Futebol

Para esquecer

Com eliminação na Série D, Maringá FC repete pior ano de sua história

Publicado por Chrystian Iglecias, 15:07 - 11 de Junho de 2019

Campanhas irregulares, rebaixamento no estadual, eliminação na primeira fase da Série D do Brasileiro... o roteiro parece peculiar, não? Pois é. Em 2019, o Maringá FC repetiu 2016 e teve uma temporada para esquecer.


A derrota para o Avenida, no último domingo (9), decretou o fim do ano do clube ainda no mês de junho. Com pouquíssimos jogadores que ainda possuem contrato para o ano que vem e a pouca visibilidade devido a um calendário escasso, a diretoria certamente terá problemas para montar um elenco forte para a próxima temporada.


O péssimo desempenho em relação a resultados neste ano, certamente, é um gancho de direita no queixo da "nova gestão", que assumiu o clube em julho de 2016. Resta saber se será apenas um acidente de percurso, ou se realmente comprometerá consideravelmente a evolução do clube dentro das quatro linhas.


Início do ano: nova marca e identidade visual


Ainda em janeiro, o Maringá FC começava a investir em ações extracampo para aumentar a identificação do clube com a cidade. Em parceria com a empresa maringaense Brandigno, o clube apresentou, no dia 10, um novo escudo, mais moderno e com referência à Catedral, e uma marca totalmente repaginada, além dos uniformes para a temporada. O slogan chamou a atenção: “Mais que um time, uma cidade”.


Para o início do Paranaense, o clube investiu em uma fanfest ao lado do Estádio Regional Willie Davids, com direito a praça de alimentação, loja oficial, espaço kids e feira de adoção de animais. O trabalho extracampo realizado pelos “cartolas” foi redondo demais para o futebol quadrado que a equipe demonstraria nos meses seguintes.

Contraste nas duas taças do Paranaense


A campanha do Maringá FC na Taça Barcímio Sicupira, primeiro turno do estadual, não indicava que o ano seria tão ruim. A equipe, apesar da campanha irregular (duas vitórias, três empates e uma derrota em seis jogos) e um futebol mediano, chegou perto de se classificar para a semifinal. Com 9 pontos conquistados, o Maringá FC perdeu a vaga para o Operário no saldo de gols.


Entre o fim da Taça Barcímio e o início da Taça Dirceu Krüger, foram 30 dias de treinos e amistosos. Os dois jogos-treinos diante do Cianorte (derrotas por 3 a 1 e 2 a 0), na visão da maioria, não serviam como parâmetro para uma projeção eficaz com relação ao futebol que o time apresentaria no segundo turno do Paranaense.


Para a tristeza dos torcedores, as derrotas nos jogos-treinos para uma equipe que não estava entre os melhores do campeonato já avisavam o que viria pela frente. O início do pesadelo foi logo na primeira rodada, em Foz do Iguaçu. O time da casa foi o saco de pancadas do primeiro turno, e o Maringá era favorito para o duelo. Amarga ilusão: com direito a polêmica de arbitragem, o Tricolor foi derrotado por 1 a 0 e, à exemplo da primeira taça, iniciou o turno sem vitória e com pressão para os jogos seguintes, que por si só já traziam uma dificuldade a mais. Os próximos adversários eram nada mais nada menos do que Athletico-PR, Londrina e Operário.


A sequência pesava na mente no torcedor maringaense, mas a ficha só caiu para o risco de rebaixamento após a goleada de 4 a 0 sofrida para o Furacão, na segunda rodada. Àquela altura, o Maringá FC já ocupava a 10ª posição na classificação geral, e o Rio Branco, primeiro time da zona de rebaixamento, se aproximava. O resultado selou a primeira troca de técnico: sai Antônio Picoli, entra Sandro Forner.


O ex-auxiliar de André Jardine no São Paulo chegou com a dura missão de fazer em três jogos o que Picoli não conseguiu em meses. E pior: só comandou um treino antes do clássico diante do Londrina. Não deu outra: derrota por 2 a 1. No dia seguinte, o Maringá FC entrava pela primeira vez na zona da degola, há apenas dois jogos do final do campeonato.


Não havia mais margem de erro. Apesar de Sandro Forner bater na tecla de que, para vencer, o time precisava de performance, todos sabiam que não havia tempo hábil para implantar uma mudança significativa no rendimento da equipe, e que nas últimas duas rodadas, o “Bumba-meu-boi” falaria mais alto.


