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02 de abril de 2026

Caso Jaciara: Acusado de matar a própria mulher é condenado a 16 anos e 10 meses de prisão


Por Monique Manganaro, com informações de Luciana Peña/CBN Maringá Publicado 26/08/2021 às 11h02 Atualizado 20/10/2022 às 15h08
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Familiares de Jaciara em frente ao Fórum de Sarandi nesta quarta-feira, dia do julgamento do acusado pelo crime. Foto: Luciana Peña/CBN Maringá

Acusado de matar a própria mulher a facadas, em Sarandi, em janeiro do ano passado, Murillo Barbosa da Silva, de 32 anos, foi condenado a 16 anos, 10 meses e 15 dias de prisão. O julgamento foi realizado nesta quarta-feira, 25, e terminou perto das 20h.

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Jaciara Kloger de Lima tinha 28 anos e foi morta a facadas dentro da casa onde morava, no Jardim Bom Pastor. Os jurados reconheceram a materialidade e autoria do crime, entenderam que Murillo não agiu sob violenta emoção, que empregou meio cruel, com recurso que impossibilitou a defesa da vítima e por motivo fútil.

Os jurados também entenderam que o crime foi praticado contra a mulher por razões da condição do sexo feminino, envolvendo violência doméstica e familiar, ou seja, um feminicídio, que é qualificadora.

Na dosimetria da pena, o juiz Rodrigo da Costa Franco considerou que o réu não possui maus antecedentes e que não há laudo psicológico quanto à personalidade dele, por isso a impossibilidade de uma análise.

A pena-base foi fixada em 13 anos e seis meses de reclusão e foi majorada para 20 anos e 3 meses com três agravantes. Mas o fato de Murillo ter confessado o crime foi uma atenuante e a pena foi reduzida para 16 anos, 10 meses e 15 dias.

Na sentença, o juiz cita que Jaciara foi vítima de 30 golpes de faca, num cômodo pequeno e no momento em que estava sendo abraçada por Murillo, ou seja, sem condições de defesa ou fuga.

O juiz negou ao réu o direito de recorrer em liberdade.

A acusação, no entanto, pedia 20 anos de prisão para Murillo, que está preso há um ano e sete meses. A família disse que irá recorrer da sentença.

Relembre o caso

Jaciara foi morta a facadas dentro da casa onde morava, em Sarandi. No dia do crime, o corpo da vítima foi encontrado pela babá da família, que estranhou o fato de Jaciara não ter ido buscar as duas filhas pequenas no horário de sempre. Segundo a perícia, Jaciara foi morta pouco antes disso.

O suspeito pelo crime era marido de Jaciara e, no dia seguinte, foi ouvido pela Polícia Civil, mas negou ter estado em Sarandi. Ele, inclusive, participou do velório da mulher ao lado de amigos e familiares dela. 

No entanto, a polícia conseguiu imagens de câmeras de segurança que indicaram que ele esteve, sim, na cidade no mesmo dia do crime. Além disso, as imagens revelaram que o suspeito carregava um capacete, que foi utilizado pela vítima na saída do trabalho e encontrado na casa de Jaciara.

Entre as imagens obtidas pela polícia à época estavam cenas do suspeito no ambiente do trabalho, saindo para o intervalo da tarde com dois capacetes, um deles rosa, e voltando com apenas um, o mais escuro. O rosa ficou na casa da vítima e foi apreendido pela polícia.

Três dias após o crime, Murilo Barbosa foi preso em Nova Londrina (a 145 quilômetros de Maringá). Em um novo depoimento aos policiais, ele confessou ao delegado de Sarandi que matou a esposa. A motivação, segundo ele, seria ciúmes.

O casal viveu dez anos juntos, mas meses antes de ser assassinada, Jaciara estaria querendo a separação. Ela, inclusive, teria alugado outra casa e estava disposta a se separar. 

Apesar da confissão, o suspeito negou que tivesse premeditado o crime. Contudo, durante a investigação, a polícia encontrou um celular que pertencia à vítima. O aparelho tinha sido furtado de Jaciara e, nele, a polícia localizou mensagens escritas pelo marido, se passando pela mulher, a um dos contatos de Jaciara.

O caso comoveu Sarandi e teve grande repercussão. Nesta quarta-feira, familiares de Jaciara acompanharam o desfecho do caso e aguardavam por justiça na frente do Fórum de Sarandi.

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