Nós usamos cookies para melhorar a sua experiência em nosso site, personalizar publicidade e recomendar conteúdo de seu interesse. Ao acessar nosso portal, você concorda com o uso dessa tecnologia. Saiba mais em nossa Política de Privacidade.

01 de abril de 2026

Pombas, galo, cães e outros bichos vivem em bares de Maringá; conheça


Por Walter Téle Menechino Publicado 30/11/2025 às 08h58 Atualizado 08/12/2025 às 08h14
Ouvir: 00:00

Dois antigos bares de Maringá têm duas coisas incomuns em comum: aves circulando livremente entre os clientes e a possibilidade de despejo rondando seus proprietários já há alguns anos. E tantas outras características deveras diferentes: um, na Vila Operária, é tocado por um casal de idosos, Nicola e Rosa, e não conta com nenhum funcionário. E o outro, no Centro da cidade, tem, além do dono, o Zé, oito colaboradores. Um fecha cedo, o outro avança na madrugada. Um não tem cozinha, no outro, as porções são servidas o tempo todo.

galo do nicola é um dos bichos em bares de Maringá
Foto: GMC Online

No bar do casal Nicola e Rosa um galo ‘saradão’, colorido e com um par de esporas que impõe respeito, convive com um casal de cães – mãe e filho. O macho perdeu uma das patas dianteiras ao ser atropelado – quando ainda era filhotão -, mas leva uma vida normal e continua atravessando a avenida onde ocorreu o acidente. Aparentemente não ficou traumatizado. Mas quem faz a diferença na fauna é mesmo o Zeca, que é dócil, mas tem suas manhas: quando segue algum cliente, ele está dizendo algo do tipo “eu não vô com a sua cara”. Não ataca, mas deixa claro a antipatia.

De vez em quando ele desanda a cantar, independente da hora. Cocorica no chão do bar, na calçada, em cima da mesa de sinuca e não se importa que pombas e rolinhas dividam a quirela servida por Dona Rosa em um cocho improvisado, que fica ao pé de uma frondosa sibipiruna. Aos clientes mais chegados ele permite uma dose de carícia. Quando isso acontece, costuma abaixar a cabeça. Também é curioso ver que o Zeca não se atreve ir para a rua, limitando o seu território aos dois salões do bar e à calçada.

Em uma esquina da Avenida Duque de Caxias, é difícil não chamar a atenção uma fileira de mesas vermelhas na calçada, que nos finais de tarde e à noite, invariavelmente, estão quase todas ocupadas. E, enquanto ainda há luz natural, também saltam aos olhos algumas pombas caçando migalhas pelo chão. Tanto na calçada quanto dentro do salão. De tão mansas chegam a subir nas mesas dos clientes que não as espantam.

Um casal de pombas, em especial, parece ser o dono da área. O macho é chamado de Marrom, devido à sua plumagem, e a fêmea de Dedinho, pois lhe falta um dos quatro dedos nas duas patinhas. Alguns clientes do bar as alimentam com amendoim jogados no chão, outros fazem com que elas comam na própria mão. Mas até carne de frango frito e outras guloseimas servidas em porção passaram a fazer parte da dieta do casal.

Nos últimos dias Marrom e Dedinho ficaram sem serem vistos no bar. Logo surgiram especulações entre os clientes: “pode ser que estejam empenhados na reprodução da espécie, que ocorre praticamente o ano todo, mas se intensifica na primavera e no verão”. Os pombos são monogâmicos no período reprodutivo, normalmente botam dois ovos, que são chocados pela fêmea e pelo macho por 15 ou 18 dias.

Também não fora descartada a possibilidade de terem sido mortos, já que é comum ver corpos de aves esmagados nas ruas de Maringá. Mas, ufa, na sexta-feira,28, o casal voltou a caçar comida no chão bar.

Algum leitor atento poderia questionar: o título fala em cães, pombas, galo e outros bichos, que não foram citados no texto. Pois é, mas se trata dos clientes tradicionais, o bicho homem, que pretensiosamente se chama de sábio, ou sapiens, em latim. E um deles, dia desses disse em alto e bom tom enquanto acariciava a cadelinha do bar do Nicola: “Quando mais conheço os homens, mais gosto dos cães”.

Pauta do Leitor

Aconteceu algo e quer compartilhar?
Envie para nós!

WhatsApp da Redação