro do Brasil. Então, a gente tem que pensar agora em reduzir o impacto que essa doença vai causar. Se todo mundo ficar doente na mesma semana, a gente vai ter uma sobrecarga no sistema de saúde, não vai ter UTI para todo mundo que precisar, os médicos vão ficar doentes e não vai ter quem atender”, destaca.


“Você tem que fechar o comércio, escolas, cidades, naquele momento que está com previsão de ter um pico de transmissão da doença, para evitar que o serviço de saúde seja sobrecarregado. Da maneira como foi feito foi precoce. O comércio está sofrendo agora, e nós só temos um ou outro caso em Maringá. Nesse momento estamos trocando alguns casos de coronavírus, com possibilidade de se tornar graves, por milhares ou milhões de pessoas desempregadas, e que isso vai levar um impacto social muito grande”, acrescenta.



Segundo ele, no lockdown vertical, para que os idosos não fossem contaminados, as famílias deveriam adotar medidas de higiene dentro de casa.



“Não estamos falando de isolar os idosos em uma bolha. Se você trabalha com o público e tem risco de adquirir essa infecção, você pode muito bem ir fazendo exames seriados. Está para lançar um teste que fica pronto em 15 minutos e vai ser bem barato. E você vai fazendo esses exames de tempos em tempos, uma vez por semana, uma vez a cada 3 dias, para saber se você contraiu. Nesse momento que você contraiu você é afastado das suas atividades, você se afasta das pessoas idosas na sua casa, e você pode, depois de 14 dias, retornar ao trabalho. E sempre lavar muito bem as mãos e não tossir as mãos para evitar que a secreção das mãos passe para objetivos onde um idoso tenha contato”, orienta.


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