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24 de fevereiro de 2026

Dois pacientes da região devem receber polilaminina na Santa Casa de Maringá


Por Brenda Caramaschi Publicado 24/02/2026 às 19h10
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Polilaminina deve ser aplicada em dois pacientes da região que tiveram lesão na medula após sofrerem acidentes.

Dois pacientes da região de Maringá estão no aguardo para fazerem parte de um grupo seleto de pacientes que receberão o tratamento experimental que está fazendo tetraplégicos recobrarem a sensibilidade e até os movimentos: a polilaminina. São dois homens, um de Iretama e outro de Arapongas, que devem receber o medicamento na Santa Casa de Maringá. 

Desde janeiro, três pacientes já foram submetidos ao procedimento inovador na unidade hospitalar maringaense, que se tem se tornado referência no Sul do país para a aplicação da substância em casos de lesão medular grave. O primeiro paciente do Paraná a receber a polilaminina foi o aposentado Juarez de Almeida, de 64 anos, vítima de um acidente de moto em Colorado. Tetraplégico após o trauma cervical, ele foi submetido ao procedimento no dia 8 de janeiro, três dias após a liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o início dos casos clínicos no país, como detalhado em reportagem do portal GMC Online.

Segundo a neurocirurgiã Katia Nakamura, chefe do serviço de neurocirurgia da Santa Casa, o paciente apresentou evolução significativa nos primeiros dias após a aplicação. “Ele começou a recuperar sensibilidade abaixo da lesão, melhorou o movimento dos braços e já apresentava sensibilidade nas pernas. Ficamos muito felizes e com muita esperança nesse tratamento inovador”, relatou.

Apesar da resposta inicial considerada animadora, Juarez morreu semanas depois em decorrência de complicações hospitalares que nada tiveram a ver com a aplicação, segundo a equipe médica. Ele desenvolveu fadiga pulmonar, precisou ser entubado, apresentou pneumonia e evoluiu para sepse. “Foi uma fatalidade. Ele teve uma recuperação muito grande. A família entendeu que não foi a polilaminina que causou o desfecho, mas complicações clínicas comuns em pacientes com lesão cervical alta”, afirmou a médica.

Após o primeiro caso, outros dois pacientes foram submetidos ao tratamento na Santa Casa. Um deles é o neurologista Dr. Vicente José Squiavão, de 69 anos, de Avaré (SP), que sofreu fratura na coluna e evoluiu com lesão medular torácica. O outro é um policial de 53 anos, de São Paulo, que ficou paraplégico após ser atingido por disparo de arma de fogo. 

De acordo com Katia Nakamura, ambos apresentaram melhora de sensibilidade e seguem em acompanhamento. O protocolo prevê avaliações periódicas em um, três, seis e doze meses após o procedimento, com acompanhamento da equipe médica e do laboratório responsável. Segundo a médica, os dois casos foram direcionados para a Santa Casa de Maringá após dificuldades administrativas enfrentadas em hospitais paulistas. No caso do policial, o procedimento chegou a ser cogitado no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, mas o setor jurídico da instituição não autorizou a realização por se tratar de estudo clínico. 

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Victor Parmeggiani , residente de neurocirurgia da Santa Casa de Maringá ao lado do neurocirurgião Bruno Cortes, da Cristalia, laborátório que desenvolve a polilaminina, e da chefe do serviço de neurocirurgia da Santa Casa, Katia Nakamura, em registro feito após uma das aplicações realizadas no hospital maringaense.

A chefe do serviço de neurocirurgia da Santa Casa disse que a equipe médica do laboratório responsável pelo tratamento já encontrou entraves em outros hospitais, como ausência de liberação prévia para entrada da equipe externa no centro cirúrgico ou condições clínicas que impediram a aplicação. Diante da organização estrutural e do cumprimento rigoroso dos protocolos exigidos, Maringá passou a ser considerada pela equipe que desenvolve a aplica a polilaminina, encabeçada pela pesquisadora Tatiana Sampaio, que desenvolveu a substância, como referência para a realização dos procedimentos.

Como funciona a aplicação da polilaminina

A aplicação é feita em centro cirúrgico, sob anestesia, por meio de procedimento percutâneo, sem necessidade de abrir a coluna. A ampola é dividida em duas partes e aplicada diretamente na medula, no início e no fim da área lesionada, com o objetivo de favorecer a reconexão neural e reduzir o processo cicatricial.

Atualmente, dois novos pacientes — ambos homens, moradores de Iretama e Arapongas — estão em fase de processo judicial para obtenção do medicamento por uso compassivo. A liberação depende de autorização judicial, análise do laboratório Cristália e aval da Anvisa. Além disso, é necessária a organização logística para envio da equipe e da medicação até Maringá.

A polilaminina está autorizada apenas para casos de lesão medular aguda ou subaguda, ou seja, que estejam em um período de até 90 dias após o trauma, e é indicada para pacientes classificados como ASIA A, ou seja, aqueles que não apresentam qualquer sensibilidade ou movimento abaixo do nível da lesão. O procedimento não é coberto pelo SUS nem pelos planos de saúde, por ainda se tratar de estudo clínico e não constar no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Os custos hospitalares e judiciais são arcados pelas famílias.

Segundo a neurocirurgiã, a Santa Casa foi escolhida pelo laboratório para novos procedimentos após demonstrar organização técnica e cumprimento rigoroso dos protocolos exigidos. “Tem que estar tudo certo: suspensão de anticoagulantes, ausência de infecção, documentação completa e autorização para entrada da equipe externa. Isso garante segurança e evita atrasos”, explicou, detalhando que a equipe do hospital acompanha o procedimento, mas o medicamento é trazido e aplicado pela equipe do laboratório responsável.

Enquanto aguardam a chegada do medicamento, os dois pacientes da região permanecem na expectativa. A equipe médica acredita que, quanto mais rápida for a aplicação dentro do período indicado, maiores são as chances de resposta clínica positiva.

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