Exclusivo: Aldori Junior revela detalhes da negociação do Sancor Vôlei com a Prefeitura de Maringá e dá sua versão dos fatos
Há 17 dias, o Sancor Vôlei oficializou sua saída de Maringá e a ida para Londrina, onde jogará a próxima edição da Superliga Feminina. Foram quase dois meses de negociação entre o time e a Prefeitura de Maringá, buscando soluções para a permanência na cidade.
O período envolveu figuras políticas, debates públicos, notas institucionais e, principalmente, versões divergentes dos fatos segundo cada envolvido no imbróglio e a cada novo fator que surgia nos debates.
Com a confirmação da transferência, a Prefeitura de Maringá divulgou uma nota detalhando os fatos da negociação em ordem cronológica, de acordo com a ótica da administração pública. Confira neste link.
O GMC Online, então, procurou o técnico e gestor do Sancor Vôlei, Aldori Júnior, para o time apresentar sua versão da narrativa. Aldori relembrou cada etapa da negociação, os motivos que o levaram a seguir adiante com a mudança e revelou mágoas com a forma como se deu a transferência de cidade.
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O treinador ainda confirmou que as atletas estavam com salários atrasados da última temporada e que a dívida do time alcançava R$ 300 mil.

Confira a entrevista de Aldori Júnior na íntegra:
Vocês revelaram a proposta de Londrina no dia 25 de março, com a nota oficial. A Prefeitura de Maringá já estava sabendo da situação antes da divulgação? E por que vocês decidiram soltar a nota naquele momento?
— Na verdade, a gente recebeu a proposta um pouco antes, e antes de soltar a nota oficial foi muito bem conversado com a administração. Quando a gente recebeu a proposta, naquele momento, eu ainda nem cogitava a possibilidade [de mudança]. Nos veio a proposta e nós fomos até a sala do secretário de esportes, passamos que a gente recebeu a proposta, mas que a nossa intenção era continuar aqui, mas que a gente precisava de um apoio mínimo para que tivesse a viabilidade do time estar aqui.
Você falou que não imaginava a proporção que o caso tomou. Vocês se arrependeram de alguma forma de soltar a nota daquela forma?
— Não, a gente não se arrependeu porque acho que o mais importante naquele momento foi a transparência com o torcedor. Houve a proposta. Quando a gente trouxe para cá e a gente viu que talvez existiria a possibilidade de não ter uma resposta positiva aqui, a gente fez questão de já informar todo o torcedor, porque começou a existir a possibilidade real de ir para Londrina.
Na primeira reunião após a divulgação da proposta de Londrina, qual foi a primeira resposta da Prefeitura de Maringá?
— Que eles iriam analisar. O que estivesse dentro do alcance deles, eles iriam fazer. Mas que se eles achassem que não poderiam atender, eles não queriam atrapalhar o time e que a gente tinha que seguir o nosso caminho.
O time manteve contato com Londrina durante todo o período? A proposta foi aceita em fevereiro? Esperava-se uma contrapartida de Maringá?
— Não, lá em Londrina, quando eles fizeram a proposta, foi informal no ginásio e a gente trouxe para cá. Logo após a reunião aqui, a gente marcou uma reunião para ouvi-los formalmente. Nós ouvimos, eu agradeci a oportunidade, agradeci a proposta deles e falei que a gente ia analisar internamente. Pedi um prazo para eles até o final da Superliga [3 de maio].
Londrina modificou a proposta durante as negociações?
— A prefeitura manteve a proposta, mas o prefeito foi atrás de um grupo de empresários e foi unindo forças para melhorar a proposta. Ele usou esse tempo para fortalecer a proposta no final da Superliga.
Existiu algum tipo de pressão?
— Não, sempre respeitaram, porque eu sempre deixei muito claro, estava muito focado no meu trabalho, não podia tirar o foco da Superliga para resolver questões administrativas.
Em uma coletiva de imprensa, você revelou que pediu R$ 500 mil anuais para a Prefeitura de Maringá. Quais foram os detalhes deste pedido?
