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COLUNISTAS

O medo de morrer tira a vontade de viver

Publicado por Tiago Valenciano, 10:15 - 28 de abril de 2020

Bloco de Imagem

Estamos acompanhando, atônitos, a situação mundial envolvendo o Coronavírus (COVID19). Evitei, nos últimos dias, a emitir opiniões sobre a desordem social que atravessamos: saúde não preparada para lidar com o desconhecido, economia de mãos atadas, psicológico social abalado, pessoas tensas e as incertezas que envolvem o futuro de praticamente todos os setores.


A mídia, em geral, prestou um serviço de péssima qualidade ao informar a ampliação dos casos em boletins epidemiológicos alarmantes, mas que nem sempre refletiam a realidade do momento. Do acúmulo dos casos, incluíam-se os curados, não sabendo de fato se a rede de saúde entraria ou não em colapso – o famoso achatamento da curva. Claro que medidas como estas, adotada pela mídia, fazem parte do terrorismo social imposto, no sentido de forçar o isolamento ou distanciamento social, a proposta mais eficaz de dispersão da doença.


Concomitantemente, houve a necessidade da retomada das atividades laborais, vez que a economia é o fiel da balança para termos o alimento cotidiano. O dilema estava criado: de um lado os defensores da vida e, do outro, os da economia. Argumentos rasos de que “morto não consegue trabalhar” ou, ainda, de que “defunto não paga boleto” começaram a surgir, todos defendendo veementemente a vida – um discurso bem diferente do “bandido bom, bandido morto” utilizado tão recentemente. Parece que todos passaram a ter bom coração.


De todas as hipóteses e publicações científicas do COVID-19 até o momento, a melhor conclusão obtida é que a taxa de letalidade da doença, quando não controlada, pode ser alta – e ainda, na maioria dos estados brasileiros, mata menos que outros casos, como a dengue, assassinatos e acidentes de trânsito. Entendemos, portanto, que o medo de morrer tem tirado a vontade de viver.


O pânico social criado fez com que passássemos a acreditar que o Coronavírus é uma sentença de morte. É quase que como a AIDS no início da década de 1990. A pandemia irá passar e, infelizmente, muitos serão contaminados com o vírus em diferentes escalas (o Prefeito de Limeira tem razão). Mas há esperança e há cura. A nossa parte foi feita: municípios estão se preparando para tratar centenas de pacientes e alguns hospitais temporários foram construídos. Mas, o medo de morrer ainda persiste.


Somente o tempo irá curar esta histeria da morte. Infelizmente, talvez o maior medo do ser humano é àquele que ele tem absoluta certeza desde o dia em que nasceu: a morte. Passamos evitando a morte, distanciando-se dela e com medo do desconhecido. Tem gente que nem entrar em cemitério entra. Mas a certeza da vida (no ditado popular) possivelmente fará com que possamos dar um novo sentido às coisas simples e boas da vida. Mais uma vez espero que o medo de morrer, a única certeza que temos, não tire a vontade de viver. Que o eterno não seja substituído pelo durante.


Ps: o título do post foi inspirado na clássica frase de Vanderlei Luxemburgo: “O medo de perder tira a vontade de ganhar”. Valeu professor!

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