30 de agosto de 2025

Conheça a história de casais da região que deixaram a cidade para viver e criar os filhos no campo 


Por Camila Maciel Publicado 09/08/2025 às 08h57
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Foto: Arquivo Pessoal

O começo foi desafiador: o casal Taiana Lima Campos e Arthur de Canini Cezar começou a vida na zona rural dentro de uma barraca. O sonho de mudar o estilo de vida fez com que eles abraçassem os desafios iniciais com um objetivo comum: construir um trabalho rentável no campo e ver os filhos crescerem perto da natureza.

Formados em agronomia pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e mestres em agronomia e agroecologia, eles compraram uma propriedade rural em Mandaguari entre 2016 e 2017 e, de lá pra cá, estão colhendo os frutos da escolha de vida que fizeram. 

“No começo não havia nada no sítio, nem água encanada, energia elétrica, ou qualquer tipo de benfeitoria, então só conseguimos mudar após a instalação da energia e a construção de um banheiro e um espaço onde ficava a geladeira. Como era muito dispendioso ir e voltar para Mandaguari todos os dias, decidimos trazer uma boa barraca e um bom colchão e ficar aqui definitivamente. Isso aconteceu em 2018”, conta Taiana. A casa do casal na propriedade só ficou pronta no fim de 2019. 

Pais da pequena Iara de três anos, eles afirmam que sempre sonharam em formar a família em um lugar tranquilo e, segundo eles, não há felicidade maior do que ver a filha curtindo o sítio, sabendo identificar o canto dos pássaros, se a chuva está se aproximando, admirando borboletas, vagalumes etc. 

“Nós tentamos envolver ela o máximo possível nas nossas atividades. Quando ela era bebê já ajudava a colher ovos, também auxiliou nos cuidados iniciais com pintainhas e na colheita de verduras. Também ajuda a cuidar dos cachorros, adora as abelhas sem ferrão que estamos criando, além de gostar de tomar o mel e brincar no trator”, diz. 

Arthur, pai de Iara, conhece bem o que é viver a infância no campo. Ele e a família moraram em uma propriedade rural por um tempo antes de irem para a cidade e ele alimentava o desejo de retornar. Já Taiana, cresceu em uma família ligada à área ambiental e também tinha o sonho de morar no sítio. 

A propriedade, que se chama Sítio Limão Rosa, tem certificação orgânica para todos os produtos de origem vegetal e atualmente as principais produções são o limão-rosa, produtos oriundos da horta e roça e ovos caipiras. Além disso, Taiana e Arthur dão consultorias e treinamentos para outros produtores rurais. 

“Temos alface, chicória, rúcula, salsinha, cebolinha, milho verde, quiabo, mandioca, feijão sendo que a principal forma de comercialização é para a merenda escolar de Mandaguari e venda direta para consumidores e estabelecimentos da região”, diz. Em breve a produção de morangos será retomada e o meliponário está em fase de implantação. 

“Viver no campo é um sonho realizado para nós. Nosso sítio é um lugar abençoado com um amplo remanescente florestal, então é verde para todos os lados, o que traz uma sensação de paz e calma. Também contamos com muita água: nascentes, córregos, rios, que nos auxilia no nosso dia a dia e produções, e também nos traz lazer e bem-estar”, afirma Taiana. 

De multinacional à zona rural 

Quem também deixou a correria da cidade para trás foi o casal Ivan Gabriel Ruiz Scarabeli e Janaina Miyashiro Simon Scarabeli. Os dois são mestres em agronomia e pais do Raul de quase três anos. Ivan trabalhava em uma multinacional, mas em 2017 decidiu largar tudo para investir em um novo estilo de vida.

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Foto: Arquivo Pessoal

“Além de ficar longe dos transtornos da cidade, aqui temos a satisfação de comer o que produzimos sem correr o risco de contaminação por agrotóxicos. Também temos o privilégio de acordar com o barulho dos pássaros ao invés do trânsito”, diz. 

A propriedade onde eles vivem tem seis hectares e fica em Mandaguaçu. Lá eles produzem tomate, pepino, abóbora, brócolis, folhosas, morango e banana, tudo orgânico. As vendas acontecem em feiras, quitandas, mercados e por delivery. 

Mesmo com os desafios como a escassez de mão de obra e as adversidades climáticas, Ivan está feliz com a mudança de vida. “Não tem preço poder fazer os nossos horários e acompanhar de perto o crescimento do nosso filho. Ele gosta de brincar na terra e adora colher morangos e tomates do pé, além disso, sempre nos pede para ajudar e acompanhar nossas atividades”, diz.

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