— Todo ano a gente tem muita atividade para manter a nossa comissão técnica, principalmente. A gente acaba tirando de orçamentos, eles recebem em bolsa, eles trabalham na base e no adulto, então os valores que a gente paga não são suficientes para um profissional viver. E realmente todos eles, todos nós temos que exercer mais de uma função. Eu trabalho na Seleção Brasileira, na Seleção Paranaense e na Amavolei. Eu não recebo nada na Amavolei, eu sou voluntário, de 8 a 10 horas por dia. Já recebi há dois anos, eu trabalhava na base e recebia a bolsa da prefeitura, mas agora como coordenador eu não recebo. Era para eu ter o salário, mas como não tem a entrada suficiente de dinheiro, a primeira pessoa que tem que tirar é a minha.
— [Os R$ 500 mil] eram para fortalecer. Era para que o patrocínio pagasse as atletas e esses R$ 500 mil a gente tivesse uma estrutura melhor na Superliga. Só nós sabemos o que acontece nos bastidores. Por exemplo, as equipes viajam e ficam num hotel, em determinado hotel. A gente não. A gente viaja, a gente tem que buscar o mais barato naquela cidade. A gente não se alimenta no hotel. As meninas ficam no hotel e aí elas tinham que fazer as refeições em restaurantes mais baratos próximos, porque comer no hotel é mais caro. Então, assim, elas viajam, a gente chega, treina. Do treino tem que sair atrás do restaurante para depois voltar para o hotel. Isso interfere na performance, porque interfere no descanso, interfere na logística, no cansaço. Essas estruturas a gente não tinha condição de fazer por não ter condição financeira.
Isso envolvia também materiais de treino, melhoria da sala do Chico Neto, um centro de treinamento?
— O material de treino a gente teve de boa qualidade. O Chico Neto na parte de quadra, lá dentro, com o nosso tapete, com as bolas, era tudo muito bom. Então, a parte de treino lá embaixo era muito boa, que é a parte que me envolve mais no dia a dia. Mas, realmente, é toda essa logística. E, principalmente, eu volto a frisar que até saiu uma matéria que alguns profissionais não iriam. Todos vão. E foi unânime. Foi uma reunião e todo mundo falou “ou a gente muda de cidade, ou melhora aqui, ou para mim não dá mais”. Nós temos profissionais, que eu não vou citar nomes, que trabalhavam por R$ 500 por mês.
O time profissional nunca recebeu nenhum tipo de auxílio da prefeitura?
— Não recebeu. Para a Superliga, não. O que acontece? Todas as atletas da Superliga, elas têm que ser federadas por Maringá. Então, essa inscrição de federação é feita pela prefeitura, mas é para que as atletas que têm vínculo com o município possam jogar os jogos abertos do Paraná. Essa inscrição, sim, foi feita pela prefeitura.
Quando o secretário de Esportes Paulo Biazon foi sabatinado na Câmara de Vereadores, ele disse que a Amavolei recebia R$ 400 mil de forma indireta. Isso procede?
— Não existe, nunca recebemos nada de forma indireta. Ele falou dessa questão das inscrições, é somente isso mesmo da prefeitura. A inscrição custa R$ 250 por atleta. Por exemplo, o Sub-17 jogou agora em São José dos Pinhais. A prefeitura empresta o ônibus da Secretaria de Esportes, mas nós pagamos o motorista e nós pagamos o combustível.
As conversas com a Prefeitura de Maringá eram constantes, com os principais nomes da administração? Quem tomava a iniciativa?
— A gente ficou procurando, acho que a gente até ficou sendo chato. Porque eu vinha na secretaria, eu mandava mensagem para o assessor do prefeito, o tempo todo em cima. Então a gente manteve uma conversa, sempre que possível, a gente estava conversando com eles, tentando agendar, marcar, porque nós queríamos um “sim”. Umas três semanas antes, eu não sei a data precisa, tinha reunião aqui, para apertar a mão, para fechar aqui. Nessa reunião ainda não houve um aperto de mão. A resposta do prefeito foi “não, eu vou ver de onde eu vou conseguir, mas vai dar certo”.
Como o time encarou a demora da Prefeitura de Maringá por uma definição?
— Cada um tem sua forma de encarar. Eu prefiro entender que foram os trâmites da parte administrativa. Demorou, sim, para vir a resposta. Mas eu acredito que são os trâmites de saber de onde ia vir o dinheiro, como que ia vir. Eu acho que nós não somos ninguém para julgar o que acontece lá, até porque eles não sabem o que acontece aqui. Então eu prefiro acreditar que é porque realmente demorou para eles internamente conseguirem achar uma forma de ajudar.
O que ficou acordado com a Londrina?
