Conselheiros recusam vender o clube e Grêmio Maringá pedirá licença à FPF
O Grêmio de Esportes Maringá, último time maringaense campeão estadual, em 1977, pedirá licença à Federação Paranaense de Futebol (FPF) e ficará inativo nesta temporada.
A solicitação ocorre em um momento de problemas financeiros e administrativos do clube, que foi reativado pelo Instituto dos Torcedores do Grêmio de Esportes Maringá (ITGEM) em 2022 e conquistou o título da Terceira Divisão Paranaense. Contudo, o Galo do Norte não conseguiu se manter nos anos seguintes e encarou outro rebaixamento. Recentemente, o clube se viu em meio à relatos de despejo de jogadores em hotel, falta de pagamento de salários e dívidas trabalhistas.
Na última temporada, o Grêmio ainda sofreu a desclassificação na Terceirona, após punição do Tribunal de Justiça Desportiva do Paraná (TJD-PR) pela escalação irregular de um jogador. Classificado à segunda fase com o desempenho dentro de campo, o alvinegro foi punido com a dedução de 13 pontos e perdeu a vaga nas quartas de final.

Afundado em dívidas, que chegam a mais de R$ 5 milhões, e sem investidores ou estrutura adequada, o Grêmio não tem forças para se reestruturar em um curto prazo para as competições de 2026 e opta pela licença, justificada pelos problemas financeiros. A informação foi divulgada pelo jornalista Angelo Rigon e confirmada pelo GMC Online, que traz detalhes do caso.
De acordo com André Luiz, representante do ITGEM, a licença será solicitada no começo da próxima semana. A ideia é tentar voltar às atividades em 2027, caso o Galo consiga novos investidores.
Proposta de compra recusada
No início deste ano, o empresário Rayfran de Andrade Reis fez uma proposta aos conselheiros do Grêmio pela compra de 100% do clube. A proposta seria no valor de R$ 300 mil, com a promessa de assumir todas as dívidas da agremiação e investir R$ 10 milhões nos próximos anos, junto ao aporte de outros empresários. A transformação do clube em uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF) também era um desejo de Rayfran.
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A proposta de compra, no entanto, foi recusada pelo Conselho, em suma representado pelo ITGEM. Os conselheiros não se opõem à transformação em SAF, mas queriam manter 10% do controle do clube, para que ele “não perdesse a identidade dos torcedores”. Sem acordo, a proposta foi retirada e as conversas não avançaram. Foi a segunda possibilidade de venda recusada pelo Grêmio, que já havia recebido propostas concretas em 2022.
Rayfran de Andrade Reis é proprietário da Poker Burger, empresa que patrocinou o Grêmio em 2025 durante a disputa da Terceirona do Paranaense e tinha a marca estampada no espaço principal do uniforme. Procurado pela reportagem, Rayfran não quis se manifestar, mas destacou brevemente o bom trabalho feito no clube, classificando-o como um “ciclo que já passou”.

Além de investidor, o empresário assumiu a presidência do Conselho do Grêmio na última temporada. Ele foi conduzido ao cargo junto a Joniel Piassa, conhecido como Magrão, que se tornou presidente do clube nas eleições realizadas às vésperas da Terceirona no ano passado.
Os dois foram chamados pelos administradores do clube para a estruturação da equipe profissional visando o estadual, e foram responsáveis pela montagem do elenco, captação de outros patrocinadores e pagamento das despesas operacionais. Após a recusa da proposta de compra, Rayfran e Magrão deixaram o Grêmio. Ao GMC Online, Magrão disse ter sido favorável à venda.
— Eu acho que a gente fez um trabalho sério. O Grêmio já vem passando por muitos problemas. Muitas pessoas que passaram pelo Grêmio. Jogador despejado de hotel, que não pagava salário do jogador, jogador passando fome. Eu aceitei esse desafio junto com o Rayfran, porque eu soube e pesquisei também a idoneidade dele. Ele se propôs a pagar todas as despesas na Terceira Divisão e nós fizemos um acordo com o ITGEM, que assumiríamos o Grêmio, porém, tínhamos que estar na diretoria — disse Magrão em entrevista exclusiva ao CBN Maringá Esportes.
Confira a entrevista na íntegra:
Dívida imediata de R$ 52,2 mil é decorrente de multa, diz Magrão
O pedido de licença do Grêmio acontece por um acúmulo de fatores. Além da falta de investidores que poderiam sanar as dívidas, o clube não possui a estrutura necessária para se habilitar a participar de competições profissionais.
A FPF exige que os clubes disputem campeonatos de base para que sejam liberados a inscrever equipes profissionais nos torneios da entidade. Em 2025, o Grêmio disputou a Segunda Divisão do Paranaense Sub-20 antes de jogar a Terceirona com o elenco adulto. Neste ano, o Galo não participou dos estaduais Sub-15 e Sub-17, sobrando apenas o Sub-20.
— Porque chegou-se à conclusão do pedido de licença? Não adianta a gente pegar um investidor que paga os R$ 60 mil e vai lá jogar o Sub-20. Para jogar o Sub-20, você vai gastar no mínimo uns R$ 100 mil. Vai ter gasto. Então não adianta ficar empurrando com a barriga — ponderou Magrão.
À CBN Maringá, o ex-dirigente revelou que a dívida imediata do Grêmio Maringá referente à multas junto ao TJD-PR em 2025, somada aos gastos que o clube teria para renovar o alvará na FPF e na CBF, gira em torno de R$ 60 mil, e que boa parte dela teria origem em uma multa recebida por outra gestão. De acordo com Magrão, a gestão de Paulo Roberto da Silva, que assumiu o Sub-20 do clube por breve período em 2025, foi multada em R$ 45 mil pela falsificação de exames médicos dos atletas.
— Deixando bem claro, essa dívida maior é do Paulo Roberto que disputou o Sub-20 no ano de 2025 e não tem nada a ver com a gente. Na minha gestão, na gestão do Rayfran, nós não ficamos devendo nada para ninguém. Nós pagamos 100% aos jogadores.
A reportagem entrou em contato com Paulo Roberto e atualizou a matéria após o retorno. Paulo Roberto confirmou a falsificação dos exames médicos e informou que registrou um Boletim de Ocorrência (BO) na Delegacia de Estelionato de Curitiba contra Matheus Araújo Costa, responsável pelos registros do clube à época. Ainda, o antigo gestor rechaçou o valor da dívida atribuída a ele por Magrão, dizendo que acredita ser, no máximo, R$ 15 mil. Por fim, Paulo Roberto afirmou que quitará a dívida caso os valores sejam confirmados.
Para manter as atividades no futebol paranaense, a cada temporada, qualquer clube precisa renovar o alvará de regularização, em âmbitos estadual e nacional. Para isso, a agremiação deve quitar as pendências registradas no Tribunal de Justiça Desportiva e pagar as taxas de licenciamento às federações. No caso do Grêmio, as pendências com o TJD-PR somam R$ 52,6 mil e as taxas de licenciamento custam R$ 6,5 mil (FPF) e R$ 4,4 mil (CBF), totalizando R$ 63,5 mil.

— O Grêmio tem história, ninguém vai apagar a história. O Grêmio é tricampeão paranaense. Só que devido às más administrações, muita gente não confia — declarou Magrão.
Fundado em 1974, o atual Grêmio de Esportes Maringá é considerado tricampeão paranaense após a FPF unificar a conquista do estadual de 1977 com os dois títulos do Grêmio Esportivo Maringá, extinto em 1971.
Matéria atualizada às 18h09.
