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27 de março de 2026

Vorcaro é suspeito de ser dono oculto da Entrepay, e liquidação deve impactar Mastercard e Visa


Por Agência Estado Publicado 27/03/2026 às 16h46
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As autoridades brasileiras suspeitam que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, era uma espécie de “dono oculto” da Entrepay, liquidada pelo Banco Central nesta sexta-feira, 27. O diretor da instituição, Antônio Carlos Freixo Júnior – que teve a indisponibilidade dos bens decretada – é visto nos bastidores como um operador que usava a infraestrutura do conglomerado em benefício de Vorcaro.

Em nota, o Grupo Entre, controlador das instituições ligadas à Entrepay que foram liquidadas, negou que Vorcaro atue como sócio oculto das empresas. “Não existe qualquer vínculo societário, de controle ou governança entre o empresário e a companhia”, disse (leia mais abaixo).

Segundo pessoas que acompanham as investigações, as suspeitas são de que as relações de Vorcaro com a Entrepay seguiam o mesmo modelo das ligações entre o Banco Master e a Reag Investimentos.

Uma série de fundos da gestora foi usada em esquemas de fraude e lavagem de dinheiro envolvendo o ex-banqueiro. Essas ações são investigadas pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero.

Antônio Carlos Freixo Júnior foi alvo da segunda fase da operação, que investigava as relações entre o Master e a Reag. Ele também foi um dos acusados – junto com o próprio Vorcaro – em um processo da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que apura irregularidades na emissão e distribuição de cotas de fundos de investimento fechados. Em dezembro, a CVM rejeitou uma proposta de acordo para encerrar o processo.

A liquidação da Entrepay levou em consideração não apenas o comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, mas também a “infringência às normas que disciplinam sua atividade” e “prejuízos que sujeitam a risco anormal seus credores”, como informou o BC em nota. Essa infringência de normas está relacionada justamente às investigações sobre o ecossistema do Master.

Vorcaro está preso desde 4 de março, quando foi deflagrada a terceira fase da Compliance Zero, investigando a existência de quatro núcleos com funções específicas na estrutura criminosa em torno do banqueiro. Atualmente, ele negocia a possibilidade de um acordo de delação premiada.

Liquidação pode impactar Mastercard e Visa

A liquidação extrajudicial da Entrepay pode ter impacto para bandeiras de cartão, uma vez que a empresa servia como adquirente. Segundo apurou o Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), Mastercard, Visa e o próprio Nubank têm alguma exposição à Entrepay. Os efeitos ainda estão sendo avaliados.

A Visa afirmou que está ciente da decisão do Banco Central e que atua de forma próxima e colaborativa com a autoridade monetária para “apoiar a adequada execução das medidas cabíveis, em conformidade com a Lei do Repasse e a regulamentação aplicável, visando assegurar que os recursos sejam corretamente destinados aos estabelecimentos comerciais”.

Em nota, a Visa disse que, como instituidora de arranjo de pagamentos, “reforça seu compromisso com a estabilidade, a segurança e a integridade do ecossistema de pagamentos”. Emenda que segue empenhada em contribuir para um ambiente de pagamentos sólido, transparente e confiável, em linha com a regulação vigente e as melhores práticas de mercado.

Também por meio de nota, o Nubank afirma que já encerrou as operações com a Entrepay, e que a liquidação da empresa nesta sexta-feira pelo Banco Central é um “caso isolado em uma única credenciadora, sem impacto material para a companhia”.

“Como parte de seus processos de revisão, o Nubank encerrou as operações com a Entrepay, originadas dentro de um arranjo de pagamentos regulamentado, com salvaguardas operacionais e jurídicas específicas. Trata-se de um caso isolado em uma única credenciadora, sem impacto material para a companhia”, diz o Nubank, em nota.

Procurada, a Mastercard ainda não respondeu.

Em contrapartida, não haverá impacto para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Por se tratarem de instituições de pagamento e sociedade de crédito direto, as entidades liquidadas não têm captação por meio de instrumentos garantidos.

Segundo pessoas a par do assunto, não haverá qualquer impacto para o sistema como um todo. O próprio BC informou que o conglomerado Entrepay era de pequeno porte, enquadrado no segmento 4 (S4) da regulação prudencial, com apenas 0,009% do ativo total do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

Processo para descontinuar operações

O BC liquidou três empresas do conglomerado Entrepay nesta sexta-feira: Entrepay Instituição de Pagamento S.A., Acqio Adquirência Instituição de Pagamento S.A. e Octa Sociedade de Crédito Direto S.A.

Em nota, o Grupo Entre afirma que tomou conhecimento da liquidação e que vinha conduzindo um processo para descontinuar as operações das entidades. Segundo a empresa, essa ação refletia um contexto de “revisão estratégica do seu portfólio de negócios”, com foco na transição ordenada das atividades e no cumprimento das obrigações assumidas e na preservação da continuidade operacional no período.

“O Grupo Entre reafirma seu compromisso com a colaboração integral com as autoridades competentes, prestando todos os esclarecimentos necessários e acompanhando os desdobramentos do processo de liquidação dentro dos canais institucionais apropriados, de forma também a mitigar impactos a clientes, parceiros e demais públicos relacionados”, diz a nota. “O Grupo Entre possui outros negócios que seguirão seu curso normalmente.”

A empresa afirma ainda que a decisão de liquidação extrajudicial da Entrepay foi “adotada pelo Banco Central no âmbito de suas competências legais, conforme comunicado público, e está sendo acompanhada pela empresa dentro dos canais institucionais apropriados”. “A companhia reafirma seu compromisso com a transparência, a colaboração com as autoridades e a correção de informações que possam gerar interpretações equivocadas sobre sua estrutura ou atuação”, afirma.

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