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01 de abril de 2026

Agricultura francesa é moeda de troca no acordo Mercosul-UE, diz d’Alissac, crítico do tratado


Por Agência Estado Publicado 06/11/2025 às 21h42
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O produtor francês, membro do Conselho Executivo da Federação Nacional dos Sindicatos de Exploração Agrícola da França (FNSEA) e presidente da Organização Mundial dos Agricultores (WFO), Arnold Puech d’Alissac é um dos mais críticos ao acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.

“O acordo é um grande problema para nós, porque nós somos a moeda de troca. Temos a impressão de que vamos perder uma parte do mercado”, disse d’Alissac a jornalistas nos bastidores do COP-30 FarmersSummit, evento realizado pela WFO e pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em Brasília.

Na quarta-feira, 5, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, declarou que a presidente da Comissão Europeia,Ursula von der Leyen, em reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Belém, reiterou a expectativa de assinatura em dezembro do texto final do acordo.

A sua federação, a FNSEA, foi pivô de uma crise entre o agronegócio brasileiro e o Grupo Carrefour no ano passado. Na ocasião, o CEO do Carrefour, Alexandre Bompard, divulgou uma carta nas suas redes sociais, endereçada a Arnaud Rousseau, presidente da FNSEA, se comprometendo a não vender carnes do Mercosul independentemente dos “preços e quantidades de carne”, após ouvir o “desânimo e a raiva” dos agricultores franceses.

Atualmente, a FNSEA estampa em suas redes sociais um cartaz com a frase “Não ao Mercosul”. A federação organiza diversas manifestações e protestos na França contra o acordo. Na Europa, os agricultores franceses são considerados os mais resistentes ao acordo de livre comércio com o Mercosul.

Segundo D’Alissac, o acordo pode gerar concorrência desleal entre os produtos agropecuários do Mercosul e os agricultores franceses. Ele argumenta que o custo de produção dos agricultores franceses é superior ao custo de produção no Brasil. Ele cita que o modelo de produção na pecuária, por exemplo, é diferente, enquanto o Brasil utiliza grandes confinamentos e a produção francesa é menor e familiar.

D’Alissac alega ainda que os agricultores brasileiros têm acesso a defensivos agrícolas que são proibidos na França. “E isso, obviamente, aumenta o nosso custo produtivo. Quando a gente joga futebol, temos que ter as mesmas chuteiras. Não temos direito de ter uma chuteira eletrônica mágica”, comparou o representante dos produtores franceses. No norte da Franca, na região da Normandia, em propriedade familiar, dAlissac produz aves caipiras, gado de corte, entre outras culturas.

Questionado sobre a expectativa do governo brasileiro em assinar o acordo em 20 de dezembro, durante a cúpula Mercosul-União Europeia, dAlissac afirmou que os agricultores europeus “continuam lutando contra o acordo”. “Eles são favoráveis a um acordo, porém, mas não a este acordo. O problema é que a discussão está parada há seis anos”, criticou d’Alissac.

Ele defende a inclusão de salvaguardas no acordo que possam ser implementadas de forma unilateral pelo bloco europeu. “Temos cláusulas assim com o Reino Único. Se o comércio estiver perturbado entre o Reino Unido e a União Europeia, podemos bloquear o comércio. Seja de um lado ou seja do outro, de um dia para o outro, pode haver esse bloqueio comercial. Com o Mercosul, por exemplo, podemos somente bloquear temporariamente o acordo e somente nos seis primeiros anos de validade do acordo e, após isso, ele é aplicado integralmente”, explicou. “Com todas essas dificuldades de financiar os agricultores, parece ‘meio louco’ aceitarmos um acordo nesses termos”, acrescentou d’Alissac.

Para d’Alissac há distorções de concorrência entre os blocos, como impostos diferenciados sobre uso de insumos químicos. “Os agricultores europeus não entendem esse jogo duplo. Precisamos de um acordo com o Mercosul, mas precisamos reconhecer também que os nossos vinhos e queijos acessam o mercado do Mercosul sem barreiras e sem a percepção de distorção do mercado”, apontou o representante da Fnsea e presidente da WFO. “Quero que os agricultores europeus sejam felizes, mas não quero que os franceses sejam infelizes”, afirmou.

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