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12 de maio de 2026

Taxas de juros sobem sem perspectiva de fim da guerra e de olho em dados de inflação


Por Agência Estado Publicado 12/05/2026 às 18h17
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Os juros futuros negociados na B3 encontraram mais espaço para avançar no pregão desta terça-feira, 12, mesmo após a disparada observada na segunda-feira com a frustração nas negociações entre Estados Unidos e Irã para encerrar a guerra no Oriente Médio.

A continuidade do impasse no conflito seguiu pressionando as cotações do petróleo e as curvas de juros globais, ao mesmo tempo em que dados de inflação domésticos e dos EUA mostraram comportamento preocupante de dados qualitativos, ainda que ambos os números cheios tenham vindo em linha com as expectativas. O saldo de todos os fatores para a curva a termo foi de ganho de inclinação, ao passo que, no curto prazo, o desafio para os bancos centrais na condução da política monetária parece ter ficado maior, inclusive no Brasil.

No final da tarde, o mercado de opções digitais de Copom apontava 30% de probabilidade de manutenção da Selic nos atuais 14,50% na reunião de junho do colegiado, vindo de 27% na segunda, ante 65% de chance de redução de 0,25 ponto. Já a taxa terminal de 2026 precificada pela curva futura estava em 14%, praticamente a mesma da véspera (13,95%).

No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 avançou a 14,115%, de 14,108% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2029 subiu de 13,689% no ajuste de segunda para 13,75%. O DI para janeiro de 2031 aumentou de 13,763% no ajuste a 13,815%.

Com a perspectiva de maior risco geopolítico dando o tom dos negócios, os contratos futuros de petróleo encerraram a sessão com alta de cerca de 4%. O barril do Brent para julho, que serve de referência para a Petrobras, terminou cotado a US$ 107,77 o barril, reagindo ao temor de uma interrupção prolongada do fluxo no Estreito de Ormuz, na medida em que o confronto no Golfo Pérsico persiste.

“Nesta terça, o que premiou mesmo a curva foi a falta de avanço em relação às condições da guerra e a percepção de que isso vai se arrastar por um longo período de tempo”, afirmou Igor Campos, gestor de renda fixa da Armor Capital. “Nem o governo Trump nem o Irã querem ceder e ficamos nesse estado de espera. E a cada dia que não reabrem Ormuz, é oferta de petróleo que se perde, o que implica em preços mais altos no futuro”, disse.

Campos observa que, considerando a abertura dos retornos dos Treasuries e também de títulos soberanos de outros países, como o Reino Unido, por exemplo, o mercado local de renda fixa não teve comportamento tão negativo nesta terça. Na segunda, porém, quando as taxas intermediárias e longas chegaram a disparar 16 pontos-base, os DIs operaram acima do que a sensibilidade da curva futura às oscilações globais sugeria, destacou.

Reforçando a tendência de aversão a risco, o índice de preços ao consumidor dos EUA (CPI, na sigla em inglês) veio dentro das estimativas ao aumentar 0,6% em abril ante março, e 3,8% na comparação anual, mas trouxe pressão no núcleo. A medida de ‘core’ teve variação mensal de 0,4%, considerada forte por analistas.

De acordo com Stephen Brown, economista-chefe para América do Norte da Capital Economics, o avanço do núcleo se deveu em grande parte ao salto do item “aluguel equivalente do proprietário” e a nova elevação das passagens aéreas. “Ainda assim, as pressões de inflação subjacente em outros segmentos seguem um pouco fortes demais para conforto”, aponta Brown.

Por aqui, nota Campos, da Armor, coincidentemente, o IPCA de abril mostrou dinâmica semelhante. O indicador oficial de inflação veio exatamente em linha com o consenso de mercado, ao desacelerar para 0,67%, mas o aumento da média dos cinco núcleos de inflação na passagem mensal, de 0,43% a 0,49%, foi “marginalmente pior”, avaliou.

“A desaceleração mensal do IPCA ocorreu em meio a uma deterioração relevante nas métricas de núcleo, mesmo antes de todos os choques diretos dos preços do petróleo terem tido a chance de se materializarem. Vemos riscos crescentes de alta para nossa projeção de Selic de 13,50% no fim do ano”, alertou o economista-chefe para Brasil do Barclays, Roberto Secemski.

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