”Magnum’ estreia com aclamação e abre 2026 como um dos projetos mais ousados da Marvel
A Marvel Studios dá a largada em seu calendário de 2026 longe das salas de cinema, mas com um sinal claro de força criativa. Magnum, nova série do estúdio para o Disney+, estreia nesta terça-feira, 27, às 23h, com todos os episódios disponibilizados de uma só vez, e já chega cercada de elogios. A produção abriu com mais de 90% de aprovação no Rotten Tomatoes, índice que a coloca entre as séries mais bem avaliadas do MCU (Universo Cinematográfico da Marvel).
Entre a ficção e a realidade
No centro da trama está Simon Williams, vivido por Yahya Abdul-Mateen II. Aspirante a ator e dublê em Hollywood, Simon luta para sair do anonimato até ver sua vida virar de cabeça para baixo ao descobrir que possui habilidades extraordinárias, poderes muito semelhantes aos dos super-heróis que sempre interpretou (ou sonhou interpretar) na tela.
A virada acontece quando o lendário diretor Von Kovak anuncia um remake de um clássico cult de super-herói que marcou a infância de Simon. Determinado a conquistar o papel principal, ele mergulha nos bastidores da indústria do entretenimento, em uma jornada que mistura ambição, frustração, fama e heroísmo, manchando de vez as fronteiras entre personagem e pessoa.
Dois atores, dois momentos de carreira
Nesse percurso, Simon cruza o caminho de Trevor Slattery, interpretado por Ben Kingsley, um ator veterano cujos dias de maior prestígio parecem ter ficado para trás. Conhecido no MCU por ter vivido o falso Mandarim em Homem de Ferro 3 e retornado em Shang-Chi, Trevor surge aqui como uma figura improvável de apoio.
A relação entre os dois atores em extremos opostos da carreira funciona como um dos motores dramáticos da série. Entre conselhos, desilusões e tentativas de reinvenção, Magnum constrói um olhar afiado e bem-humorado sobre o ego, o fracasso e o preço da fama.
Uma Marvel menos explosiva
Criada por Destin Daniel Cretton, que também dirige o primeiro episódio, a série propõe uma abordagem pouco convencional dentro do MCU. Em vez de batalhas épicas e ameaças cósmicas, a narrativa aposta em metalinguagem, crítica à indústria do entretenimento e dilemas de identidade, brincando com a ideia de um super-herói que nasce primeiro como produto de um filme.
O resultado é uma obra que dialoga com o próprio funcionamento de Hollywood e com o mito do herói fabricado, sem abrir mão do humor e do drama característicos da Marvel.
Das HQs de 1964 ao streaming
O personagem Simon Williams foi apresentado pela primeira vez nos quadrinhos em 1964. Na época, era filho de um poderoso industrial do setor bélico, que assume os negócios da família após a morte do pai, mas vê a empresa ruir diante da concorrência direta da Stark Industries, comandada por Tony Stark.
Consumido pelo ressentimento, Simon aceita uma proposta do vilão Barão Heinrich Zemo, passando por experimentos que o transformam em um ser super-humano energizado por íons. Dotado de superforça, resistência, velocidade e capacidade de voo, ele começa como antagonista dos Vingadores, mas acaba conquistando a confiança do grupo, tornando-se, mais tarde, membro fundador dos Vingadores da Costa Oeste.
Fora da vida heroica, Simon Williams também constrói uma carreira instável como ator e dublê, acumulando fracassos, projetos obscuros e grandes franquias, sempre equilibrando seus poderes com os holofotes de Hollywood, um conflito que a série resgata e atualiza.
Estreia completa
Com todos os episódios liberados de uma só vez, Magnum chega ao Disney+ apostando em maratonas e em uma rápida repercussão nas redes sociais. A recepção crítica inicial indica que a estratégia pode dar certo e que a Marvel encontrou, no streaming, espaço para experimentar formatos, tons e narrativas que vão além do óbvio.
Para quem busca uma história de super-herói diferente do padrão, mais íntima e autoconsciente, a nova série promete ser um dos grandes acertos recentes do estúdio na televisão.
