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01 de abril de 2026

Semana do papa foi marcada por críticas aos EUA e regras de veneração a Nossa Senhora


Por Agência Estado Publicado 07/11/2025 às 18h14
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O papa Leão XIV encerrou a semana com duas ações de forte repercussão política e religiosa. O pontífice criticou o envio de forças militares dos Estados Unidos ao Caribe, nas proximidades da Venezuela, e aprovou um decreto do Vaticano que restringe o uso do título de “corredentora” para a Virgem Maria.

Durante conversa com jornalistas em Castel Gandolfo, Leão XIV afirmou que a mobilização ordenada por Donald Trump “aumenta as tensões” na região. “Com a violência não ganhamos. O que é preciso fazer é buscar o diálogo”, disse o pontífice, de 70 anos. O papa ressaltou que, embora um país tenha o direito de manter forças para defender a paz, o caso “parece um pouco diferente”.

A fala ocorreu após uma série de ataques de forças americanas a embarcações suspeitas de narcotráfico, nas últimas semanas, que deixaram dezenas de mortos. Em resposta, o ditador venezuelano Nicolás Maduro agradeceu o papa por “pedir diálogo entre os EUA e a Venezuela para preservar a paz”.

Críticas à política migratória dos EUA

Questionado sobre a situação dos imigrantes nos Estados Unidos, Leão XIV, nascido em Chicago e ex-missionário no Peru, pediu uma “reflexão profunda” sobre o tratamento dado a estrangeiros no país.

“Jesus diz muito claramente que, no fim do mundo, seremos questionados sobre como recebemos o estrangeiro, se o acolhemos e lhe demos boas-vindas ou não”, afirmou. O pontífice disse se preocupar com pessoas que “vivem há anos sem causar problemas e agora foram profundamente afetadas pelas políticas migratórias”.

Em setembro, o papa já havia classificado como “desumano” o tratamento dado a migrantes sob as políticas do governo americano.

Decreto limita o uso do título de ‘corredentora’

Na terça-feira, o Vaticano publicou um decreto aprovado por Leão XIV que orienta os católicos a evitarem o uso do título de “corredentora” para a Virgem Maria. O texto reconhece que Maria “cooperou” na obra redentora de Cristo, mas enfatiza que ela não é mediadora da salvação.

“Levando em consideração a necessidade de explicar o papel subordinado de Maria a Cristo na obra da Redenção, é sempre inoportuno o uso do título de ‘corredentora'”, afirma o documento.

Segundo o decreto, o termo pode “obscurecer a única mediação salvífica de Cristo” e gerar “confusão na harmonia das verdades da fé”. “Não ajuda a exaltar Maria como primeira colaboradora na obra da Redenção, porque o perigo de obscurecer o lugar exclusivo de Jesus Cristo … não seria uma verdadeira honra à Mãe”, acrescenta o texto.

Pontífice mantém discurso social

Em outubro, o papa criticou o aumento da desigualdade e o “conforto e luxo das elites” em sua primeira exortação apostólica, Dilexi Te (“Eu te amei”, em latim), iniciada por Francisco, morto em abril.

“Num mundo onde os pobres são cada vez mais numerosos, assistimos, paradoxalmente, ao crescimento de uma elite abastada, vivendo numa bolha de conforto e luxo”, escreveu.

Com menos de um ano de pontificado, Leão XIV tem buscado combinar a herança pastoral de Francisco com uma agenda política marcada pela defesa dos migrantes, do diálogo internacional e da moderação diplomática, consolidando o tom social e crítico que tem caracterizado o início de seu governo.

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