29 de agosto de 2025

Déficit dos EUA não pode servir de pretexto para decisão desequilibrada, critica Haddad


Por Agência Estado Publicado 10/07/2025 às 12h14
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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta quinta-feira, 10, que o déficit comercial crônico dos Estados Unidos com o resto do mundo não pode servir de pretexto para decisões desequilibradas como a tarifa de 50%, anunciada na quarta (9) contra produtos brasileiros.

Conforme o ministro, a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é explicada mais por pretensão política da extrema direita, referindo-se a interesses da família Bolsonaro, do que propriamente pela racionalidade econômica, já que o Brasil tem déficit nas trocas de produtos e serviços com a maior economia do mundo.

“Na minha opinião, não acredito que isso a tarifa possa se manter assim. Não vejo base nenhuma para que isso seja assim”, comentou Haddad durante entrevista a jornalistas de cinco veículos: Brasil 247, Carta Capital, Diário do Centro do Mundo, Fórum e TVT News.

Ao abordar as preocupações americanas em relação à proximidade do Brasil com a China, Haddad destacou que os interesses com EUA e Europa são de tamanho equivalente aos que o governo tem com Pequim. Nesse sentido, ressaltou que o Brasil se pauta pelo pragmatismo, de modo que não concede mais ou menos espaço a quem quer que seja, assim como é grande demais para ser “apêndice” de um bloco econômico.

Segundo Haddad, a “narrativa” de que o Brasil tem um mercado fechado tampouco pode ser justificativa às barreiras de Trump pois não tem “aderência à realidade”. Ele citou números que mostram que a tarifa efetiva de produtos importados nos Estados Unidos, de 2,7%, é pouco mais da metade da alíquota efetiva de importação no Brasil, de 5,2% considerando todas as compras do exterior.

“Ou seja, é um tipo de narrativa que não tem aderência à realidade. Se tivesse, nós deveríamos estar negociando. Mas nem isso, nem isso tem aderência nenhuma aos fatos concretos, aos dados econômicos concretos”, comentou Haddad. Ele acrescentou que a posição do Brasil de defender o multilateralismo, que vem sendo atacado por Trump, também não pode ser pretexto para a tarifa anunciada ontem pelo presidente americano.

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