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COLUNISTAS

O QUE É FEITO COM O RESÍDUO NUCLEAR

Publicado por Rogel Martins Barbosa, 11:00 - 30 de Outubro de 2018

De regra as técnicas de tratamento resumem-se a compactação para reduzir o volume, a filtração ou a troca iônica para remover radionuclídeos ou a precipitação para induzir mudanças na composição do resíduo.


O armazenamento do resíduo nuclear busca seu isolamento e ao mesmo tempo uma forma de permitir seu futuro reaproveitamento. Em usinas nucleares este resíduo basicamente se trata de combustível usado.


Os resíduos nucleares de baixo nível e médio nível LLW e ILW líquidos para serem armazenados são solidificados em cimento, enquanto o de alto nível HLW é calcinado/seco e depois vitrificado numa matriz de vidro borossilicato conhecido por Pyrex, selado em cilindros pesados de aço inoxidável.


O resíduo de alto nível HLW gera calor e por isto, depois de solidificado é depositado em tanques ou piscinas para ser refrigerado. Embora hoje também se armazene fora da água.
Atualmente, há cerca de 250.000 toneladas armazenados de combustível usado em usinas nucleares.


O descarte de resíduos de alto nível HLW só é possível quando a radioatividade atinge níveis relativamente baixos e isto só ocorre após 40 a 50 anos. A maioria dos resíduos de baixo e médio nível LLW e ILW de vida curta são enviados para o descarte em aterros. Seu aterramento se dá no solo ou em cavernas a profundidades de dezenas de metros.


As instalações de descarte que estão atualmente em operação no mundo são 18, sendo 1 no Reino Unido, 1 na Espanha, 2 na França, 1 na Suécia, 2 na Finlândia, 4 na Rússia, 1 na Coréia do Sul, 1 no Japão e 5 nos Estados Unidos.


Existe também o chamado descarte geológico profundo considerado para alguns resíduos de nível intermédio e alto ILW e HLW. Eliminação geológica profunda significa colocar o resíduo a profundidades entre 250m e 1000m para repositórios minados, ou 2000m a 5000m para furos de sondagem.


O custo de gerenciar e descartar resíduos de usinas nucleares normalmente representa cerca de 5% do custo total da eletricidade gerada. A maioria das concessionárias nucleares é obrigada pelos governos a deixar de lado uma taxa (por exemplo, 0,1 centavos por quilowatt / hora nos EUA, 0,14 centavos / kWh na França) para prover o gerenciamento e descarte de seus resíduos.
De acordo com a GE Hitachi, até 2015, os fundos destinados à gestão e descarte de combustíveis usados totalizaram cerca de US$ 100 bilhões (a maioria, US$ 51 bilhões na Europa, US $40 bilhões nos EUA e US$ 6,5 bilhões no Canadá).


E é isto. Fizemos uma síntese apertada do que é feito com o resíduo nuclear.


Quem é o articulista
Rogel Martins Barbosa
Advogado, professor do curso História dos Resíduos

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