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TUTU lança 'Efeito', o primeiro disco da carreira

Publicado por Redação GMC, 15:52 - 06 de Maio de 2019

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Foto: Divulgação

O rapper maringaense Arthur Castilho, de 27 anos, encontra no personagem TUTU a liberdade de criação e, produzindo, afirma sua identidade “pé vermelha”, do interior do Paraná, lembrando sempre das raízes dos ancestrais nordestinos. São essas raízes que dão ao músico a capacidade de enxergar diferentes percepções e significados sobre a vida, que ele imprime no trabalho de estreia, "Efeito", lançado no último sábado (4).


“Eu acredito que cada artista deixa o que foi naquele momento. No show, o artista canta o que já foi. Por isso, eu acredito que TUTU é só um personagem, ao mesmo tempo que é a minha verdade, mas a verdade do que já fui”, explica o rapper.


Em 20 minutos, o disco engloba diversos assuntos contemporâneos, divididos em sete faixas. De forma poética e sem medo de brincar com os sons e significados das palavras, TUTU mostra como a ancestralidade, a política, a natureza e o urbano são, ao mesmo tempo, elementos que nos formam como ser humano.


“Os jogos com sons e significados das palavras vem do exercício de enxergar a mesma coisa com outros olhos. O disco é muito uma questão de percepção e ressignificação do momento, no mesmo tempo e espaço. De como os assuntos podem ser absorvidos de diferentes formas. Quando não vemos outro caminho, ou precisamos ser mais que aquele momento físico, precisamos nos focar no intangível, na energia, comunhão”, explica.


A partir das referências musicais, é incontestável dizer que Efeito é um álbum de música popular brasileira feito por um rapper. Inspirando-se, principalmente, em Nação Zumbi, Criolo e BaianaSystem, as sete faixas passeiam pelo brega, forró, bossa nova e músicas afro-brasileiras. O rap, porém, sempre apontando o norte. Em “Abelha”, inclusive, TUTU aproveita para homenagear o gênero e todo movimento hip hop, convidando os integrantes Lubs e Greg, da Manada Crew, para rimar.


“Essa música foi o meu convite a quem me inseriu no rap, me mostrou o que você faz com o movimento hip hop para que ele seja o movimento hip hop, com o respeito a cada elemento. Foi um movimento que eu acompanhei e que eu acredito que tem que ter registrado na minha história musical. Abelhas são as maiores polinizadoras do mundo e eu acredito que isso precisa ser polinizado, o rap”, pontua.


Nas raízes nordestinas e no êxodo dos familiares para o Sul, para construir uma nova vida, que TUTU encontra uma relação entre a cidade e o sertão, utilizando a contradição como elemento para observar a atualidade, questionando o que é estabelecido como progresso. O interior, Maringá, ou o sertão é onde está o futuro. “Ser Tão Urbano”: “Ser tão ainda é quente/indo pra frente, mira a direção”.


E também em Maringá, mais especificamente no bairro onde cresceu, Vila Operária, o músico enxerga a exclusão e higienização das cidades. Não à toa, atualmente, grandes imobiliárias chamam o mesmo local de Zona 3, sem fazer referência aos operários.


“A Vila Operária é um bom exemplo do que está acontecendo pelo Brasil todo, com a elitização e especulação imobiliária, a gentrificação. É um bom exemplo disso aqui em Maringá”, relata. Nesse mesmo contexto, critica a precarização da relação de trabalho e a mesma concentração de renda mantendo “os filhos das operárias indo para o mesmo caminho” (trecho da faixa Jabuticaba).


Efeito conta ainda com a os músicos Rafael Morais (guitarra) e João Guilherme Furlan (percussão), e participação de Patricia Borges, em “Água” e “Jabuticaba”.


O novo olhar de TUTU para o mundo tem origem sempre no amor e no respeito, seja na convivência com o filho, avós e demais familiares, seja em nove anos de trabalho como bombeiro, ofício que o faz valorizar ainda mais cada indivíduo. Respeito e amor podem explicar, de forma geral, o disco.


“A gente tem que ter uma causa para ter noção do nosso efeito. Hoje é difícil a gente enxergar o que faz, para ver o que vai ser causado, ver qual será o efeito dessa ação. Então, a gente deve assumir isso, devemos agradecer, se aceitar. Devemos pedir desculpa ao que já aconteceu e amar o que a gente já é, dentro de todas as dificuldades. Amar, esse é o movimento que tem que ter. Ter o amor próprio, primeiramente, para poder amar todas as pessoas ao redor, amar todas as outras oportunidades”, define o rapper.


O respeito se mostra também na atitude de ouvinte, como canta em “Ser Tão Urbano”: “O futuro é feminino, ela me disse”. No meio de tantas dificuldades e problemas, TUTU acredita, como homem branco, que é preciso ouvir muito mais o feminino.


As referências à natureza vão além das letras e dos títulos das músicas, estão também na vivência do rapper com a agrofloresta e permacultura. Ou nas citações ao tempo lunar, que, segundo o autor, é uma referência natural muito mais fiel em relação ao tempo e espaço, comparado ao solar. TUTU canta: “Sob o sol, sobre a lua”, em “O Sol na Cabeça”, e “a lua que guia e o sol que faz ser”, em “Ser Tão Urbano”.


Na capa do disco, produzida por Carol Dantas, o cavalo ilustrado pela avó do músico, Odila Galdino, é peça simbólica e importante. Não só pela ligação familiar, mas também por carregar a analogia entre o cavalo e os sentimentos: “Os pensamentos são cavalos. A rédea está na mão do eu superior, que está guiando os pensamentos. A meditação vem para cessar ou tranquilizar os movimentos dos cavalos”, explica TUTU.


Menos de meia hora de música dançante e pensante, para que cada ouvinte possa perceber e ressignificar a própria existência. Pois, como disse Fernando Pessoa: “Tudo quanto vive, vive porque muda; muda porque passa.” Com a vida em constante transformação, TUTU nos auxilia a enxergar um novo sentido em cada elemento que nos forma como ser humano.


Efeito foi produzido com verba de incentivo à Cultura, Lei Municipal nº 9160/2012 - Prêmio Aniceto Matti.


EFEITO


1. Efeito
2. O Sol na Cabeça
3. Ser Tão Urbano
4. Pássaro
5. Água
6. Abelha
7. Jabuticaba


Ficha Técnica
TUTU – voz
João Guilherme Furlan – percussão
Rafael Morais – guitarra
Lubs e Gregory (Manada Crew) – voz na faixa Abelha
Patricia Borges – voz nas faixas Água e Jabuticaba
Canções compostas por Arthur Castilho


Artes visuais e design: Luiza Krauze e Carol Dantas
Capa: Carol Dantas
Fotos: Max Miranda (Fenda Produções)
Direção: Arthur Castilho e Diogo Correa.
Produção executiva: Diogo Correa
Gravação, mixagem, masterização e produção musical: Gabriel Moraes
Estúdio: Mojo


 


 

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