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20 de junho de 2026

Entenda como funciona novo medicamento para tratamento de câncer cerebral

O Voranigo® atua diretamente nas enzimas IDH1 e IDH2 mutadas, que estão presentes em certos tipos de gliomas de baixo grau.


Por João Victor Guirado Publicado 15/08/2025 às 08h01
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta semana o registro do medicamento Voranigo® (vorasidenibe), um inibidor de enzimas desenvolvido pela farmacêutica Servier. O fármaco, produzido em comprimidos de uso diário, será utilizado no tratamento de tipos específicos de câncer cerebral.

Qual é a indicação e público-alvo?

Segundo a fabricante, “o medicamento é indicado para pacientes a partir dos 12 anos diagnosticados com gliomas difusos do tipo astrocitomas ou oligodendrogliomas de baixo grau (grau 2), que apresentem mutações na enzima IDH1 ou IDH2”. Esses pacientes já devem ter passado por procedimento cirúrgico e não possuir indicação de radioterapia ou quimioterapia imediata.

Leia também: Anvisa interdita medidor de glicose reprovado em testes da Fiocruz

Como o medicamento funciona? 

O Voranigo® atua diretamente nas enzimas IDH1 e IDH2 mutadas, que estão presentes em certos tipos de gliomas de baixo grau, como astrocitomas e oligodendrogliomas. Essas mutações fazem com que as células tumorais produzam substâncias que estimulam seu próprio crescimento e dificultam o controle da doença.

Ao bloquear essas enzimas, o Voranigo® impede a formação dessas substâncias, reduzindo a proliferação das células tumorais. Dessa forma, o medicamento ajuda a retardar a progressão do tumor, permitindo que pacientes que já passaram por cirurgia possam adiar ou até evitar tratamentos mais agressivos, como radioterapia ou quimioterapia.

Além disso, por ser administrado em comprimidos de uso diário, ele oferece uma opção menos invasiva e melhor tolerada em comparação com tratamentos tradicionais, mantendo a qualidade de vida do paciente enquanto atua diretamente sobre o tumor.

Importância para o tratamento dos gliomas

Em entrevista à Agência Brasil, o oncologista Fernando Maluf destacou que a aprovação representa o maior avanço na área de gliomas nos últimos 20 anos. Ele explicou que os gliomas são os tumores cerebrais mais comuns, e que os de baixo grau afetam principalmente jovens, podendo se desenvolver desde a infância até a vida adulta.

Nova alternativa terapêutica

De acordo com Maluf, até então, os tratamentos disponíveis para tumores de baixo grau eram restritos à radioterapia e à quimioterapia. 

O novo medicamento surge como uma opção para evitar novas cirurgias e procedimentos mais agressivos, reduzindo significativamente o risco de progressão da doença e apresentando boa tolerabilidade para os pacientes.

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