Vítima relata como líder espiritual preso em Maringá agia para forçar relações sexuais: ‘Falava que eu era prostituta em vidas passadas’

A Polícia Civil continua avançando as investigações no caso do líder espiritual e capoeirista preso no conjunto Requião, em Maringá, suspeito de abusar sexualmente de pelo menos oito mulheres, entre elas, uma menor de 17 anos.
As vítimas já prestaram depoimento e os detalhes do caso vão aparecendo à medida que outras mulheres se encorajam.
Uma delas escreveu um relato que revela como o homem agia. A advogada de sete vítimas, Luiza Alvarez Beltran disse ao GMC Online que a carta serve como parâmetro, já que capoeirista agia de forma semelhante com as mulheres. “Ele não permitia ser questionado, sempre com indiretas e afirmações que levavam ao constrangimento e a uma tortura psicológia”, afirmou.
Na carta, a vítima relata que começou com aulas de capoeira e depois foi convidada para os encontros espitirituais que contava com 11 pessoas, em um círculo. Após ganhar a confiança dela, a chamou para uma conversa particular e afirmou:
“Que eu era uma prostituta em vidas passadas, que dançava por dinheiro e que precisava me redimir dos pecados daquela, nesta vida. Ainda me disse que meu pai estava sofrendo no purgatório, que minha irmã iria ficar louca e que minha mãe iria se perder sozinha na vida, e que eu tinha uma doença no útero”.
Segundo a vítima, o dignóstico pertubador levou a uma chantagem envolvendo sexo. “Me disse que a única maneira de impedir que tudo isso continuasse a acontecer era se eu me entregasse sexualmente a um medium, sem o uso de preservativos”.
A mulher conta que ficou chocada, deixou o capoeirista e foi embora, sem ceder aos pedidos. “Graças a Deus, nada físico chegou a me acontecer. Mas poderia ter acontecido facilmente. Eu estava vulnerável, em um lugar deserto, com pessoas que eu achava que conhecia, mas desconhecia suas intenções totalmente”.
O delegado responsável pelo caso, Rodolfo Vieira, disse que as vítimas eram ameçadas pelo medium e algumas chegaram a fugir por medo.
“Ele falava que a relação sexual era uma energia que ele ia passar para a vítima. Seria uma forma dela ficar curada, e algumas se submeteram a essa relação. Já outras perceberam que algo estava errado e fugiram da cidade. Elas tinham muito medo dele, seja por uma represália espiritual, porque achavam que ele poderia lançar um feitiço, ou até mesmo represália física”, afirmou.

Entenda o caso
Oito mulheres já compareceram na Delegacia da Mulher de Maringá para denunciarem um líder espiritual e capoeirista, de 65 anos, por abuso sexual. Entre as vítimas está uma adolescente de 17 anos. O homem foi preso nesta terça-feira, 30, no conjunto Requião em Maringá. Ele vai responder por violação sexual mediante fraude, importunação sexual e assédio sexual. O suspeito negou os crimes.
O líder reliogioso foi detido no local onde ocorriam as sessões de atendimento, que incluia banhos com ervas. A prisão ocorreu após um grupo de mulheres comparecer a delegacia para denunciar. Segundo a polícia, elas trocaram mensagens pelo Whatsapp e começaram a perceber que os abusos não eram casos isolados e que ocorriam de forma semelhante.
“As vítimas relataram que as sessões eram longas, duravam de 3 a 5 horas, e que ficavam sozinhas com o homem dentro de um quarto pequeno onde sofriam os abusos. Tomaram coragem e vieram á delegacia para denunciar, vendo que isso não tem nada de religiosidade, mas sim de crime mesmo”, disse o delegado.
De acordo com a investigações, o líder espiritual atua há mais de 30 anos em Maringá. A polícia não descarta a possibilidade de mais vítimas por conta do logo período de atuação.
