Quais os impactos da pandemia na sexualidade das pessoas?

Distanciamento: palavra frequentemente usada pelos brasileiros desde março do ano passado, devido à pandemia da covid-19. Se comportamentos cotidianos como aperto de mãos, abraços e beijos estão restritos, imagine o impacto deste cenário na sexualidade das pessoas.
O maior impacto foi observado na vida sexual de pessoas solteiras, segundo a médica psiquiatra Raquel Santana Proença. Além do risco de contaminação, espaços frequentemente usados para conhecer pessoas novas e socializar, como festas e bares, por exemplo, não estão permitidos em Maringá.
Quase tão afetados quanto os solteiros foram os casais que não moram juntos, que passaram a se ver bem menos durante a pandemia – principalmente os que moram com pessoas que fazem parte do grupo de risco, como idosos e doentes crônicos.
Por outro lado, casais que moram na mesma casa enfrentam os desafios do convívio mais intenso, segundo a psiquiatra. “Esses casais tiveram que lidar com a intensificação do convívio, divisão de tarefas domésticas, trabalho ‘home office’ e presença constante dos filhos em casa, o que pode afetar o comportamento sexual”, detalha.
De acordo com Raquel Santana Proença, neste cenário de convívio intenso, é importante lembrar que a sexualidade vai muito além do ato sexual.
“A sexualidade não se resume no encontro de órgãos genitais. Neste momento, mais do que nunca, é fundamental o cuidado um com o outro. Não deixar que a intensificação do convívio ou o medo de contaminação ofusque o desejo. Será necessário reinventar a maneira que nos relacionamos, trazer a leveza e o lúdico para o cotidiano”, frisa.
Sintomas da covid-19
Além dos impactos da pandemia nos relacionamentos, de modo geral, alguns pacientes infectados pelo coronavírus apresentaram sintomas relacionados à saúde sexual, como explica a médica.
“Atualmente, já é bem estabelecida a relação da covid-19 com fenômenos tromboembólicos. Os problemas vasculares podem atingir qualquer vaso sanguíneo do corpo humano, inclusive do sistema urogenital, causando disfunção erétil. Além disso, a infecção pode ocasionar a Síndrome da Fadiga Crônica, gerando cansaço e portanto menos disposição para o ato sexual, tanto em homens como mulheres”, detalha.
Os efeitos deletérios na saúde sexual após a infecção por covid-19 são mais comuns em homens, já que além de causar disfunção erétil pelo acometimento da microcirculação, o coronavírus pode infectar os testículos e afetar os níveis de testosterona.
Estudos recentes mostram que a maioria dos sintomas ocorrem após a infecção e, dependendo da gravidade do acometimento vascular, podem durar meses.
“Para evitar comprometimento à longo prazo, durante a fase aguda da covid-19 o paciente deve realizar acompanhamento médico especializado, já que a doença pode causar um estado de hipercoagulação associado a uma resposta inflamatória intensa no organismo, de maneira que os vasos sanguíneos podem ser afetados. Em alguns casos, o uso de anticoagulantes pode ser recomendado de forma profilática. Após a instalação do quadro, o médico urologista deve ser procurado”, destaca Raquel Santana Proença.
Após a realização de investigação clínica, se as causas orgânicas forem descartadas e a disfunção erétil permanecer, o paciente deve procurar um profissional de saúde mental. “Isto porque algumas disfunções sexuais podem estar associadas com psicopatologias como ansiedade e depressão”, finaliza a médica.
