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22 de abril de 2026

Taxas têm firme alta com impasse nas negociações entre EUA e Irã


Por Agência Estado Publicado 22/04/2026 às 18h14
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A curva a termo ganhou inclinação no pregão da volta do feriado de Tiradentes (terça, 21), com alta expressiva nos vencimentos médios e longos. O principal indutor da piora veio novamente da disparada do petróleo, que retornou ao patamar de US$ 100 o barril em meio ao impasse nas negociações de paz entre Estados Unidos e Irã. Como fator de pressão adicional, a oferta de 1,5 milhão de títulos atrelados à inflação pelo Tesouro Nacional, totalmente aceita pelo mercado, também contribuiu para acentuar o aumento das taxas mais longas.

Encerrados os negócios nesta quarta, 22, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 subiu de 13,933% no ajuste de segunda-feira, 20, para 14,01%. O DI para janeiro de 2029 avançou a 13,305%, vindo de 13,166% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2031 fechou em 13,405%, de 13,26% no ajuste.

O contrato do petróleo tipo Brent para junho, referência para a Petrobras, voltou a superar os US$ 100. O barril encerrou a sessão com valorização de 3,5%, cotado a US$ 101,91, impulsionado pela continuidade do bloqueio no Estreito de Ormuz e pela dificuldade para que Washington e Teerã avancem em uma resolução para o confronto.

Com expectativa de que ocorresse nesta semana, uma nova rodada de tratativas entre os dois países foi cancelada, uma vez que os iranianos não haviam confirmado sua participação até ontem. Assim, o presidente dos EUA, Donald Trump, estendeu o cessar-fogo com o país persa até que representantes do Irã apresentem uma proposta.

Nesta tarde, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, disse que a quebra de compromissos, o cerco e as ameaças são os principais obstáculos à negociação. Já a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que o governo Trump segue esperando resposta dos iranianos para as conversas, mas divisões internas na liderança do Irã dificultam uma mensagem unificada.

“Mesmo que haja algum otimismo com a postergação do prazo do cessar-fogo, há ceticismo sobre a resolução do conflito, enquanto o impasse permanece e o estreito continua fechado”, aponta Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset. Costa observa que o dia de hoje também foi marcado por escalada das tensões na rota estratégica.

Nesta madrugada (horário de Brasília), a Guarda Revolucionária do Irã abriu fogo contra um navio cargueiro do Reino Unido no estreito. De acordo com a Reuters, três porta-contêineres foram atingidos por disparos hoje no local, e a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC, na sigla em inglês) informou que apreendeu duas embarcações na passagem, por onde escoa um quinto do petróleo mundial.

“Se o estreito fica fechado, os preços do petróleo continuam altos. Há consequências sobre o mercado de energia, de fertilizantes, mais inflação e mais juros”, diz Costa, para quem a possibilidade de um corte de 0,5 ponto da Selic na reunião de abril do Comitê de Política Monetária (Copom) voltou a ser improvável. “Teria que haver uma melhora importante do cenário para isso, o que dificilmente vai acontecer nas próximas semanas.”

A curva futura precificava neste fim de tarde praticamente 100% de chance de redução de 25 pontos-base do juro no encontro dos dias 28 e 28 de abril do Copom. Para o fim de 2026, a taxa projetada pela curva a termo está em 13,60%. Os cálculos são de Flávio Serrano, economista-chefe do banco BMG.

Do lado da oferta, o Tesouro vendeu integralmente o lote de 1,5 milhão de Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B) ofertado, sendo que, destas, 500 mil tinham como vencimento maio de 2055 – primeiro certame deste vértice no segundo trimestre, observa Luis Felipe Vital, estrategista de Macro e Dívida Pública da Warren Investimentos. O papel para 2055 não era ofertada desde os leilões “off-the-run” de 2025, nota Vital, o que contribui para uma demanda maior pelo papel.

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