Covid-19: Pneumologista Reynaldo Brovini analisa momento atual da pandemia

A pandemia causada pelo coronavírus voltou a assustar o Brasil nas últimas semanas. O aumento no número de casos confirmados de covid-19 já acendeu o alerta em várias cidades brasileiras e provocou novos questionamentos.
Para o pneumologista Reynaldo Brovini, entrevistado nesta sexta-feira, 21, pela CBN Maringá, nós estamos lidando com a mesma doença, mas que, ao mesmo tempo, é uma nova doença.
“Nós estamos lidando com a mesma doença, mas ao mesmo tempo é uma nova doença. Por que uma nova doença? Porque o vírus teve suas mutações. É normal que na natureza o ser humano crie mecanismos de defesa e as bactérias e o vírus, da mesma forma, vão se modificando no sentido de infectar. [Este vírus] nasceu para infectar um hospedeiro. Conforme vão aumentando as resistências naturais da pessoa ou, no caso hoje, por exemplo aqui em Maringá, a gente já tem um índice altíssimo de vacinação. Tivemos uma eficiência muito grande do poder público aqui no sentido de vacinar a população, praticamente [não se] vacinou quem não quis. Não está havendo restrição vacinal. Então, o que acontece? O vírus foi se modificando”, disse ele.
“Numa comparação um pouco simplista, esse vírus era no seu início um maratonista, um corredor queniano preparado para correr 42 quilômetros e agora ele se tornou um corredor jamaicano, um Usain Bolt, um corredor de 100 metros. Então ele trocou a violência pela velocidade. ‘Já que eu não estou conseguindo fazer tanto estrago, eu vou andar mais rápido para infectar cada vez mais’. Então, a velocidade e a propagação dele, em relação ao sars-COV original, ela vem a ser 15 a 20 vezes maior. E também a quantidade. Você tinha uma contaminação de 1 para 15. Agora, você está com a contaminação de 1 para 50, 1 para 60. E por isso que os casos estão se multiplicando muito”, explicou.
Segundo ele, os números de casos divulgados oficialmente pelos municípios já são assustadores, mas ainda podem estar abaixo do número real de casos no Brasil atualmente.
“Realmente os números são assustadores, ainda mais quando a gente sabe que no Brasil, hoje, a gente está completamente no escuro em relação a números oficiais. Os números que têm saído é por um Consórcio de Imprensa. É absolutamente inacreditável que o Ministério da Saúde esteja há 50 dias sem fornecer os dados do Brasil. Então, esse número comunicado possivelmente esteja muito subestimado pela realidade que a gente está vendo, porque os testes são feitos em laboratórios, hospitais e, agora, você tem os testes rápidos em farmácias”, alerta Brovini.
“Nem todas as farmácias têm a agilidade e nem todas as Secretarias de Saúde têm agilidade de compilar todos os dados. Eles têm que informar, obrigatoriamente. Agora, uma cidade como Maringá, eu ainda ontem conversava com o Marcelo Puzzi [secretário de Saúde de Maringá], as farmácias aqui estão mandando, mas a gente sabe que não é essa a realidade do País inteiro, um País que tem 5.700 municípios. […] Eu acho que a gente está vendo só a ponta do iceberg. Por que eu digo isso? A realidade que a gente está vendo, e a população está vendo, dificilmente hoje você não tem na casa, um parente, um amigo, uma pessoa que trabalha com você que não esteja contaminada”, considerou.
Durante a entrevista, o pneumologista também destacou que é preciso ter cuidado ao considerar que os casos leves de covid-19 – que têm se mostrado predominante principalmente por causa da vacinação – representam uma fase “benigna” da doença. “A maioria das pessoas está tratando como uma doença benigna. Nenhuma doença é benigna. Ela está apresentando uma característica de menos agressividade”, afirmou.
Assista à entrevista completa do pneumologista Reynaldo Brovini à CBN Maringá:
