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COLUNISTAS

Governo do Imediato

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Publicado por Gilson Aguiar, 08:23 - 17 de Julho de 2019

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Vivemos do improviso

Fácil entender a lógica de administrar problemas por parte do poder público. É um reflexo de nossa própria condição como pessoas, no nosso dia a dia. Poucos planejam sua vida em médio e longo prazo. Logo, qualquer ato que tomamos vira um remendo de uma vida que vai se desenhando sem sentido. Um tapa buracos que nunca concerta o pavimento por onde transitamos.


Navegamos um dia atrás do outro. Não pensamos que ao longo dos dias estamos construindo uma vida inteira que terá consequências. O futuro chega e o que estamos fazendo hoje se torna passado. Vamos colher o que plantamos ou não. Mas sempre estamos cultivando o desinteresse, o desprezo pelo que vem depois. Cultuamos o agora e vivemos do imediatismo como sentido. Logo, para que vive ao sabor da sorte paga-se o preço.


Uma das demonstrações do imediatismo na administração pública é o “descobrir um santo para cobrir o outro”. Esta lógica de tirar profissionais de um determinado departamento e colocar em outro. Um constante remanejamento sem lógica. Uma hora, o profissional faz falta no seu lugar de origem ou não consegue cumprir a demanda para onde foi enviado. Porém, tudo indica, que a “solução improvisada” só deve durar o tempo para que a gestão dure e o cidadão não reclame. O problema continua, não se resolve.


Esta forma de administrar lembra as pessoas que estão com febre e ou dor de cabeça e tomam um analgésico. Elas vão amortecer, aliviar a dor, mas não vão resolver o problema. Uma sensação de alívio imediato que esconde um aprofundamento do problema nos porões do organismo. Quem conhece a máquina pública sabe que ela está doente. Quando vamos resolver isso?


A manutenção do imediatismo e do provisório nas ações da administração pública permite que os problemas insolúveis se tornem retórica nas campanhas eleitorais. Manter a população em uma necessidade constante para que busquem um “milagreiro” que venha a resolver o definitivo, mas sempre agindo de forma provisória. Nós eleitores também temos nosso culpa dentro desta lógica.


Poderíamos entender que saídas imediatas não resolvem nosso problema. Vivemos de uma sensação tola de que o serviço prestado de forma precária é o necessário, o ideal. Não é. Há que se fazer uma política pública de longo prazo que venha com uma solução definitiva. Planejar para que não retorne as rupturas criadas pelas rachaduras dentro da administração que age com as soluções aparentes.


Assim como em nossa vida, é necessário um planejamento. Buscar de forma organizada um lugar onde queremos chegar. Estabelecer as etapas que estão entre o ponto de partida, onde estamos, e o ideal que desejamos atingir. Se começarmos a ter este hábito, por consequência a vida pública muda diante de nossa mudança. Não vamos mais admitir o imediatismo se fizermos de nossa vida um exemplo de sentido racional e lógica visando um objetivo a se buscar ao longo do tempo.

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