30 de agosto de 2025

Ca Fé On promove café como estilo de vida


Por Brenda Caramaschi Publicado 03/08/2025 às 16h24
Ouvir: 08:51
WhatsApp Image 2025-08-03 at 16.14.22
Fabiana Simões Dilma trabalha como barista há quatro anos e se emociona ao falar da profissão. / Foto: Brenda Caramaschi

Em dois dias de celebração da segunda bebida mais consumida no mundo, o Ca Fé On reuniu representantes de todos os elos da cadeia do café: produtores, torrefações, donos de cafeterias e lojistas que vendem produtos que harmonizam com a bebida, baristas e, claro, os amantes do café. Para boa parte do público que o evento reuniu nesta segunda edição, o  café transcende uma simples bebida e cada xícara passa a conter uma verdadeira experiência, que influencia nos hábitos e até na visão de mundo, seja por seus efeitos energizantes ou pelo momento de pausa para explorar sabores e aromas.

Se o aroma de café fresco pela manhã faz parte das memórias de tanta gente, atualmente, os apreciadores do grão têm buscado maneiras de expandir o ritual de parar para tomar a bebida para promover o sentimento de comunidade e gerar conexões. O café é frequentemente associado a momentos de encontro e socialização e hospitalidade, onde ideias são compartilhadas e relacionamentos são construídos. A nova proposta é que esse momento vá além, permitindo apreciar todas as nuances que o grão de café carrega e o quanto ela pode mudar em cada etapa, desde o tipo de torra até o método de extração escolhido.

WhatsApp Image 2025-08-03 at 16.14.23
Duas torrefações torraram o mesmo grão de café lançado durante o Ca Fé On para trazer diferentes percepções à xícara do consumidor. / Foto: Brenda Caramaschi

Durante o Ca Fé On, dois cafés foram lançados para marcar um festival promovido pela Rota dos Cafés Especiais de Maringá e Região, realizado durante o mês de agosto, unindo café e música, o Jazz e o Blues. O grão que serviu de base para os dois é o mesmo, mas as torras foram feitas por duas torrefações distintas – o Café Tamura e o Café Semeado. 

“Eu acho que o mais desafiador é você conseguir fazer com que o consumidor tenha essa percepção, porque o café é uma bebida que é usualmente de dia a dia, que as pessoas muitas vezes consumiam sem ter consciência de consumir o produto.  E o fato da gente começar a trabalhar produtos de qualidade, produtos de especialidade, faz com que as pessoas valorizem um pouco mais o momento.  Essa grande brincadeira que a gente se dispôs a participar e fazer é um grande desafio para tentar fazer com que o consumidor pare e respire, sinta os aromas, tente perceber as nuances no paladar e possa se aventurar ainda mais nesse universo do café especial”, diz Michael Tamura. 

“É algo muito único. É a mesma base de grão de qualidade,  mas trazendo ali duas torrefações da nossa região, uma experiência nova.  O que está escrito no pacotinho é simplesmente um caminho de condução, mas é o que você vai achar, é o que o consumidor pode descobrir através disso.  O que está ali descrito é só para te orientar que aquilo é uma base de nota sensorial que aquele café tem, mas na sua extração você pode descobrir algo novo e é através disso que a gente quer surpreender o mercado aqui de Maringá e região com essa proposta”, complementa Celene Viana, à frente da Semeado.

WhatsApp Image 2025-08-03 at 16.14.23 (1)
Jeane Artal, especialista em café, é barista por formação e presta consultorias para ajudar a compor os cardápios de estabelecimentos que querem investir no universo do café. / Foto: Brenda Caramaschi

A variedade de notas que o café especial pode trazer é imensa e cada xícara se torna uma jornada sensorial multifacetada. O crescimento da gastronomia como uma macrotendência universal fez com que a cultura do café impactasse fortemente outras indústrias – da moda aos cosméticos – ajudando a moldar o estilo de vida ao unir o luxo à simplicidade como tendência. Jeane Artal, especialista em café, é barista por formação e presta consultorias para ajudar a compor os cardápios de estabelecimentos que querem investir no universo do café, além de ministrar cursos para quem está entrando no ramo. A maringaense segue em estudo constante sobre a área, em um mercado em constante atualização, e palestrou no Ca Fé On sobre como o café e o estilo de vida estão conectados. 

“O processo do café tem tudo a ver com o processo da gente. O café está no meu estilo de vida em todos os momentos,  no pré-treino,  ele tem uma função de saúde também, de alimentação, de performance,  de esporte, e do relacionamento que eu tenho com as pessoas.  As pessoas conseguem sentir isso e querem fazer com que o café esteja na rotina delas. Quando a gente entende que a gente tem uma identidade única,  a gente consegue trazer essa identidade que o café também quer ser único.  Porque os grãos de café não são todos iguais. Eu crio bebidas visando o público, ouvindo as pessoas, tanto o empreendedor do local quanto o público que vai consumir no local. A gente tem terroirs, regiões diferentes, e eu tento sempre ouvir e entender essa personalidade única de cada um para trazer essa inovação e essa criatividade para cada local”, explica.

Fabiana Simões Dilma trabalha como barista há quatro anos. Antes disso, ela nunca tinha ouvido falar na profissão. Um convite de trabalho fez com que ela tivesse o interesse em aprender sobre a área e foi o primeiro passo para que ela se apaixonasse pelo universo do café.

“É algo muito apaixonante,  porque são muitas nuances. Desde o grão que chega, a torra  que é feita, o método de extração. De um mesmo grãozinho, você conhece mil possibilidades. Você consegue sabores diferentes mesmo. Você viaja o mundo numa única xícara, isso é muito bacana. Você descobrir que com o mesmo grão você consegue tomar uma bebida com cinco, seis, sete sabores diferentes só mudando o método é um negócio muito extraordinário.  Me emociona.  As pessoas chegam lá e falam, ‘mas eu não conheço nada, que grão que eu levo, como que esse método?’, e  você explica que para você ter aquele sabor na xícara o produtor  teve que ter todo aquele trabalho do selecionar, do cuidar, do tratar, de se arriscar a linha a ter um problema com o clima e de repente perder toda uma produção.  Então você trazer isso, explicar para o cliente que ele vai experimentar algo que é único e ele vai fazer parte de um público muito seleto, que ele nunca até então tinha encontrado ou  sabia que existia, faz toda a diferença”. 

“Eu acho que o café cumpre um papel histórico na vida dos brasileiros. Ele reúne as pessoas e sentarem ao entorno de uma mesa, tomar um café,  apreciar uma bebida. Antigamente, era nas mesas, nas cozinhas, nas casas que as pessoas passavam café e chamavam todo mundo a tomar um café em casa,  e hoje a gente se reúne pra falar de café especial ao entorno de uma mesa de cafeterias, de uma casa especializada.  Então, essa união, essa troca de experiência, esses contatos que a gente faz, é o que faz do café especial ainda mais especial”, finaliza Michael Tamura.

Pauta do Leitor

Aconteceu algo e quer compartilhar?
Envie para nós!

WhatsApp da Redação