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COLUNISTAS

As bicicletas mudaram o mundo - E vão voltar a fazê-lo

Publicado por Diego Sanches - Engenharia Urbana, 11:50 - 11 de de 2019

Pouco mais de 200 anos atrás foi lançado o primeiro modelo de bicicleta. A bicicleta do barão alemão Karl von Drais, de 1817, é considerada a pioneira. Era feita de madeira e funcionava com o impulso dos pés. O objetivo era oferecer um meio de transporte mais barato e fácil de manter que os cavalos.

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Modelo de bicicleta criado por Karl von Drais

De lá pra cá, muita coisa mudou nas bicicletas. Hoje elas não são mais de madeira e podem utilizar diversos materiais, incluindo, mas não se limitando a: aço, cromo molibdênio, alumínio, titânio e até fibras de carbono. Mas uma coisa não mudou em relação a elas, o seu uso como meio de transporte fácil e barato.

Mas, apesar de ser uma excelente alternativa para cidadãos que não encontram mais praticidade e velocidade nos carros, a vontade de pedalar encontra obstáculos. Segundo a pesquisa Perfil do Ciclista Brasileiro, realizada pela ONG Transporte Ativo, os principais problemas enfrentados pelos ciclistas são a falta de respeito dos condutores motorizados, e de infraestrutura adequada, como ciclovias e bicicletários. Metade dos entrevistados considera que o investimento em infraestrutura cicloviária os faria sair de casa mais vezes pedalando. Como superar tudo isso?

Trago o bom exemplo da Holanda. Com 17 milhões de habitantes, há na Holanda 23 milhões de bicicletas, é o país com mais bicicletas por habitante. Mas isso não é coincidência, existem 88.000 quilômetros de rotas adaptadas e 94% das viagens começam na porta de casa. Além disso, o governo anunciou que pretende investir 345 milhões de euros em estrutura, para que outras 200.000 pessoas passem a utilizar esse meio de transporte. Tudo isso é impressionante, mas gerou um problema até então impensável. Com uma densidade populacional de 412 habitantes por quilômetro quadrado, onde vão estacionar tantas bicicletas?

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Estacionamento de bicicletas em Utrecht

A resposta são os estacionamentos subterrâneos gigantescos. Os maiores estão sendo construídos em Haia, Amsterdã e Utrecht. O último, depois de concluídas todas as etapas, será o maior do mundo de sua classe, abrigando 12.500 bicicletas, além de disponibilizar 700 bicicletas de aluguel e funcionar 24 horas por dia. É realmente impressionante.

Nossa realidade, mesmo em cidades consideradas boas para se viver, como Maringá, ainda está distante da realidade holandesa. Mas podemos chegar lá. Um bom começo seriam campanhas de conscientização dos motoristas. Se não houver respeito ao ciclista no trânsito, sua segurança fica comprometida e isso inibe novos usuários desse modal. Além disso, é essencial que exista integração entre a bicicleta e os outros meios de transporte. Uma opção é a utilização de ônibus que transportem as bicicletas.

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Veículo de transporte coletivo adaptado para transportar bicicletas

O caminho é longo, mas acredito no potencial da bicicleta em transformar a vida na cidade como conhecemos.

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