— Eu entendo, respeito e acredito que todas as modalidades têm que ter seu espaço. Todas. Só que a Superliga é um pouco intensa e quando você fala do topo do topo da pirâmide, cada detalhe faz a diferença. Então, por exemplo, hoje o ginásio lá já está sendo preparado para a nossa chegada. 30 dias antes, já está sendo instalado o tapete e arrumando para que esteja pronto. Aqui, nós só podemos montar o tapete durante a competição. Então, nós temos que treinar e fazer toda a pré-temporada sem o tapete. Isso aumenta em muito índice de lesão porque este tapete é anti-impacto. Nós estamos falando de mulheres de mais de 1,90m que saltam 80 centímetros, 80 vezes por dia. Por exemplo, a gente tem jogo e precisa treinar, mas vai ter um evento no Chico Neto, a gente é tirado da quadra. A gente fica sem poder treinar dois ou três dias. Então, esse foi um compromisso que eu fiz a Prefeitura de Londrina assumir. Que nós teríamos mais espaço para treinamento.
Qual foi o valor oferecido por Londrina?
— Diretamente deles será um patrocínio de R$ 800 mil e mais uma premiação caso a gente vá para os playoffs. Através de patrocínios privados, serão mais R$ 2 milhões.
A prefeitura de Maringá sempre soube do valor oferecido por Londrina?
— No primeiro momento a gente falou que tínhamos uma proposta, que o valor da proposta era muito maior, mas que a gente não estava leiloando o projeto como foi dito. Não estava. A gente veio e passou o valor que nós queríamos para ficar aqui.
Por que vocês não pediram valor equivalente?
— Porque quando você vai mudar a estrutura, lá você vai ter mais gastos. Para eles [Londrina] oferecerem igual a gente tem aqui, já vai ser maior. Aqui está todo mundo dentro da sua casa, todo mundo mora aqui. Lá cada um vai ter que alugar um lugar para ficar, são muito mais gastos. Então na primeira conversa a gente só falou o valor que nós precisávamos para ter aqui.
Felipe Prochet, presidente da Fundação de Esportes de Londrina, falou da construção de um centro de treinamento. Isso ainda vai sair do papel ou já está encaminhada?
— Eles já estão fazendo a documentação da doação de um terreno de 17 mil metros quadrados. E eles vão construir nesse terreno um ginásio exclusivo para o vôlei que vai ficar pronto para a próxima temporada, e vai ocupar metade do ginásio. Na outra metade, esse grupo de empresários já está planejando a construção de um centro de treinamento. Duas quadras, academia, fisioterapia, alojamentos, tudo no mesmo espaço.
Você tem confiança na Prefeitura de Londrina oferecer toda essa estrutura prometida durante todo o tempo de contrato?
— A gente busca acreditar. Assim como a gente sempre acreditou aqui em Maringá, acredita em Londrina. A gente está indo para lá para que o sonho não morra. Você viver de um sonho em uma temporada é muito legal. Quando a gente entrou na Superliga nós entramos com o menor orçamento da história da Superliga. Então todo mundo achou que nós iríamos cair na primeira temporada. Todas as meninas moravam dentro de um apartamento só, uma república. Porque a bolsa mais alta que tinha era R$ 2 mil. Então não tinha condição de elas alugarem um apartamento cada. Nós, da comissão técnica, ganhávamos em torno de R$ 1,2 mil, para trabalhar todo dia. E a gente foi viver um sonho. Todas as pessoas envolvidas mais maduras e experientes falaram “não entra, vocês vão se arrebentar, é outro nível, vão passar vergonha”. A gente não tinha uniforme exclusivo, a gente mandava fazer em malharia. Tudo para baratear. Ia de ônibus quando dava, ficava em um hotel mais barato que existia. Mas a gente viveu esse sonho. E muito feliz. Eu vou dizer para você, fui muito feliz. A equipe que caiu fez 14 pontos, nós fizemos 15, então por um ponto não caímos. Na próxima temporada a gente cresceu um pouquinho. Mas mesmo assim, no segundo ano de sonho, conseguir melhorar um pouquinho para as meninas, porque a gente sabia que se não melhorasse iria cair. Mas para nós, da comissão técnica, poder trabalhar no dia a dia, nós estamos há cinco anos vivendo o sonho.
O time enxerga que houve um descaso das autoridades de Maringá com a situação?
