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01 de abril de 2026

Como driblar o risco de racionamento


Por Agência Estado Publicado 28/08/2021 às 20h40 Atualizado 20/10/2022 às 15h20
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Na corrida contra o tempo para evitar um racionamento nos moldes de 2001, com corte compulsório de energia, especialistas e executivos do setor ouvidos pelo Estadão apontam algumas medidas para tentar amenizar o aprofundamento da crise. As soluções incluem medidas como contratação emergencial (por meio de cogeração ou térmicas), retorno do horário de verão, aceleração da instalação de painéis solares em residências e até cortes seletivos de energia em determinados momentos do dia.

Isso não significa que, neste ponto, o País conseguiria escapar do racionamento. Mas, ao menos, poderia reduz o tamanho de eventuais cortes no fornecimento de energia. Uma das primeiras iniciativas que o governo precisa adotar, dizem os especialistas, é a criação de uma ampla campanha publicitária para explicar a situação do setor.

Para a presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Elbia Gannoum, a medida tende a criar maior engajamento da sociedade na redução do consumo. Muita gente ainda não entendeu – ou não sabe – a real dimensão da crise, reflexo da postura do governo em negar a gravidade do cenário.

Hoje, segundo dados da consultoria PSR, a chance de o País ter problemas em horários de pico é de 30%, e de ser obrigado a decretar um racionamento tradicional, de 15%. “Nossas simulações e as do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) convergem no sentido de que o tamanho do racionamento não seria superior a 5% da carga e por pouco tempo”, diz o presidente da PSR, Luiz Barroso.

Na avaliação dos especialistas, as medidas anunciadas pelo governo, de redução voluntária de energia, são corretas, mas vieram no momento errado. “Estamos na crise desde maio, e as medidas de incentivo à redução do consumo só vão começar em setembro”, diz o professor da UFRJ Nivalde Castro. Para ele, uma medida que ajudaria a elevar a oferta seria uma negociação com a Bolívia para aumentar a cota do rio Madeira e, assim, elevar a produção da hidrelétrica de Jirau, em cerca de 700 MW médios.

Os especialistas dizem que, além de rezar pela chuva, é preciso torcer para que as medidas de redução surtam efeito. Mas o professor de Planejamento Energético da Coppe/UFRJ Marcos Freitas destaca que a população já está tentando economizar por causa dos elevados preços da energia, com a adoção das bandeiras tarifárias. Mesmo assim, ele afirma que o governo tem de lançar mão de toda e qualquer medida que diminua a demanda, mesmo que o ganho seja pequeno. A sugestão dele é retomar o horário de verão para tentar deslocar o consumo em horário de pico.

Para David Zylbersztajn, ex-diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e ex-membro da Câmara de Gestão da Crise de Energia em 2001, não basta apenas dar bônus para as pessoas reduzirem o consumo. É preciso punir quem não consegue economizar. “É importante que se dê um sinal econômico da crise para ter a adesão da sociedade.”

Apesar das medidas paliativas, os especialistas alertam que a situação é complicada e que o risco de racionamento está cada vez maior. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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