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26 de junho de 2026

Promotor de SP pede que MPF investigue Corinthians: ‘Proteção de patrimônio cultural e social’


Por Agência Estado Publicado 26/06/2026 às 22h55
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O promotor Cássio Conserino, do Ministério Público de São Paulo, protocolou na quinta-feira, uma representação na qual pede que o Ministério Público Federal investigue irregularidades financeiras no Corinthians, conforme informado inicialmente pelo Uol. No documento, ao qual o Estadão teve acesso, ele argumenta que o tema é de interesse federal por se tratar da “proteção de um patrimônio cultural e social brasileiro”.

O texto detalha falhas graves em demonstrações financeiras, incluindo “maquiagem contábil” e “falta de transparência” em relação ao financiamento da Neo Química Arena junto à Caixa Econômica Federal.

Alega-se que a diretoria praticou gestão temerária ao desrespeitar normas de programas federais como o PROFUT e a Timemania, além de comprometer isenções fiscais da União. Daí a justificativa de Conserino para que o tema seja tratado com interesse federal. Ele defende que o clube é um patrimônio cultural, gerido com o auxílio de recursos, benefícios e instituições federais, sob risco devido à insolvência financeira.

Também reforça que o Corinthians está em processo avançado para se tornar oficialmente um patrimônio imaterial da cidade de São Paulo, o que corrobora a tese de que sua preservação e a lisura de sua gestão são questões que transcendem a diretoria do clube. O texto ainda aponta um conflito de interesses nos conselhos internos que aprovaram contas com ressalvas ignorando alertas de auditorias independentes.

Conserino lista irregularidades contábeis apontadas por uma auditoria independente da Parker Russell, como uma suposta pedalada contábil em que o clube teria registrado nas demonstrações de 2025 um desconto de R$ 593,3 milhões referente a uma transação com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional que só foi assinada em 2 de fevereiro de 2026.

Outro ponto destacado por ele são irregularidades relacionadas à Neo Química Arena. Ele afirma que o clube não apresentou demonstrações financeiras consolidadas, inclusive Fundos de Investimento Imobiliário (FII) se Fundos de Investimento em Participações (FIP) do estádio.

Fala, ainda, em maquiagem contábil, por causa de um valor de R$ 96 milhões registrado como “investimento” em fundo imobiliário que não reflete a realidade econômica da operação A auditoria concluiu que existe uma “incerteza patente” sobre a capacidade do clube de continuar suas operações devido à sua grave situação financeira

Além da Parker Russell, houve um consultoria da Ernest & Young que detectou pagamentos a terceiros não relacionados aos objetos contratuais e notas fiscais emitidas em numeração sequencial sem comprovação de serviços realizados, especificamente em contratos ligados à Arena.

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