Sancor vai trocar Maringá por Londrina? Entenda como está a negociação após adeus à Superliga de Vôlei
A permanência do Sancor Maringá na Cidade Canção segue em discussão. Na última semana, o time enviou um novo detalhamento da proposta que pleiteia o apoio da Prefeitura de Maringá com recursos financeiros, mas ainda não recebeu retorno.
O Sancor Maringá pede o repasse de R$ 500 mil por ano, que seriam direcionados para os custos operacionais da equipe. Após uma reunião com a administração municipal, que contou com aceno positivo do prefeito Silvio Barros, a proposta formal foi protocolada no dia 27 de março.
O prazo prometido pela Prefeitura para dar um parecer sobre a proposta se encerrou na última segunda-feira, 30. Na ocasião, a administração do município pediu mais detalhamentos do projeto, que foram enviados e ainda não tiveram uma devolutiva. As conversas entre Prefeitura e Sancor Maringá estão paralisadas e sem prazo estabelecido para uma definição. A Prefeitura de Maringá foi procurada pela reportagem, mas ainda não houve retorno.

A reivindicação da equipe de vôlei feminino junto ao município de Maringá se deu após uma proposta da Prefeitura de Londrina para que o time se transferisse para a cidade vizinha, a fim de representá-la na próxima edição da Superliga. A proposta de Londrina engloba a disponibilização de toda a estrutura necessária, além de incentivo financeiro “muito maior que o pedido pelo time à Prefeitura de Maringá”, segundo o técnico e gestor Aldori Junior. Os valores, no entanto, não foram revelados.
Atualmente, a administração de Maringá não realiza nenhum repasse à equipe profissional de vôlei. O auxílio, no valor de R$ 450 mil anuais, é repassado à Amavôlei, projeto social que atende mais de 400 crianças na cidade e funciona como categorias de base do time profissional.
À reportagem, a Prefeitura de Londrina afirmou que não estabeleceu um prazo para o Sancor Maringá responder à proposta de transferência, e que segue aguardando as definições entre time e Prefeitura de Maringá.
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Esportivamente, o Sancor Maringá já iniciou o planejamento para a próxima temporada. Na sexta-feira, 3, a equipe foi superada pelo Minas nas quartas de final da Superliga, e deu adeus à competição.
Torcida pede resposta da Prefeitura
Na partida derradeira contra o Minas, mais de 3.700 torcedores estiveram nas arquibancadas do Ginásio Chico Neto e se manifestaram pela permanência da equipe na cidade com gritos e cartazes.
Além do “Fica, Maringá”, algumas mensagens indiretas pediram “respeito” ao time. Nas redes sociais, o Sancor Maringá publicou algumas fotos com as reivindicações da torcida, mas não citou o imbróglio diretamente.


Secretário de Esportes é criticado
Em meio às discussões, o secretário de Esportes e Lazer de Maringá, Paulo Biazon, se envolveu em uma polêmica com internautas nas redes sociais. Taxado como ausente na negociação entre time e Prefeitura, o secretário fez uma postagem enaltecendo seu trabalho com o esporte maringaense, afirmando compromisso com a cidade.
Nos comentários, torcedores passaram a criticar Biazon, cobrando um posicionamento e maior efetividade na negociação para que o time não saia de Maringá. O secretário rebateu alguns comentários e, em um deles, afirmou: “ainda bem que esporte não é só vôlei!”.
Biazon foi acusado por “deixar o vôlei de lado” e ser um dos responsáveis pela deficiência estrutural do Ginásio Chico Neto. O secretário também não esteve presente na coletiva de imprensa convocada por Aldori Junior, no dia 26 de março, por estar em viagem acompanhando um campeonato juvenil de karatê. Na coletiva, a Secretaria de Esportes foi representada pelo diretor técnico Alison Pereira.
Por que o Sancor Maringá pede apoio da Prefeitura de Maringá?
Atualmente, a receita do Sancor Maringá é decorrente de patrocínios privados. Com esse orçamento – um dos mais baixos da Superliga -, a equipe paga os salários das atletas e dos funcionários e todos os custos operacionais. O time também conta com parcerias institucionais que fornecem materiais e serviços.
A reivindicação da equipe perante à Prefeitura é para o apoio financeiro que possa custear a operação, que engloba os gastos com transporte, logística, hospedagem, alimentação, fisioterapia e outros. Com o recurso público, a diretoria do Sancor Maringá passaria a remanejar a receita de patrocínio, direcionando-a para o pagamento de funcionários e maior investimento na equipe.
— A gente busca a parte operacional. A nossa tem um custo relativamente baixo, mas que a gente tira do que a gente tem de patrocínio para pagar o operacional e a gente não consegue onerar e fazer toda a estrutura com os nossos profissionais, com a nossa infraestrutura. E é isso que nós estamos buscando da Prefeitura para poder ficar aqui em Maringá. […] Com o valor que eu gasto com essas estruturas, eu consigo remanejar do patrocínio para pagar os nossos profissionais. […] Hoje nós tiramos do que a gente poderia investir numa equipe, até melhorar e reforçar nossa equipe, para manter com o mínimo os nossos profissionais e a nossa estrutura — explicou Aldori Junior.

O time de vôlei conta com aproximadamente 17 funcionários que, segundo o técnico, têm o trabalho no clube como um segundo emprego, recebendo uma ajuda de custo pela atividade.
— Todo mundo aceitou trabalhar por esse valor muito pequeno por um sonho. Isso foi crescendo, foi se consolidando, passou-se para o segundo ano e os profissionais continuaram acreditando que mais pra frente a gente ia conseguir se consolidar, se organizar. E nós estamos há cinco anos numa competição que é a maior do Brasil, de esporte olímpico, que é uma das maiores do mundo e nós profissionais continuamos trabalhando com ajuda de custo — disse o treinador.
— Queremos condições mínimas de trabalho para os nossos profissionais. […] Nós temos muito a intenção de ficar aqui em Maringá.


