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13 de junho de 2026

10 meses depois, novos laudos revelam possível tortura em chacina dos quatro mortos de Icaraíma


Por Thiago Danezi Publicado 13/06/2026 às 17h28
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Foto: Arte GMC Online

Dez meses após a execução de quatro homens em uma propriedade rural de Icaraíma, no Noroeste do Paraná, novos documentos anexados ao processo podem mudar os rumos da investigação de um dos crimes de maior repercussão da região nos últimos anos. Laudos periciais com fotografias dos corpos, obtidos após meses de questionamentos por parte das famílias das vítimas, apontam indícios de possível tortura antes das execuções.

A atualização deste sábado, 13, foi confirmada ao GMC Online pela advogada das famílias das vítimas da chacina em Icaraíma, Josiane Monteiro, que acompanha o caso desde o início. Segundo ela, informações incluídas recentemente no processo contradizem versões apresentadas nos primeiros meses da investigação e levantam dúvidas sobre a dinâmica das mortes.

Logo após o desaparecimento dos quatro homens e a posterior localização dos corpos, a investigação apontava que eles poderiam ter sido mortos dentro do veículo onde parte dos vestígios foi encontrada. No entanto, testemunhos reunidos ao longo da apuração e novos elementos técnicos indicam outra possibilidade. Conforme pessoas ouvidas informalmente pelas famílias, ao menos parte das vítimas pode ter sido executada fora do automóvel.

Os corpos de Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Mariscal, Diego Henrique Affonso e Alencar Gonçalves de Souza Giron foram encontrados dias após o desaparecimento, enterrados em uma área rural em Icaraíma. O crime, desde o início, mobilizou forças policiais e ganhou enorme repercussão pela brutalidade e pelo cenário considerado complexo pelos investigadores.

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Diego Henrique Afonso (à esquerda), Robishley Hirnani De Oliveira (ao fundo), Rafael Juliano Marascalchi (no meio) e Alencar Gonçalves de Souza (à direita) — Foto: Reprodução

Segundo os novos laudos anexados ao processo, imagens periciais mostram sinais que podem indicar violência anterior às execuções. Em um dos corpos, os pés teriam sido encontrados amarrados com uma corda vermelha. Em outro, uma lesão em parte da orelha chamou a atenção dos peritos e passou a ser analisada como possível indício de agressão severa antes da morte.

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Laudos periciais com fotografias dos corpos, obtidos após meses de questionamentos por parte das famílias das vítimas, apontam indícios de possível tortura antes das execuções em Icaraíma. Foto: imagens obtidas pelo GMC Online

Por respeito às famílias, detalhes específicos sobre qual vítima apresentava cada ferimento não foram divulgados. Ainda assim, a inclusão das fotografias no processo provocou forte reação entre parentes dos mortos e representantes jurídicos, especialmente porque, durante boa parte das investigações, havia o entendimento público de que não existiam elementos que apontassem para tortura.

A advogada Josiane Monteiro questiona justamente o intervalo entre a produção dos laudos e a inclusão completa do material no processo. Segundo ela, anteriormente apenas documentos incompletos teriam sido disponibilizados, sem as chamadas fotos cadavéricas. A defesa das famílias afirma que solicitou diversas vezes acesso integral ao conteúdo técnico.

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Nos primeiros meses da investigação, uma das linhas defensivas ventiladas informalmente era a hipótese de legítima defesa, sustentando que o confronto teria ocorrido em razão de uma cobrança de dívida. Contudo, essa tese perdeu força diante dos indícios de emboscada apontados pela polícia, além da ocultação dos cadáveres em local distante da cena principal do crime.

A perícia já havia identificado anteriormente o uso de pelo menos cinco armas de calibres diferentes nas execuções, informação registrada nos laudos da criminalística. Agora, com os novos materiais anexados ao inquérito, familiares esperam que a investigação avance para esclarecer se houve sequestro, cárcere ou atos de tortura antes das mortes.

Enquanto isso, o caso segue sem a prisão dos principais suspeitos. Antônio Buscariollo, de 67 anos, conhecido como Tonhão, e o filho dele, Paulo Ricardo Costa Buscariollo, de 23 anos, permanecem foragidos desde agosto de 2025. Ambos são apontados como investigados centrais no caso e seguem sendo procurados.

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Antônio Buscariollo, de 67 anos, conhecido como Tonhão, e o filho dele, Paulo Ricardo Costa Buscariollo, de 23 anos, permanecem foragidos desde agosto de 2025. Foto: Reprodução

Na última semana, uma denúncia anônima levou equipes policiais até uma propriedade da família Buscariollo, em Vila Rica do Ivaí, após informações sobre uma possível confraternização familiar e eventual presença dos foragidos. A suspeita, no entanto, não foi confirmada durante a diligência.

Procurado pela reportagem do Obemdito, parceiro do GMC Online, no início do mês, o delegado responsável pelo caso, Thiago Andrade Inácio, afirmou que não existem novidades relevantes que possam ser divulgadas neste momento em razão do sigilo das investigações. Segundo ele, o último fato considerado relevante foi a prisão de Carlos Eduardo Buscariollo em outro procedimento, relacionado ao crime de tráfico de drogas.

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