Nós usamos cookies para melhorar a sua experiência em nosso site, personalizar publicidade e recomendar conteúdo de seu interesse. Ao acessar nosso portal, você concorda com o uso dessa tecnologia. Saiba mais em nossa Política de Privacidade.

11 de fevereiro de 2026

Os blocos de rua de São Paulo precisam acabar


Por André Marsiglia Publicado 11/02/2026 às 14h32
Ouvir: 00:00

O que ocorreu no último sábado, em São Paulo, não foi “festa popular”. Foi confusão. Em uma espécie de engavetamento de blocos, dois deles se engalfinharam na Rua da Consolação em um mar de gente prensada e exausta. O cenário se repete ano após ano: excesso de pessoas, falta de controle, risco real. 

image
Foto: Reprodução/Prefeitura de São Paulo

As autoridades parecem não compreender que um milhão e meio de pessoas comprimidas numa via pública não são um “bloco de rua”. É mais do que um show; é um megashow que simplesmente não cabe na estrutura das ruas da cidade. Para os moradores, pura balbúrdia. Para o comércio, fechamento compulsório. Para a cidade, paralisia. Para as pessoas, risco.

A história do próprio carnaval oferece uma lição simples. No Rio de Janeiro do início do século passado, as escolas de samba também nasceram como blocos. Primeiro, concentravam-se na Praça Onze, depois desfilaram na Avenida Rio Branco; por fim, em um sambódromo. São Paulo precisa repetir esse caminho imediatamente.

É ilógico insistir que multidões de foliões inebriados circulem livremente por vias residenciais e comerciais, intercaladas por hospitais, como se fossem um singelo “cordão”, um pueril bloquinho carnavalesco de interior. A solução existe: espaços próprios, delimitados e preparados: Anhembi, Autódromo de Interlagos, sei lá. O que não dá é deixar as ruas reféns dessa suposta festa popular.

Aliás, a festa é tão supostamente popular que um desses blocos que se engalfinhou na Rua da Consolação, patrocinado por uma certa marca de cerveja, importou um DJ escocês para animar o Carnaval. Escocês não faz festa popular no Brasil e DJ não faz Carnaval. E, o mais importante, evento exige regra, planejamento, segurança, logística e local apropriado.

O carnaval mal começou; ainda temos muito o que suportar em São Paulo até o fim da algazarra. Mas será trágico se for preciso uma fatalidade para que governantes compreendam o óbvio: que os blocos de rua devem passar a desfilar em local que os comporte e as ruas de São Paulo devem voltar a ser o túmulo do samba.

Sobre o autor

André Marsiglia é advogado constitucionalista, especialista em liberdade de expressão. Formado em Direito e Letras pela USP. Mestre e doutorando pela PUC-SP. É fundador do Instituto Speech and Press. Foi consultor jurídico da Repórteres Sem Fronteiras (RSF). É membro da Comissão de Mídias da OAB, da Comissão de Mídia e Entretenimento do IASP e membro julgador do Conselho de Ética do CONAR. Escreve sobre liberdade de expressão e judiciário, sempre às terças-feiras, no Portal GMC Online

As opiniões do colunista não necessariamente refletem a opinião do veículo.

Pauta do Leitor

Aconteceu algo e quer compartilhar?
Envie para nós!

WhatsApp da Redação