Não deu certo. A derrota para o Operário e o valioso empate conquistado pelo Rio Branco diante do Coxa deixaram o Maringá FC sem reação. Nem mesmo a vitória por 3 a 0 sobre o Toledo, na última rodada, foi o suficiente para livrar o clube do “fantasma de 2016”. Três anos depois, o Tricolor terá que voltar a disputar a Divisão de Acesso.

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Foto: Fernando Teramatsu

Série D: eliminação na primeira fase com campanha idêntica à de 2016


Após o rebaixamento no estadual, a diretoria entendeu que houve uma melhora no futebol apresentado pela equipe sob o comando de Forner e decidiu manter o técnico na função. Além disso, chegaram oito reforços, incluindo Willian Simões, melhor lateral-esquerdo do Paranaense, e o atacante Romarinho, filho do tetracampeão Romário.


A permanência de Forner no comando durou apenas três rodadas. Com somente dois pontos e em situação complicada no grupo, a diretoria recorria, mais uma vez, a uma troca de treinador. Desta vez, quem assumiu foi Jorge Martinez, o auxiliar de Forner.


O uruguaio até conseguiu dar um ânimo especial à equipe. As duas vitórias consecutivas, sobre a Ferroviária e o Joinville, deixaram a equipe dependendo apenas de si mesma para se classificar para o mata-mata.


Na semana do jogo decisivo diante do Avenida, no RS, explodiu a notícia de que o Maringá teria perdido o lateral Willian Simões, que assinou com o Náutico. O jogador era peça-chave no esquema de Martinez, e a notícia abalou a torcida maringaense.


Em Santa Cruz do Sul, apenas a vitória garantia a classificação sem depender de outros resultados. No entanto, a equipe não conseguiu manter o rendimento das duas partidas anteriores e foi derrotada por 1 a 0, dando adeus à quarta divisão nacional ainda na fase de grupos.


A campanha do Maringá FC foi de duas vitórias, dois empates e duas derrotas em seis partidas, o que contabiliza oito pontos. Em 2016, adivinha? Duas vitórias, dois empates, duas derrotas e oito pontos...

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Os três técnicos do MFC em 2019. Foto: Montagem/Vitor Marques

E agora?


Com a temporada chegando ao fim em junho, a equipe possui apenas cinco jogadores com contrato para o ano que vem: Junior Prego, Tiago Orobó, Welton Paraguá, Everton e o emprestado João Pedro, que está na Suécia e tem contrato até 2022. Os atletas Jean Roberto e Matheus Rodrigues - o segundo foi destaque na Série D – retornam aos seus clubes (Chapecoense e Portuguesa, respectivamente).


O técnico Jorge Martinez irá finalizar seus estudos como treinador classe Pró FIFA, no Uruguai, e o preparador físico Norton Cassol tem propostas de equipes estrangeiras.


Todo o restante do elenco será negociado individualmente, segundo a assessoria de imprensa do Maringá FC. Ainda de acordo com a assessoria, o Clube segue normalmente suas atividades diárias administrativas, comerciais e esportivas com as categorias de base sub-15, 17 e 19.


Uma nota oficial deverá ser publicada no site oficial do clube entre quinta (13) e sexta-feira (14).

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Promessa é de público baixo em 2020. Foto: Rodrigo Araújo

Opinião do torcedor


Os jovens maringaenses Giovanni Meireles e Eduardo Lanza, 21, que acompanham o Maringá FC desde sua fundação, ainda como Metropolitano Maringá, aceitaram dar entrevista ao portal GMC Online. Segundo Meireles, o rebaixamento no estadual deste ano foi pior do que o de 2016.


“Sem dúvidas, 2019 entra pra história como o pior ano do Maringá FC. Com toda a certeza, essa queda no estadual foi pior do que 2016, em questão de elenco e futebol jogado. Não sei por qual motivo. Talvez falta de profissionalismo na hora das contratações, a questão das mudanças de treinador... enfim, muito se deve também à ‘cabeça dura’ destes técnicos, que viam que a coisa não estava andando, jogador não estava se doando ao máximo, mas preferiam continuar insistindo na sua forma de jogo do que fazer o feijão com arroz: tá errado, muda”, disse, contundente.


Já Lanza discorda de Meireles com relação às contratações, mas concorda com o fato de que as trocas de técnico dificultaram o entrosamento da equipe e o entendimento com relação às formas de jogo.


“Era um bom elenco, com jogadores que já foram vitoriosos no Maringá FC, como o caso do Marcelo Xavier e do Alex Fraga. Mas foi um elenco que não deu ‘liga’ dentro de campo. Creio que o principal fator que colaborou para que o ano fosse ruim foram as trocas de treinador”, afirmou.

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