No Brasil, afogamento é a segunda causa de morte de crianças

Na água, uma distração de segundos pode custar uma vida. No Brasil, a cada três dias, uma criança morre afogada dentro de casa. As principais vítimas (59%) tem entre 1 e 4 anos de idade, o que torna o afogamento a segunda causa de morte nessa faixa etária. Pelo menos 45% dos óbitos acontecem no verão. Os dados são da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa-DataSus).
O Brasil é o segundo país do mundo com cerca de 3,8 milhões de piscinas instaladas. O setor movimenta R$ 12 bilhões por ano e cresceu 18,7%, em média, entre os anos de 2020 e 2021, durante a pandemia. Os dados são da Associação Nacional das Empresas e Profissionais de Piscinas (ANAPP). Ter piscina em casa é um sonho do brasileiro, mas é preciso redobrar os cuidados com a segurança para evitar que o pior aconteça. Susan Delgado, de dois anos, entrou para as estatísticas em 14 de abril de 2017, ao se afogar na piscina da casa da família, em Orlando, na Flórida, EUA.
O afogamento é rápido e silencioso. Segundo o músico e empresário Alex Delgado, numa fração de segundos a filha saiu da sala, sem ser vista. O pai não estava em casa no momento do acidente. A mãe chegou a procurá-la dentro de casa, onde ela costumava se esconder até nos armários, mas a criança foi encontrada dentro da piscina. Susan chegou a ser socorrida, mas morreu 14 horas depois, no hospital. Para evitar que outras famílias enfrentem a mesma dor, Alex criou o projeto social Susan Forever, sem fins lucrativos, de combate ao afogamento infantil.
O objetivo é alertar outras famílias para a importância de adotar todas as regras de segurança para evitar afogamentos dentro de casa. Em seu canal no YT, entre outros cuidados, o pai insiste na importância de cercar a piscina com grade, portão, além de instalar câmeras e sensores capazes de detectar a presença das crianças.
Ao trabalhar no combate ao afogamento infantil, Alex se deu conta que o número de mortes de crianças, por afogamento, já alarmante, pode ser ainda maior. Em muitos casos, o afogamento aparece no atestado de óbito como “acidente doméstico” ou no caso de Susan, como “hipóxia”, que é a ausência de oxigênio suficiente nos tecidos para manter as funções corporais.
Nas residências, onde o Estado não pode intervir, cabe à família se atentar para garantir a segurança das crianças. Além da piscina, o afogamento pode ocorrer em baldes, bacias, tanques e qualquer outro tipo de recipiente com água. Bastam dois dedos de água numa bacia para uma criança se afogar, caso caia de rosto e não seja socorrida imediatamente. Aulas de natação, a partir dos seis meses e curso de primeiros socorros são medidas que ajudam a reduzir acidentes na água. Com dicas como essas, repetidas milhares de vezes se for preciso, Alex espera alcançar o máximo de famílias e ajudar a reduzir as mortes de crianças por afogamento.
Lei Susan Delgado
Desolado com a perda da filha, Alex dedica grande parte do seu tempo para tentar salvar outras famílias da mesma tragédia. “Não posso deixar que a morte de Susan tenha sido em vão. O afogamento pode ser evitado. É isso que eu quero que as pessoas entendam e deem importância”. Uma das ações em andamento, por sua iniciativa, é a PL 1.944/2022, em tramitação no Senado, em homenagem a Susan Delgado. O projeto acrescenta medidas específicas de prevenção ao afogamentos de crianças em piscinas, visto o alto índice de mortes e sequelas graves causadas pelo afogamento. O projeto de lei prevê a criação de uma campanha nacional de prevenção ao afogamento infantil e institui o dia 14 de abril o Dia Nacional Contra o Afogamento Infantil.
10 regras para combater o afogamento infantil
1 – Supervisione as crianças na água. Elas devem estar ao alcance do seu braço
2 – Dificulte o acesso das crianças à agua, por meio de portões, grades, câmeras, sensor e alarmes
3 – Esqueça o celular enquanto as crianças estiverem na água. A distração com esses aparelho aumentou em cerca de 40% os casos de afogamento infantil
4 – Aprender a nadar previne em 80% o risco de afogamento. Coloque a criança na natação a partir dos seis meses de idade
5 – Boias redondas e infláveis de braço não sãos seguras. Prefira as de vestir, com fechamento não infláveis
6 – Adote, imediatamente, ralo antisucção. Os outros modelos estão entre as principais causas de afogamento em piscina e banheiras, por sugar o cabelo das vítimas
7 – Jamais terceirize a responsabilidade dos seus filhos na água. Se precisar, delegue a alguém totalmente responsável, atento e orientado para isto. Nunca deixe uma criança cuidando de outra
8 – Ofereça acessórios de segurança (boias e macarrão) para a criança na água. Elas ajudam a evitar acidentes, mas não substituem a supervisão atenta dos pais ou responsáveis
9 – A vida não tem preço. Se você tem piscina em casa, todos os adultos responsáveis do imóvel devem fazer curso de habilitação de primeiros socorros
10 – Esvazie banheira, baldes, bacia e qualquer recipiente com água. Tampe poços, tampas de vaso sanitário e muito cuidado com bueiros. Um bebê pode se afogar em apenas três dedos de água
Leia outras notícias no GMC Online.
