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03 de abril de 2026

Morre Maria Ribeiro, atriz de ‘Vidas Secas’, aos 102 anos


Por Agência Estado Publicado 03/01/2026 às 20h44
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Maria Ribeiro, atriz conhecida por seu trabalho no filme Vidas Secas (1963) morreu na última terça-feira, 30, aos 102 anos de idade. A informação foi publicada por sua filha, Wilma Lindamar da Silva, no Facebook, e ganhou repercussão dias depois.

Maria Ramos da Silva, seu nome de batismo, nasceu no povoado do Boqueirão, em Sento Sé, na Bahia. Aos três anos de idade, se mudou para Juazeiro, e, posteriormente, foi para Minas Gerais, em Pirapora, para viver com tios. Com 15 anos, se mudou para o Rio de Janeiro. Começaria a carreira no cinema já adulta, com mais de 35 anos.

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Foto: Reprodução

Em 2008, relatou ao Estadão: “Minha vida pode ser dividida entre um antes e depois de Vidas Secas“. À época, também relembrou como cruzou seu caminho com Nelson Pereira dos Santos, diretor do longa.

“Eu conhecia o Nelson profissionalmente, pois trabalhava no Laboratório Líder e ele, e outros diretores do Cinema Novo, traziam seus filmes para revelar os negativos. Ele era muito humilde, tinha família e vivia sem nenhum dinheiro, então eu procurava ajudá-lo da maneira como podia”, disse Maria Ribeiro.

Ela teria recebido a informação de que estaria no elenco por Glauber Rocha, e inicialmente achou que fosse uma brincadeira. No dia seguinte, o próprio Nelson foi ao estabelecimento para confirmar. Maria Ribeiro teria resistido à ideia, pois não queria perder o emprego que bancava o sustento de sua filha.

A maneira encontrada foi pedir uma licença de dois meses ao seu patrão, para que fizesse as filmagens e voltasse. Ouviu um não e ainda que a gravação de Vidas Secas não justificaria a ausência por conta de fazer parte dessa “loucura do cinema nacional”. Pereira teria vazado a informação para a imprensa, que repercutiu com reportagens que contavam a história da atendente de laboratório que foi chamada para ser atriz de cinema, mas barrada pelo chefe.

Nelson convenceu o produtor Herbert Richers a ligar para o patrão de Ribeiro. “Olha, Maria, eles fizeram o próprio Herbert ligar para mim. Eu devo muitos favores a esse homem e não posso dizer não. Agora, eu vou perder uma excelente funcionária, porque sei como é o cinema brasileiro. Ele vira a cabeça das pessoas”, teria dito, segundo ela.

Liberada, filmou Vidas Secas e se destacou. Pôde conhecer a Europa quando foi ao Festival de Cannes. Morou algum tempo na Itália. À época de sua morte, vivia em Genebra, na Suíça. Esteve no elenco de outros filmes como A Hora e a Vez de Augusto Maltraga (1965), Os Herdeiros (1970), O Amuleto de Ogum (1974), Perdida (1976), Soledade, a Bagaceira (1976), a Terceira Margem do Rio (1994, quando voltou a trabalhar com Nelson Pereira dos Santos) e As Tranças de Maria (2003).

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