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Porão Bar

Rubia Divino recebe apoio de artistas locais para financiamento de EP

Publicado por Redação GMC, 14:00 - 08 de Fevereiro de 2019

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Foto: Fernanda Vanin

A cantora carioca, radicada em Maringá, Rubia Divino conseguiu unir forças de artistas maringaenses para organizar uma festa em prol da produção do EP “Transborda”, primeiro trabalho autoral da artista. No próximo domingo (10), ela sobe ao palco do Porão Bar ao lado de Pé de Laranjeira, Sollado, Brazukeria Samba Soul, Baque Mulher, DJ Chá de Lirian, DJ Babu, DJ Gaê Sango e quem mais quiser unir forças a Rubia.


A festa começa a partir das 17h e tem preço único de R$ 15, pago na entrada. Todos que entrarem receberão download gratuito do EP, após fim do financiamento e produção do trabalho. O estabelecimento abriu as portas e todas as bandas abdicaram do cachê não só em prol de “Transborda”, mas de toda uma cena musical e cultural, que, notoriamente, anda e sempre andou deficiente na cidade.


“Eu joguei a ideia da festa nas redes sociais e essas pessoas foram aparecendo para fortalecer. Elas foram abrindo mão do cachê, porque falaram que queriam ver isso ser realizando. É uma galera que já vem numa caminhada de militância e música junto comigo. Fiquei muito feliz com a abertura deles para isso'', relata Rubia.

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Sollado. Foto: Divulgação

A ideia da festa surgiu para alavancar o financiamento coletivo aberto há mais de dois meses para arcar com os custos de produção, gravação e distribuição do EP “Transborda”. Com menos de duas semanas para terminar a campanha no site Catarse, apenas dois mil e 500 reais foram arrecadados, dos 16 mil previstos. São menos de 50 colaboradores.


“O financiamento é uma contra partida, é uma troca, quem dá apoio ganha as recompensas. É uma forma de fazer com que o coletivo funcione, fazer com que as pessoas que se identificam com o meu trabalho se movimentem também, não sendo apenas um movimento meu”, explica, a artista, o motivo de ter optado pela campanha. As contribuições podem ser feitas até o dia 17.


Vocalista da Sollado, Valter Rosini sabe das dificuldades financeiras de se gravar um disco. Por também reconhecer todas as gratificações de superar esses obstáculos, ele uniu os integrantes da banda para participar. “Me senti na obrigação de ajudar, então nos alinhamos para reunir a Sollado e jogar um tempero a mais nesse evento, afinal a causa é nobre. Rúbia tem o que mostrar, expressar e precisa ter esse trampo, e ele vai sair”, incentiva o músico.

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Valter Rosini, vocalista da Sollado. Foto: Divulgação

Transborda


Com sete músicas – seis próprias e uma de Rhuan Rodrigues –, Rubia escreve nesse trabalho sua identidade como mulher negra e artista, que não faz música só para entretenimento, mas sim para falar do meio social em que vivemos, para transbordar as próprias inquietações e questionamentos para o público. Uma das músicas que irá compor o EP é “Amenidades”, que foi lançada em dezembro do ano passado.


“Eu escrevo sobre a minha vivência como mulher negra e periférica. Falo sobre família, o legado da diáspora negra brasileira e tudo o que permeia o social. Tenho essa pegada de falar sobre o que está à margem. Negro está à margem, LGBT está à margem, as opressões estão à margem. Então, é necessário falar sobre isso, ainda mais na conjectura política que a gente se encontra”, desabafa.


O peso das letras contrasta harmonicamente com a suave e potente voz de Rubia, que ainda se preocupa com a leveza dos arranjos e a forma com que as músicas são colocadas para as pessoas.


Apesar de ter perdido o pai, Plácido, com apenas 9 anos de idade, é dele que vem a base e principais referências musicais. Pastor evangélico e músico, ele carregou para dentro de casa a música brasileira, o hip hop, a música norte-americana, muitos sambas e música negra em geral. A partir daí, Rubia trilhou o próprio caminho, tendo como principais pilares Stevie Wonder, Nina Simone, Conceição Evaristo (escritora brasileira), Milton Nascimento e outras referências, que permeiam tudo em que ela se coloca como mulher negra e artista.

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