— Descaso eu não digo, mas a gente nunca foi uma prioridade. É a forma de gerir do secretário de esportes, do Biazon. E como já disse, vocês não julguem, cada um tem sua forma de trabalhar. Ele entrou na secretaria com a filosofia de que todas as associações vão ter o mesmo espaço. Só para você entender, que eu acho muito importante a população entender quando ele fala “o vôlei recebe R$ 450 mil”. A gente não recebe R$ 450 mil. Tem R$ 450 mil destinados para a modalidade de voleibol. Aí eu vou citar, por exemplo, o professor do sub-19 ganha R$ 2.500 por mês. 10 parcelas. Dá 25 mil. Desconta. O professor do feminino, também. Desconta. O professor do sub-17 e do sub-15, são mais dois. Desconta. Então, desconta o valor da bolsa total. O atleta ganha uma bolsa de R$ 300. Desconta mais 3 mil reais da associação, que são 10 parcelas. Nós recebemos R$ 96 mil reais para o ano. Isso paga a alimentação da base, inscrições na federação, uniforme. O valor da prefeitura não paga 50% da base. A forma dele gerir é assim, ele até baixou o valor das principais associações, depois fez uma suplementação e continuou, mas subiu de outras associações. Então, para abraçar todas as modalidades, ninguém vai conseguir ser grande. Vai ficar tudo num nível mais abaixo. Você querer tratar todo mundo igual, você tem que entender a particularidade de cada uma. Um esporte individual que faz 3 ou 4 viagens por ano, viaja com dois atletas, o custo dele é muito menor. Agora, uma modalidade em que cada viagem é com 20 pessoas, o custo de alimentação, transporte, hospedagem, tudo é muito maior. Eu entendo que cada um tem sua forma de gerir, como eu disse, não existe certo ou errado, existe a forma que você enxerga e qual é o teu objetivo ali dentro.
Qual era o orçamento do time na última temporada?
— A gente chegou próximo, com todos os gastos no fechamento de conta, a R$ 2 milhões, oriundos de patrocínio. Foi o 11º da Superliga, enquanto o maior passa de R$ 15 milhões.
Com o próximo orçamento que vocês conseguiram, esses recursos serão repassados aos funcionários?
— O mercado de atletas já tinha fechado. A gente manteve o time, mas eu acredito que a gente vem com um time muito parecido para a próxima temporada. Pra brigar ali pelo meio da tabela e quem sabe surpreender. Mas realmente nós vamos contratar os profissionais. Por exemplo, o nosso fisioterapeuta trabalhava em outra clínica e só vinha atender aqui. Não que eles vão ser exclusivos, mas agora a principal atividade deles vai ser a nossa equipe.
Com toda a repercussão, empresas procuraram vocês para patrocínios em Maringá?
— Na verdade, o prefeito passou uma lista de empresas para que a gente fosse atrás. Ninguém veio até nós. Fora essa lista, ninguém chegou.
No dia 21 de março, o Biazon disse que falou que estava tudo certo entre as partes, e que a prefeitura iria aceitar o pedido do time. Nesse momento, vocês já tinham tomado a decisão de ir para Londrina?
— Vou detalhar isso. No dia 20, às 15h, eu procurei o Biazo, para avisá-lo de que, como a gente não tinha uma resposta, nós iríamos pra Londrina. Eu fui até a sala dele e conversamos. Ele sabe de alguns detalhes, por exemplo, que os nossos treinadores, que trabalham na base e também o adulto, estavam sem receber desde janeiro com o atraso do chamamento. Eu mostrei algumas mensagens dos funcionários me dizendo que iriam sofrer corte de água e luz e disse “eu não tenho condição de ficar segurando tudo isso”. O Biazon falou que entendia a situação e que essa pauta não poderia ser finalizada ali. Que então ele ia marcar com o prefeito, pra eu ir lá e avisar o prefeito que nós iríamos pra Londrina. Saí da reunião, entrei em contato com a diretoria e tomamos a decisão, “vamos para Londrina”. Liguei para Londrina, aceitei a proposta, apalavrei.
