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02 de maio de 2026

33 municípios do Paraná faturam mais de R$ 1 bilhão com o agronegócio; veja a lista completa


Por Thiago Danezi Publicado 02/05/2026 às 08h22
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Mesmo cidades com população reduzida têm papel relevante no agronegócio do Paraná. Um dos destaques é Castro, nos Campos Gerais, que ocupa a 3ª posição no ranking estadual. Foto: Jaelson Lucas/AEN

O agronegócio segue como um dos principais motores da economia do Paraná e reforça sua força no cenário nacional. Dados do Departamento de Economia Rural (Deral) mostram que o Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária do estado alcançou R$ 188,3 bilhões em 2024, impulsionado por centenas de atividades agrícolas e pecuárias distribuídas em todas as regiões.

O levantamento também revela um dado impressionante: 33 municípios paranaenses ultrapassaram a marca de R$ 1 bilhão em VBP, consolidando o interior do estado como protagonista na geração de riqueza no campo.

O município de Toledo reafirmou sua força no agronegócio e manteve a liderança estadual no Valor VBP. Com um desempenho que alcançou exatamente R$ 4.720.354.755,04 na safra 2023/2024, a cidade conquistou o primeiro lugar pelo 12º ano consecutivo. O volume representou um crescimento de 2,79% em relação ao ciclo anterior.

Desde que a série histórica começou, em 1997, Toledo figurou no topo do ranking estadual em 26 das 28 edições — foi desbancada apenas em 2009 e 2012, por Castro, que hoje ocupa a terceira posição, com R$ 3.620.285.888,11.

O desempenho bilionário de Toledo é puxado principalmente pelas cadeias da suinocultura e da avicultura, que juntas respondem por cerca de 82,28% do VBP municipal. A suinocultura lidera com R$ 1.854.573.702,23, o equivalente a 40,93% do total, enquanto a avicultura movimentou R$ 1.150.573.373,95, representando 25,06%.

Na agricultura, culturas estratégicas como soja e milho, fundamentais para a produção de ração, também têm papel decisivo. Foram 254.520 toneladas de soja comercializadas, gerando R$ 500.513.580,00 (10,90%), além de 613.060 toneladas de milho vendidas por R$ 378.025.560,00 (8,23%).

Municípios menores ganham protagonismo no agro

Mesmo cidades com população reduzida têm papel relevante no agronegócio do Paraná. Um dos destaques é Castro, nos Campos Gerais, que ocupa a 3ª posição no ranking estadual, com R$ 3,6 bilhões em VBP, puxado principalmente pela produção de leite bovino.

Na região de influência de Maringá, municípios também aparecem entre os bilionários do agro. Ubiratã, com menos de 25 mil habitantes, soma cerca de R$ 1,2 bilhão em produção, com destaque para o frango de corte. Já Cianorte, com menos de 100 mil moradores, também ultrapassa R$ 1,2 bilhão, impulsionada pela avicultura.

Outras cidades da região reforçam esse cenário, como Astorga, Paranavaí e Umuarama, todas com cerca de R$ 1 bilhão em VBP, com atividades que vão do frango de corte à citricultura e pecuária bovina.

Como é calculado o Valor Bruto da Produção

De acordo com a economista Larissa Nahirny, do Deral, o cálculo do VBP leva em consideração dois fatores principais: o volume produzido e o preço recebido pelo produtor rural.

“São mais de 300 culturas que a gente levanta, incluindo lavouras, pecuária e setor florestal. A partir da produção estimada e dos preços de comercialização recebidos pelo produtor, fazemos a multiplicação que indica o valor gerado no campo”, explicou em reportagem anterior ao GMC Online.

Os preços são monitorados semanalmente para produtos de maior relevância, enquanto técnicos acompanham o desenvolvimento das lavouras ao longo do ano. O valor final considera apenas o que é produzido dentro da propriedade rural, sem incluir industrialização.

