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Clientes abandonam apps de delivery para salvar negócios locais

Publicado por Estadão, com informações de Bloomberg, 08:28 - 20 de maio de 2020

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Foto: Ilustrativa/Unsplash

Nos Estados Unidos, na cidade de São Francisco, moradores tentam lidar com uma pandemia que acentua um relacionamento já complicado com a indústria da tecnologia. Para ajudar os pequenos negócios locais, muitos dos quais estão à beira do abismo, alguns consumidores estão se esforçando para telefonar para os restaurantes diretamente em vez de recorrer aos aplicativos de entregas, que cobram tarifas.


Esses aplicativos se mostraram muito úteis para um grande número de restaurantes que, de uma hora para a outra, não podem mais operar seus salões, alternando para o modelo das entregas, e também para os funcionários demitidos desesperados para encontrar trabalho. Para as empresas, os aplicativos facilitam o acesso a um público amplo do varejo online mesmo durante a pandemia, colocando instantaneamente à disposição do cliente um equipe de entregadores. Mas essa conveniência tem um custo.


Fregueses e donos de restaurantes de todo o país se tornaram mais conscientes disso durante a crise. Giuseppe Badalamenti, dono da Chicago Pizza Boss e consultor do segmento de restaurantes, publicou uma nota fiscal de outro restaurante com o qual ele trabalha mostrando tarifas aparentemente exorbitantes cobradas pelo Grubhub de Chicago.


Uma soma que começava com US$ 1.042,63 em vendas de comida foram reduzidos a US$ 376,54 depois de subtraídas a comissão, as promoções, as tarifas de entrega e processamento do aplicativo Grubhub. A empresa disse que os restaurantes escolhem os serviços que desejam contratar e destacou que esse exemplo não representa o funcionamento típico dessa transação.



"Quando você tira os clientes, resta-nos como único cliente esse aplicativo predatório, terceirizado, nascido do capital de investimento", disse Badalamenti. “Esses 30% do valor total mal pagam o custo do alimento. Ainda precisamos manter as luzes acesas e pagar salários."



A polêmica envolvendo os modelos de negócios da economia dos bicos, que oferecem aos trabalhadores pouca proteção e costuma cobrar tarifas que vão de 15% a 30% para mediar as pontas dessa relação, levaram os consumidores a questionar seus hábitos e motivaram medidas adotadas por governos municipais de todo o país.


As empresas, que tiveram uma alta no movimento de entregas nos dois meses mais recentes, também defenderam suas tarifas. Dizem que a cobrança é necessária para manter os serviços funcionando e remunerar os entregadores, e seu trabalho ajuda os restaurantes conforme os negócios são transferidos para as entregas. Afirmam que ajudam as pequenas empresas a se manter vivas durante a pandemia.



"A redução das comissões que financiam nosso mercado, ainda mais durante esse momento sem precedentes, nos obrigaria a alterar radicalmente nossa forma de fazer negócios, e o resultado seria danoso para aqueles que tentamos ajudar: fregueses, pequenas empresas e entregadores", disse em comunicado a porta-voz do Uber Eats, Meghan Casserly.


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Foto: Ilustrativa/Unsplash

Na Baía de São Francisco, onde as primeiras ordens regionais de quarentena foram anunciadas no dia 17 de março, membros de grupos de bairro no Facebook estão compartilhando dicas de restaurantes locais que precisam de mais movimento e onde fazer compras nos mercados e lojas da região, em vez de recorrer às grandes redes de varejo.


Para ajudar os agricultores da área, esses grupos compram juntos parte da colheita de mirtilos e morangos no atacado, ou compram cestas da agricultura comunitária em vez de ir aos mercados maiores. E, para as empresas que não podem seguir funcionando no momento, eles criam campanhas de solidariedade para os empregados impedidos de trabalhar.


Quando a quarentena entrou em vigor na cidade, Amanda Rubin se viu diante de algum tempo livre e quis ajudar. Criou uma planilha de negócios do seu bairro de São Francisco para mostrar quais seguiam abertos e quais ofereciam entregas, incluindo seus telefones sempre que possível, e então compartilhou o documento com a comunidade para que todos pudessem atualizar a lista. Já são 96 empresas relacionadas, e há sessões para doações e a compra de vale-presentes.


O GMC Online adotou uma proposta parecida, conheça o Maringá Delivery.


Vega Freeman-Brady, dona de um restaurante em San Francisco, diz que consegue manter o emprego da maioria dos funcionários porque não usa serviços de entrega. Na impossibilidade de atender aos fregueses no salão de seus restaurantes 'Vega e Bernal Star' durante a quarentena, ela recebe pedidos pelo telefone e pessoalmente. Ajudantes gerais levam os pedidos e garçons operam os telefones. Ela diz ainda receber cerca de 15 e-mails diários das empresas de entregas convidando-a para suas plataformas, mas não se sente tentada.



"Pagamos 30% a esses serviços de entregas, sendo que nossa margem é de 10%: a conta não faz sentido", disse Vega. “Não queremos aumentar o preço. Prefiro pagar mais aos meus funcionários."



Não se trata apenas de comida. No grupo do Facebook de um bairro da Baía de São Francisco, uma mulher publicou o nome e o número de contato de um taxista experiente, para quem quisesse deixar de lado os aplicativos de carona. Os consumidores estão usando as redes sociais para pedir dicas de lojas de roupas únicas como alternativa às compras rápidas de sempre na internet, ou dos melhores lugares para se comprar flores ou quebra-cabeças. Com tanto tempo livre nas mãos de tanta gente, as livrarias de bairro têm muita demanda a atender.


As informações são do Estadão.



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