— O prefeito [Silvio Barros] não podia me receber, eu ia falar com um dos assessores dele, mas logo em seguida eles disseram que o prefeito iria conseguir uma agenda após às 18h. Eu já tinha avisado o Biazon do aceite. Confesso que foi um dia bem difícil pra mim. Estava muito emotivo, porque doeu no coração. Mas tomamos a decisão. Quando a gente chegou lá na prefeitura, tinha alguns membros da imprensa que tinham sido convidados por eles e a reunião começou em torno de 18h30. Nessa reunião foi a primeira vez que o prefeito falou “não sei de onde eu vou tirar, mas eu vou tirar [receita para vôlei], e eu garanto que o valor inicial que vocês pediram será atendido”. Porém, tudo já virou uma bomba relógio. Não tinha como dar uma garantia que esse dinheiro ia entrar. Fiquei três meses sem poder dar garantia para ninguém desse dinheiro. E aí, nos 45 do segundo tempo, eles disseram que sim.
— Eu me emocionei na reunião, porque eu contei pra ele tudo que cada um passava. Naquele momento eu já tinha dado a palavra para Londrina. E eu acredito que palavra não dá pra fazer curva. Eu demorei muito pra tomar a decisão. E a gente saiu da reunião. No outro dia nós nos reunimos com toda a nossa comissão técnica e falou “é assim, assim e assim, e agora o prefeito chegou”. E foi quando cada funcionário começou a fazer o seu relato. Agradeço o empenho que o prefeito fez. Eu vi uma movimentação muito grande dele para que a gente ficasse. Só que hoje a gente vai buscar algo maior. A gente vai buscar uma sustentabilidade aos nossos fornecedores. E foi quando a gente avisou que não ficaria.
Em relação à comissão e às jogadoras, todos foram unânimes em ir para Londrina?
— Todo mundo entende que não dá mais pra viver só do sonho, que tem que ter uma questão financeira. A comissão técnica que trabalha na base vai continuar aqui. Os que são específicos, vão embora. Foi bem dolorida a mudança pra nós. Ninguém sabe como eram as nossas viagens. Não conseguir pagar o hotel, ficar negociando. Isso só nós sabemos. Porque a gente sempre, graças a Deus e a união do nosso grupo, a gente nunca expôs nada pra ninguém. A gente sempre sofria calado ali. Já aconteceu a gente estar embarcando e não ser pago a van que ia buscar a gente no aeroporto.
A última nota da prefeitura de Maringá, após a conclusão da negociação, relatou que vocês retiraram o piso do ginásio Chico Neto no dia 3 de abril e o levaram para Londrina. Isso procede?
— Procede. O Vampeta, do futsal, me ligou em fevereiro. Ele alugou o tapete para um evento lá em Londrina, um evento do Falcão. O que acontece? O piso lá estava ruim. O Falcão teve um evento igual aqui em Maringá e eles queriam fazer o mesmo jogo em Londrina. O Vampeta me procurou e perguntou se eu alugava o piso. E por que a gente aluga o tapete? Porque nós fizemos o dinheiro. O tapete é do time. O tapete é cedido ao time, pela CBV [Confederação Brasileira de Voleibol]. Então não tem nada a ver, nem existia proposta de Londrina na época.
A equipe está com salários atrasados? Qual é o valor da dívida? Como se chegou a essa dívida?
— Existe sim. A gente tem um acordo com elas de quitar agora no começo de junho, antes do fair play. Porque se a gente não quitar, não joga na próxima Superliga. Realmente teve atrasos de repasse. A gente imagina um desenho de Superliga, só que a gente tem muito mais gasto pelo meio do caminho. Se acontece uma lesão, se acontece algo na viagem, coisas que não estão previstas, material que quebra… O último salário para as mulheres vai ser pago agora. A dívida chega a quase R$ 300 mil. E isso também foi um dos fatores para a transferência, para quitar essa questão dessa dívida. Que fique claro que a Prefeitura de Londrina não assumiu a dívida. Ela conseguiu apoio de patrocinadores para quitar a dívida e levar o time.
Como você começou no projeto de vôlei em Maringá?
— Eu vim pra cá em 2019 e o projeto era Campeonato Paranaense e Jogos de Juventude e Abertos, que é o que vai continuar até o futuro. E ele foi crescendo. Jogamos a Superliga C, jogamos a B, chegamos na A. Então ninguém imaginava um crescimento desse tamanho. O projeto cresceu maior do que a perna. O projeto cresceu muito rápido, sem dinheiro. Então não tinha como eu contratar alguém, não tinha como eu pagar alguém. Era um sonho mais meu sozinho e dos profissionais que trabalham diretamente. E agora que tem um grupo maior. Eu vim através do Dema, que foi meu treinador, quando ele realmente resolveu se afastar do vôlei, se aposentar. O Dema fez um trabalho sensacional aqui em Maringá.