Agro do Paraná é diversificado, mas concentrado

Apesar da diversidade, poucas cadeias produtivas concentram a maior parte da renda no campo paranaense. Entre os principais destaques estão:

  • soja
  • frango de corte
  • cana-de-açúcar
  • produção florestal
  • leite bovino
  • bovinos de corte

Segundo a economista, fatores como clima, solo, cooperativismo e infraestrutura ajudam a explicar a predominância dessas atividades. “O produtor tende a investir nas atividades que oferecem maior retorno econômico. Além disso, fatores como clima, solo e a presença de cooperativas e indústrias acabam favorecendo determinadas culturas em cada região”, explica Larissa.

Ranking: cidades do Paraná com mais de R$ 1 bilhão no agro

O ranking é liderado por municípios do Oeste e dos Campos Gerais, regiões com forte presença de cooperativas agroindustriais.

Confira a lista completa:

  • Toledo — R$ 4,72 bilhões (suínos de corte)
  • Cascavel — R$ 3,63 bilhões (soja)
  • Castro — R$ 3,62 bilhões (leite bovino)
  • Santa Helena — R$ 2,48 bilhões (frango de corte)
  • Guarapuava — R$ 2,33 bilhões (soja)
  • Carambeí — R$ 2,32 bilhões (leite bovino)
  • Marechal Cândido Rondon — R$ 2,17 bilhões (frango de corte)
  • Dois Vizinhos — R$ 2,02 bilhões (frango de corte)
  • Assis Chateaubriand — R$ 1,85 bilhão (frango de corte)
  • São Miguel do Iguaçu — R$ 1,78 bilhão (frango de corte)
  • Nova Aurora — R$ 1,77 bilhão (frango de corte)
  • Tibagi — R$ 1,62 bilhão (soja)
  • Palotina — R$ 1,62 bilhão (frango de corte)
  • Francisco Beltrão — R$ 1,60 bilhão (frango de corte)
  • Piraí do Sul — R$ 1,53 bilhão (soja)
  • Lapa — R$ 1,41 bilhão (soja)
  • Arapoti — R$ 1,40 bilhão (leite bovino)
  • Prudentópolis — R$ 1,35 bilhão (soja)
  • Palmeira — R$ 1,31 bilhão (soja)
  • Ubiratã — R$ 1,28 bilhão (frango de corte)
  • Cafelândia — R$ 1,25 bilhão (frango de corte)
  • Londrina — R$ 1,25 bilhão (soja)
  • Cianorte — R$ 1,24 bilhão (frango de corte)
  • Missal — R$ 1,18 bilhão (suínos de corte)
  • Medianeira — R$ 1,11 bilhão (frango de corte)
  • Ponta Grossa — R$ 1,10 bilhão (soja)
  • Astorga — R$ 1,09 bilhão (frango de corte)
  • Itaipulândia — R$ 1,06 bilhão (frango – recria)
  • Nova Santa Rosa — R$ 1,05 bilhão (suínos de corte)
  • Corbélia — R$ 1,05 bilhão (frango de corte)
  • Pinhão — R$ 1,03 bilhão (soja)
  • Paranavaí — R$ 1,01 bilhão (laranja)
  • Umuarama — R$ 1,00 bilhão (bovinos de corte)

Maringá fica fora do grupo bilionário

Apesar de sua relevância regional, Maringá aparece abaixo desse grupo, com R$ 356,5 milhões em VBP. A soja lidera a produção local, somando R$ 149,4 milhões, cerca de 42% do total.

Projeção é de crescimento acima de R$ 200 bilhões

A expectativa para a próxima safra é positiva. Após perdas causadas por estiagens em 2024, principalmente na soja, o setor já apresenta recuperação.

“Já está consolidado que houve uma recuperação bem expressiva da produção de grãos. Só esse fator deve acrescentar cerca de R$ 10 bilhões ao resultado final”, destacou a economista do Deral, Larissa Nahirny.

Com isso, a projeção é que o Valor Bruto da Produção do Paraná ultrapasse a marca de R$ 200 bilhões, reforçando ainda mais o protagonismo do estado no agronegócio brasileiro.

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