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COLUNISTAS

ECONOMIA CIRCULAR: UM CONCEITO DO SÉCULO XX

Publicado por Rogel Martins Barbosa, 07:00 - 09 de Outubro de 2018

Economia circular vejo como um conceito guarda-chuva que foi abraçando diversas teorias e as reunindo sob um único título.
As teorias que seriam reunidas neste século sob o título economia circular começaram a surgir na década de 70 do século passado, junto com a terceira revolução industrial.
Neste artigo vamos falar um pouco sobre alguns marcos teóricos sobre os quais foi construído o conceito de economia circular.
Podemos considerar como primeiro marco teórico o relatório de Walter Stahel e Geneviève Reday-Mulvey de 1976 que recebeu o nome de “O potencial de substituição de mão-de-obra por energia” para a Comissão de Energia das Comunidades Européias.
Neste relatório os autores escreveram como prolongar a vida útil dos edifícios e bens como carros, além de apontarem o desperdício na eliminação de produtos antigos ao invés de consertá-los.
O relatório foi publicado posteriormente como livro em 1982 sob o título “Jobs for tomorrow: the potential for substituting manpower for energy” ou em tradução livre “Empregos para o futuro: o potencial de substituição de mão de obra por energia”.
Neste mesmo ano de 1982 Stahel ganhou o prêmio Mitchell por seu artigo “The Product-Life Factor” ou “O fator de vida do produto”, onde descreveu a economia de ciclo fechado, hoje conhecida como economia circular. O artigo sugeriu que a extensão da vida útil dos bens tem relação com o esgotamento dos recursos naturais.
No final da década de 70, John Lyle, professor de arquitetura paisagista, inspirado no conceito de Bob Rodale de agricultura regenerativa, desafiou seus alunos de pós-graduação a imaginar uma comunidade onde as atividades diárias fossem baseadas no valor de viver dentro dos limites de recursos renováveis disponíveis sem degradação ambiental.
Em 1996, com o amadurecimento de sua idéia, acabou por escrever o livro “Regenerative Design for Sustainable Development” ou em tradução livre “Desenho Regenerativo para o Desenvolvimento Sustentável.
Em 1997 Janine M. Benyus escreveu o livro “Biomimicry: Innovation Inspired by Nature” ou em tradução livre “Biomimética: Inovação Inspirada pela Natureza. ” A ideia central é que podemos aprender com natureza, indo além da mera cópia de suas soluções.
Em 2002 William McDonough, que fora parceiro de Lyle em pesquisas, escreve “Cradle to Cradle: Remaking the Way We Make Things “ ou “ Berço ao berço: refazendo a maneira como fazemos as coisas” onde reitera os conceitos desenvolvidos por Lyle.
Por fim, outro marco teórico pode ser considerado o livro “ The Blue Economy: 10 Years, 100 Innovations, 100 Million Jobs” ou “ A economia azul: 10 anos - 100 inovações - 100 milhões de empregos”, de Gunter Pauli, de 2010. O livro propõe a reforma do modo de pensar o meio ambiente, a agricultura, a indústria manufatureira, os resíduos, buscando atender as demandas locais com soluções locais. Este livro é um relatório solicitado pelo Clube de Roma.
Contudo, a economia circular só ganhou maior visibilidade em 2010, quando Ellen MacArthur a famosa velejadora que em 2005 bateu o recorde de navegação solitária sem escalas à volta do mundo, criou a Fundação Ellen MacArthur, uma instituição que publicou em 2012 o relatório “Towards the circular economy: economic and business rationale for and accelerated transition” ou “Rumo à economia circular: racionalidade econômica e de negócios para uma transição acelerada”, muito inspirado nas obras que acabei de citar.
A Ellen MacArthur Foundation hoje é uma catalisadora do pensamento sobre economia circular.
Mas a economia circular veio para ficar? Vai funcionar em todo mundo? Bom, estas respostas já foram dadas por Stahel e vamos comentar no próximo artigo. Até lá!

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