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02 de julho de 2026

Millie Bobby Brown e Louis Partridge falam sobre ‘Enola Holmes 3’, Brasil e relacionamentos


Por Agência Estado Publicado 02/07/2026 às 08h00
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Millie Bobby Brown cresceu sob os olhos do público como a Onze, de Stranger Things, mas talvez tenha sido com a franquia Enola Holmes que ela aprendeu a liderar uma grande produção. O terceiro filme da saga chegou à Netflix nesta quarta, 1º, com tom mais maduro, como reflexo do amadurecimento de sua protagonista e de seu agora noivo Lorde Tewkesbury, interpretado por Louis Partridge.

Se o primeiro longa acompanhou Enola conhecendo o rapaz e desvendando seu primeiro mistério, e o segundo mostrou a garota se estabelecendo como detetive e proclamando seu amor, a terceira parte começa com os preparativos para o casamento em Malta, pequeno arquipélago no Mar Mediterrâneo.

Acontece que Enola descobre que seu irmão, Sherlock Holmes (Henry Cavill), está desaparecido, e seus planos viram de ponta-cabeça. O sumiço de Sherlock desencadeia uma série de mistérios que parecem envolver a família de Tewkesbury, o governo britânico e a arqui-inimiga da família Sherlock, Professora Moriarty (que, sim, é uma mulher interpretada pela atriz Sharon Duncan-Brewster).

Em entrevista ao Estadão, Millie Bobby Brown, de 22 anos, reforça como a trilogia nunca se esquivou de temas “mais sérios”, como a reforma eleitoral britânica e o movimento sufragista do século 19. A proposta do novo filme, porém, era trazer aspectos mais sombrios, abordando o impacto do colonialismo britânico por meio da história de Malta, cuja independência só veio em 1964.

“O terceiro tem um tema mais pesado, mais sério. Nós ainda não tínhamos falado sobre algo como guerra. É definitivamente mais maduro, mas não é como se nós tivéssemos medo disso. Eu adoro que o Jack Thorne tenha se aprofundado neste assunto”, afirma a atriz.

‘Enola Holmes 3’ aborda o colonialismo britânico e se aprofunda na mitologia de Sherlock

Thorne, que escreveu todos os filmes da franquia inspirado pelos livros de Nancy Springer, foi também roteirista de Adolescência, talvez o maior hit da Netflix em 2025. Para Enola Holmes 3, ele recrutou o colega responsável pela direção da série, Philip Barantini (antes dele, Harry Bradbeer dirigiu os dois primeiros longas).

“E eu li o roteiro e pensei: ‘Sabe de uma coisa? Isso pode ser divertido, pode ser um grande desafio’. É bem diferente. E eu disse: “Olha, se eu puder dar meu toque na franquia, sem alterá-la de forma alguma, mas para fazê-la parecer um pouco mais madura, com um pouco mais de suspense e um tom mais sombrio, então eu adoraria tentar”, conta Barantini.

Para o diretor, abordar o colonialismo não significa “mostrar a Grã-Bretanha de um jeito negativo, mas apenas para mostrar o que estava acontecendo naquela época, como as pessoas eram tratadas e como o povo maltês era tratado em seu próprio país”. Ele completa: “Acho que isso é bastante relevante para o que está acontecendo hoje também. Era muito importante contar essa história da maneira certa.”

Himesh Patel, que vive o Dr. Watson, se surpreendeu com o tom mais sombrio do filme quando leu o roteiro. “Eu realmente admiro todos os envolvidos na produção que quiseram entrar nestes assuntos. Eles entenderam o fato de que a Enola está crescendo e a realidade do mundo começa a pesar sobre ela. Como cineastas, eles não iam se esquivar de ser fiéis a isso porque torna a história ainda mais rica e poderosa.”

Com a participação de Watson e de Moriarty, brevemente introduzidos nos minutos finais de Enola Holmes 2, a franquia se aprofunda na mitologia de Sherlock Holmes. Patel, conhecido por Yesterday: A Trilha do Sucesso (2019), estudou o material original para criar sua própria versão de Watson, mas diz que o mais interessante deste filme é vê-lo longe de Sherlock.

“Foi bem emocionante interpretar uma versão que se passa em um mundo muito diferente de tudo o que já vimos antes. Ele é menos um assistente; na verdade, é mais um mentor e um amigo em quem Enola pode se apoiar e a quem ela pode recorrer. Achei isso uma dinâmica muito legal e foi muito divertido interpretar isso com a Millie”, explica.

Relacionamento de Enola e Tewkesbury enfrenta desafios

Barantini teve o desafio de balancear a violência com o romance e a comédia, inclusive com o recurso da quebra da quarta parede, marca registrada de Enola. Mas atribui esse balanço ao roteiro de Thorne e à própria Millie Bobby Brown, que é produtora do longa junto com o marido, Jake Bongiovi.

“Ela faz isso desde pequena e conhece a personagem melhor do que ninguém. Então, havia momentos em que estávamos no set e ela ficava tipo: ‘Ah, não, vou tentar outra coisa. Quero tentar isso. E eu dizia: Vai lá e faz. Faz o que você sente que é certo'”, diz.

Louis Partridge revela que um dos momentos mais românticos do filme, quando Tewkesbury faz uma trança no cabelo de Enola após uma briga, foi ideia de Millie. Para o ator, os momentos de conflito entre o casal protagonista são os que mais farão o público se conectar com a história.

“Se esse filme reflete nosso relacionamento como casal, nem tudo pode ser só diversão e brincadeira. É preciso passar por essa ruptura, como dizem, e depois se reconciliar. E é realmente lindo nos relacionamentos quando isso acontece, quando vocês se reconciliam e há uma conversa que muda tudo. Você se sente ainda mais próximo dessa pessoa”, diz o ator.

“Toda essa jornada é muito importante nos relacionamentos, mas dá um certo medo toda vez. Mas se você está com alguém legal, você consegue… É uma oportunidade para se conectar ainda mais. Isso existe nesse filme, e pareceu meio real”, completa.

Partridge, de 23 anos, foi alçado ao estrelato por Enola Holmes, em 2020. Desde então, participou de produções como A Casa Guinness (Netflix) e Disclaimer (Apple TV). Nos últimos anos, viveu um relacionamento bastante público com a cantora americana Olivia Rodrigo. O namoro, e o fim dele, são narrados por ela no disco You Seem Pretty Sad for a Girl So in Love, lançado em junho.

“Me sinto bem mais velho. Uma pessoa bem diferente, na verdade”, diz ele, sobre a diferença de quando interpretou Tewkesbury pela primeira vez. “Mas há algo em interpretar esses papéis – já que os assumimos quando éramos jovens – que meio que nos congela um pouco no tempo. Foi muito emocionante e reconfortante voltar a algo que eu conheci numa época em que era novo e estava criativamente inspirado. Ainda estou, mas foi como uma cápsula especial quando fizemos nosso primeiro filme.”

Partridge esteve no Brasil para um “mochilão” em 2021 – passou por Santarém (PA), Porto de Galinhas (PE) e foi até em um jogo do Flamengo, no Rio. Já Millie Bobby Brown esteve em cidades como Curitiba e São Paulo para eventos de divulgação.

Questionados sobre como seria uma aventura de Tewkesbury e Enola no Brasil, Partridge respondeu animado: “Eles estariam no Pará. Estariam acho que na Amazônia. Meu Deus, isso seria divertido. Então, eles teriam que dar uma volta e acabariam no carnaval. Mas aí nós acharíamos um mistério na Amazônia…”. Quem sabe no próximo filme?

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