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25 de fevereiro de 2026

Jogo-teste e fim gradativo: o que propõe o projeto que quer o fim da torcida única em SP


Por Agência Estado Publicado 25/02/2026 às 09h44
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Após 10 anos da implementação da torcida única em clássicos em São Paulo, a norma pode ser revista. Uma proposta sugere um fim gradual à medida, incluindo jogos-testes que voltariam a permitir visitantes nos estádios. O documento será entregue à Polícia Militar, ao Ministério Público e à Federação Paulista de Futebol.

A torcida única foi determinada pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) em 2016, após conflitos antes e depois de um clássico entre Palmeiras e Corinthians, que deixaram um morto e dezenas de feridos. A medida passou a valer para clássicos dos quatro grandes (Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo) e para o Dérbi Campineiro, entre Guarani e Ponte Preta.

Quem assina a proposta de mudança agora é o advogado Renan Bohus da Costa, com atuação especializada em Direito do Torcedor e gestão jurídica de eventos esportivos. Ele trabalha junto à Associação Nacional das Torcidas Organizadas (Anatorg), que representa as agremiações desde 2014.

No documento ao qual o Estadão teve acesso, é sugerida a realização de jogos-testes com participação controlada de visitantes. Inicialmente, eles representariam até 10% da capacidade do estádio. “Número compatível com padrões internacionais de segurança e suficiente para avaliação técnica dos impactos operacionais, sociais e de segurança pública”, diz a proposta.

O setor visitante teria ingressos com prioridade para sócios e membros cadastrados de torcidas organizadas, mediante identificação prévia. Como já é feito em outros jogos, os setores visitante e mandante seriam previamente delimitados e articulados com rotas logísticas seguras.

Os testes seriam apenas em estádios que contam com a tecnologia de reconhecimento facial, obrigatória em arenas com mais de 20 mil lugares desde junho de 2025, conforme a Lei Geral do Esporte.

“A lógica deixa de ser a punição coletiva e passa a ser a identificação e responsabilização individual de quem efetivamente pratica ilícito”, defende a proposta, a partir do reconhecimento.

Dois exemplos são citados como casos de sucesso. O mais recente é a Supercopa Rei deste ano, em que o Mané Garrincha, em Brasília, foi dividido pelas torcidas de Corinthians e Flamengo. Em 2023, pelo mesmo torneio, São Paulo e Palmeiras dividiram o Mineirão.

O principal argumento do projeto é que a torcida única não eliminou a violência, mas apenas a deslocou no espaço urbano, distanciando-se dos estádios. É citado o dado que indica queda nos conflitos após a implementação, mas com questionamento sobre a estatística.

“No período anterior à medida, cerca de 39,3% dos clássicos apresentavam registros de episódios de violência associados às partidas (em São Paulo). Após a implantação da política, esse percentual caiu para aproximadamente 10,7%, quando considerados exclusivamente os registros ocorridos dentro dos estádios ou em seu entorno imediato. Esse dado, isoladamente, poderia indicar êxito da medida. Contudo, o próprio estudo (que apresenta o dado) ressalta que tal redução não reflete a totalidade do fenômeno, pois os critérios de análise passam a excluir ocorrências verificadas fora do perímetro do evento esportivo”, escreve o projeto.

O documento ainda aborda o “direito de torcer” e as torcidas organizadas como forma de manifestação cultural. É reforçado que o Estado de São Paulo tem capacidade de gerenciar jogos com torcidas visitantes, apontando as atuações da Delegacia de Repressão aos Delitos de Intolerância Esportiva (Drade) e o 2º Batalhão de Choque da PM.

O movimento vai na contramão do que a Justiça de São Paulo discutiu no fim de 2024, após uma emboscada de palmeirenses a cruzeirenses, no quilômetro 65 da rodovia Fernão Dias, em Mairiporã (SP). Um torcedor do time mineiro foi morto.

Depois disso, o Juizado Especial de Defesa do Torcedor do Tribunal de Justiça de São Paulo discutiu estender a imposição de torcida única para clássicos do futebol nacional. A proposta era aplicar a medida para Palmeiras x Flamengo e Palmeiras x Cruzeiro, sempre quando o time alviverde for o mandante e esses jogos ocorrerem na capital paulista.

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