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Deputados federais comentam vídeo de reunião ministerial

Publicado por Victor Simião/CBN Maringá, 11:52 - 23 de maio de 2020

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Foto: Marcello Casal/Agência Brasil

Nesta sexta-feira, 22, o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo parcial do vídeo da reunião ministerial realizada no dia 22 de abril. O ministro é relator do inquérito sobre a suposta interferência política do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal (PF). A reunião foi citada pelo ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro durante depoimento prestado à PF, no início do mês, como suposta prova da interferência.


A reportagem ouviu deputados federais a respeito do conteúdo do vídeo. Confira o que cada um disse:


Ricardo Barros


O deputado Ricardo Barros afirmou que o vídeo da reunião fortaleceu Bolsonaro. Parlamentar do PP e vice-líder do Governo Federal na Câmara, o político criticou a decisão do ministro do STF Celso de Mello em divulgar a gravação. 



“Acho lamentável que o ministro Celso de Mello tenha publicado trechos que não têm nada a ver com a investigação. Ele deveria ter publicado apenas os trechos em que o presidente cita a Polícia Federal ou o Moro, fora disso, não há interesse processual. Isso é ativismo político do judiciário. Lamentável porque expõe uma série de assuntos e posicionamentos que não tinha nenhum sentido. As pessoas quando estão em uma reunião fechada se comportam diferente das pessoas quando estão em uma reunião televisionada. Então, acho que isso foi um ativismo político do ministro Celso de Mello, no sentido de tentar prejudicar o Bolsonaro, o que teve um efeito contrário. Não há nada de errado na fita, ele fala claramente ‘nossa segurança’, se referindo a dele e dos filhos, que eles têm direito, pelo protocolo de segurança. Não há crime na fita, a tendência é que esse processo seja arquivado”, declarou.



 

Enio Verri


Já o deputado Enio Verri declarou que Bolsonaro não está preocupado com a população. Segundo Verri, o político é desrespeitoso e não pensa na saúde e nas pessoas: ele quer apenas proteger a ele e a família.



"Esse vídeo mostrou que o Bolsonaro é quem ele é, e também os seus ministros. Eu salientaria quatro pontos que valem a pena serem observados. O primeiro é que, de fato, como denunciou Moro, ele estava interferindo na Polícia Federal para a segurança dele, da família e dos amigos. Segundo, a avaliação que o governo dele tem, através do ministro Paulo Guedes, sobre o papel da micro e pequena empresa. Terceiro, a avaliação que tem o ministro do Meio Ambiente, o Salles, sobre aproveitar a crise de saúde da cloroquina para liberar a boiada, para desmatar e acabar com a questão ambiental de uma vez. E quarto, o Weintraub, ministro da Educação, com o desrespeito a que se referiu ao STF. Tirando o vocabulário numa reunião de ministério, que fiquei surpreso, apenas reforça que Bolsonaro não respeita a questão ambiental, não respeita a micro e pequena empresa que são as que geram emprego de fato no país, não está preocupado em respeitar a constituição, e principalmente, ele usa estado brasileiro para o seu interesse. Nós temos um presidente da República que, em momento algum, está preocupado com a vida dos brasileiros, tanto que no que se refere ao enfrentamento à pandemia, não foi tocado em momento algum", afirmou Verri.



 

Rubens Bueno


Para o deputado Rubens Bueno, o comportamento de Jair Bolsonaro e afirmações de ministros são da maior gravidade. 



“Um presidente da República se comportar como que se comportou naquela reunião mostra que o país está nas mãos de um desequilibrado. Não podemos, de forma alguma, passar a mão na cabeça de algo tão grave como esse acontecimento. Ali teve ministro do Meio Ambiente falando que é para destruir floresta, teve ministro falando que tem que mandar prender governadores e prefeitos, teve ministro falando para colocar na cadeira ministro Supremo Tribunal Federal, e isso é da maior gravidade. Quando o presidente da República não responde a altura aquele que atentam contra a democracia, e é esse o maior legado que nós temos que construir e sempre cada vez mais aprimorar. Esse é o papel dos democráticas desse país. E não uma reunião onde você viu que as pessoas que ali participaram, participaram para buscar blindar paredes, amigos, cometer crimes de interferência em instituições de estado. Nós vivemos uma crise da maior gravidade, com relação à pandemia, não se icu, a não ser um rápido comentário do ministro da Saúde, que já também saiu do cargo, nenhum comentario do presiden em defesa de uma atuação mais forte em favor daqueles que estão lá na ponta, sofrendo, não só os profissionais de saúde, mas aqueles que estão perdendo a vida, e aqueles que estão internados e já a caminho de não ter nem sequer local para serem internados”, afirmou Bueno.



 

Luiz Nishimori


Para o deputado federal Luiz Nishimori, parlamentar do PL, a gravação não apresenta nenhuma prova. Em relação às afirmações dos ministros, ele disse que cada um deles tem convicções. Não é o momento de inflamar, afirma.



"Eu assisti uma parte do vídeo através da mídia, como todos, que acredito que não compromete em nada em relação à questão da Polícia Federal. Eu posso dizer que, em relação ao vídeo, não houve nenhum prova de que o presidente Bolsonaro tenha cometido crime ou algo assim. E eu acho que não é o momento de inflamar, de desviar a atenção dessa maneira. Acho que é o momento de somar todos, seja Executivo, Legislativo ou mesmo Judiciário. Temo que discutir os assuntos de interesse na luta contra o Covid-19, já perdemos muitas vidas. Após vencermos essa pandemia, ainda, temos que nos preocupar com a nossa economia, com empregos", afirmou.



Sobre as falas dos ministros durante a reunião, Nishimori disse: "cada ministro tem suas convicções do que acreditam, e eu acredito que foi uma reunião interna entre eles, cada um fala. Lógico que alguns falam um pouco mais ou menos, mas quero repitir: não é o momento de inflamar e mudar a questão da atenção”.


 A reportagem não conseguiu contato com o deputado federal sargento Fahur (PSD).Publicamente, o parlamentar apoia o presidente da República.



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