Entenda o que são os ‘rios voadores’ que podem causar tempestades em Maringá e no Paraná
Os chamados rios voadores são um fenômeno atmosférico responsável por transportar grandes volumes de umidade da Amazônia para outras regiões do Brasil, incluindo o Paraná e o Sudeste. Segundo o meteorologista do Simepar, Samuel Braun, esses “rios” de água evaporada do Oceano Atlântico chegam à floresta amazônica, onde a vegetação absorve parte da umidade e a devolve lentamente à atmosfera, formando nuvens de grande porte e alto potencial de precipitação.
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“As nuvens formadas são muito convectivas, se desenvolvem rapidamente e acontecem ao longo de todo o ano. Elas precisam de muito calor e umidade, condições que temos de sobra na Amazônia”, explica Braun ao Portal GMC Online. A partir da floresta, os rios voadores seguem em direção aos Andes, que desviam seu trajeto em direção ao Sul e Sudeste do Brasil. Ao chegarem ao Paraná, parte dessa água é absorvida pela Mata Atlântica, funcionando como um verdadeiro reservatório natural.

O meteorologista detalha que o fenômeno é mais intenso na primavera e no verão, quando a combinação de calor e umidade favorece tempestades e chuvas expressivas. “Quando os rios voadores chegam ao Sul e Sudeste, eles podem provocar chuvas intensas, ventos fortes e até transtornos urbanos, como alagamentos em áreas vulneráveis. Em Maringá, por exemplo, o risco de enchentes severas é baixo, mas tempestades com chuva forte e vento podem ocorrer”, afirma.
Além de chuvas, o ingresso de umidade pode também transportar partículas de poluição e fumaça, vindas de queimadas na região Centro-Oeste. Braun lembra de episódios recentes em que cidades como Paranavaí e Maringá tiveram presença significativa de fumaça devido à circulação atmosférica dos rios voadores.

Estudos indicam que esse fenômeno é essencial para que o clima do Sul e Sudeste não seja árido. A presença constante da Amazônia garante um fluxo regular de umidade, influenciando positivamente a agricultura, o abastecimento de água e a geração de energia.
“Os rios voadores são, basicamente, fluxos de umidade. Quanto mais intensos, maior a possibilidade de chuvas expressivas. Se o fluxo diminuir, é provável que haja menos precipitação, afetando diversos setores”, explica Braun.
