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COLUNISTAS

BERLIM 2020: IRÃ VENCE O COBIÇADO URSO DE OURO

Publicado por Elton Telles, 17:48 - 02 de March de 2020

O júri presidido pelo ator britânico Jeremy Irons e que contava com a presença do brasileiro Kleber Mendonça Filho coroou o drama iraniano “There is No Evil” com o Urso de Ouro na 70ª edição do Festival de Berlim. A cerimônia de entrega de prêmios foi antecedida por 2 semanas intensas de maratona para apresentar os 18 filmes da mostra competitiva, além de outras produções que integravam mostras paralelas e exibições especiais.


O grande vencedor“There is No Evil” conta quatro histórias conectadas que abordam a pena de morte, um assunto considerado tabu no Irã. Além disso, o roteiro do filme repercute a vida de seus personagens sob regimes opressores. O trailer pode ser conferido aqui com legendas em inglês. Mohammad Rasoulof, também diretor do excelente “A Man of Integrity” (2017 – vencedor do prêmio Un Certain Regard no Festival de Cannes), não esteve presente na cerimônia para receber o Urso de Ouro porque está proibido de deixar o Irã, confinado pelo governo por “propaganda anti-regime”. Rasoulof também é censurado para filmar e produzir obras audiovisuais, tanto que “There is No Evil” foi realizado às escondidas.


Essa mesma condenação absurda receberam outros cineastas iranianos, como Jafar Panahi, que, coincidentemente, venceu o Urso de Ouro há 5 anos pelo semi-documental “Táxi Teerã” (2015). Com a ausência dos realizadores nas ocasiões, eles foram representados por suas filhas. A de Rasoulof, Baran Rasoulof, também é atriz e atua no filme dirigido pelo pai.

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A atriz Baran Rasoulof representa o pai ausente e recebe o Urso de Ouro pelo filme “There is No Evil” no Festival de Berlim 2020 (Foto: Sandra Weller/Berlinale)

Todos os demais prêmios, além do Urso de Ouro, são denominados inicialmente como Urso de Prata. O Grande Prêmio do Júri, espécie de segundo lugar, ficou com “Never Rarely Sometimes Always”, drama norte-americano sobre uma garota com gravidez indesejada que viaja da zona rural onde vive até Nova York para realizar um aborto. Também premiado em Sundance, este é o terceiro longa-metragem dirigido por Eliza Hittman, que ganhou notoriedade pelo indie “Ratos de Praia” (2017). Já o Prêmio Especial do Júri, em comemoração aos 70 anos da Berlinale e atribuído ao filme com novas perspectivas, foi para a comédia francesa “Delete History”.


O melhor trabalho de direção na opinião do júri foi o do sul-coreano Hong Sang-soo pelo filme “The Woman Who Ran”, protagonizado pela sua parceira habitual, a ótima Min-hee Kim. O Urso de Prata de Melhor Ator foi para o italiano Elio Germano, que defendia dois filmes em competição neste ano, mas os jurados se sensibilizaram mais com o seu retrato do pintor modernista Antonio Ligabue na cinebiografia “Hidden Away”. Já pelo romance fantasioso “Undine”, o prêmio de Melhor Atriz foi para Paula Beer em sua segunda – e espero que longínqua – parceria com um dos melhores diretores contemporâneos na minha opinião, o alemão Christian Petzold.

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Os atores Elio Germano, Baran Rasoulof (Urso de Ouro) e Paula Beer ostentam seus prêmios no Festival de Berlim 2020 (Foto: Reuters)

Igualmente protagonizado por Elio Germano, o drama ambientado nos subúrbios de Roma, “Favolacce”, garantiu aos irmãos Fabio e Damiano D’Innocenzo o prêmio de Melhor Roteiro. Este é somente o segundo filme da dupla. Pra finalizar, o Urso de Ouro para Contribuição Artística, que destaca atributos técnicos dos filmes na mostra principal, foi para a direção de fotografia assinada por Jürgen Jürges no polêmico “DAU. Natasha”, da Rússia.


O representante brasileiro na competição, “Todos os Mortos”, de Marco Dutra e Caetano Gotardo, não foi premiado, mas a produtora do filme Sara Silveira fez um discurso poderoso e necessário sobre resistência durante a coletiva de imprensa. Mas se engana quem pensa que o Brasil foi embora de Berlim de mãos abanando. “Meu Nome é Bagdá”, da diretora Caru Alves de Souza, ganhou por unanimidade o Prêmio do Júri na Mostra Generation. Baseado no livro “Bagdá, O Skatista”, a história retrata o dia a dia de uma garota moradora da favela em São Paulo. Ainda não há data de estreia de “Meu Nome é Bagdá” nos cinemas brasileiros.

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A produtora Sara Silveira, de “Todos os Mortos”, grita por “RESISTÊNCIA” no cinema brasileiro durante coletiva de imprensa em Berlim (Foto: Alex Janetzko/Berlinale)

Abaixo, confira os vencedores do 70º Festival de Berlim.


Urso de Ouro
“There is No Evil”, de Mohammad Rasoulof (Irã)


Urso de Prata – Grande Prêmio do Júri
“Never Rarely Sometimes Always”, de Eliza Hittman (EUA)


Urso de Prata – Prêmio Especial do Júri (70ª Berlinale)
“Delete History”, de Benoît Delépine, Gustave Kervern (França)


Urso de Prata – Direção
Hong Sang-soo, por “The Woman Who Ran” (Coreia do Sul)


Urso de Prata - Ator
Elio Germano, por “Hidden Away” (Itália)


Urso de Prata – Atriz
Paula Beer, por “Undine” (Alemanha)


Urso de Prata - Roteiro
Fabio D’Innocenzo, Damiano D’Innocenzo, por “Favolacce” (Itália)


Urso de Prata – Contribuição Artística
Jürgen Jürges, pela direção de fotografia de “DAU. Natasha” (Rússia)


 

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